quarta-feira, 29 de agosto de 2012

FanFic 'Dark Queen' - Capítulo 04 - Roleta Russa

Então, hoje é o dia "D".
Vamos ver qual será a decisão de Bella depois de tudo que ela passou no capítulo anterior?
Escutem a música sugerida pessoal, é incrível como se encaixa.
Preparem os lencinhos.

Dark Queen
4
Roleta Russa
***
Russian Roulette / Roleta Russa
And you can see my heart beating / E você pode ver meu coração batendo
You can see it through my chest / Você pode vê-lo através do meu peito
Said I'm terrified but I'm not leaving / Disse que eu estou apavorado, mas eu não vou sair
I Know that I must pass this test / Eu sei que tenho que passar neste teste
So just pull the trigger / Então, basta puxar o gatilho
***
Bella Pov
Tudo aconteceu a três dias. Três dias sem nenhuma tentativa de contato.
Eu estou aqui trancada em meu quarto desde então, só saí para as necessidades primordiais e minha cabeça estava em um turbilhão.
Apesar disso, hoje, três dias depois daquela humilhação sem fim eu estava lúcida.
Sentia-me jogando Roleta Russa*. Onde a minha decisão me mataria ou me daria vida. Provavelmente me mataria.
Estava acordada desde a cinco da manhã olhando o céu cinza através de minha janela. O tempo refletia meu humor. Cinza.... Sem vida.
Vi quando o sol nasceu clareando um pouco as nuvens... Charlie entrou no meu quarto para me checar com ar de preocupação e achando que eu dormia foi pro trabalho, eu não estava com ânimo de falar ainda. Eventualmente seria necessário, mas não agora.
Quando tive certeza que estava sozinha resolvi me levantar. Cada parte do meu corpo doía por estar tanto tempo na mesma posição. Respirei fundo...
Já sabia que tinha que fazer alguma coisa, só não sabia o quê e como...
Olhei para as paredes cobertas de lembranças... Minha cadeira de balanço no canto do quarto, agora vazia... Fui ao meu armário e puxei a caixa de madeira antiga que foi presente de Esme de cima da prateleira mais alta. Lá havia recordações de todas as fases do meu relacionamento. Uma camiseta esquecida dos Espartanos*, Guardanapos com pequenas frases de amor escritas com a bela caligrafia dele. Papeis de chocolates com as datas nos cantos. Tickets de cinema e shows que partilhamos juntos. O CD com suas composições que me foi devolvido quando retornamos da Itália. Remexi no álbum estilizado feito por Alice.
Todos eles retratados lá na mais perfeita beleza com exceção a mim. Estáva-mos nos fundos da casa, o jardim maravilhoso, as rosas e tulipas coloridas contrastavam com o verde da floresta para além do rio. A Duendezinha teve a brilhante ideia de eternizar este momento. Até Carlisle estava estampado carregando uma Esme que sorria lindamente olhando para a câmera enquanto agarrava-se ao pescoço do marido. Emmett encheu a cabeça com algumas flores silvestres e fez palhaçadas. Jasper e Rosalie em poses que despertaria a inveja de qualquer modelo profissional. A minha preferida era uma de nós três em preto e branco. Alice no meio sendo beijada em cada bochecha enquando ganhava um abraço duplo. Era linda!
Espalhei pela cama as fotos que ela tinha tirado de nós. Minha doce família Cullen. Meus olhos estavam secos... Já tinha chorado todas as lágrimas possíveis. O buraco estava lá observando, só esperando uma chance de me tragar novamente.
Como ele pode ser tão irredutível... Como pode dizer me amar e não querer compartilhar isso comigo?
Onde estes impasses nos levariam... Sempre lutando... Sempre discordando...
Dois meses e ainda tanta reserva de sua parte. Quem sou eu pra ele? Quem sou eu pra mim?
Aliás, quem eu quero ser?
Tantas perguntas... Tudo tão confuso... Minha cabeça latejava.
Isso foi longe demais, eu tenho que tomar uma decisão. A mais importante das decisões.
Olhei o relógio na cabeceira da cama, dez e quarenta e cinco da manhã. Uma chuva torrencial caia lá fora. Parecia noite em Forks. Raios clareavam as vidraças e as fazia tremer.
Peguei minhas coisas do banheiro e fui tomar um banho, tirei minhas roupas lentamente e olhei para o espelho de corpo inteiro na porta do mesmo.
Analisei cada detalhe: A brancura excessiva da pele, as pernas não muito finas e esguias, os pelos pubianos escassos e escuros, a curva suave da cintura, a barriga lisa, os seios pequenos. Ele tinha razão em não me desejar, Humana... Quebrável... Frágil... Nada demais... Nada especial... Nada... Apenas nada.
Olhei-me por um tempo imensurável até que percebi que minha pele estava arrepiada de frio e meus lábios ficando roxos.
Entrei debaixo do jato do chuveiro e fiquei lá mais tempo do que eu normalmente faria... Deixei a água quente escorre pelo meu corpo, aquecendo a minha pele até ficar cor de rosa. Lavei-me vigorosamente, lavei a dor... Deixei a água levar o desespero pela decisão que eu estava tomando e fui clareando meus pensamentos.
Quando a água começou a ficar fria, eu desliguei o chuveiro e sai segurando a toalha e enxugando meus cabelos longos que escorriam por minhas costas. Entrei no quarto e olhei meu armário com mau humor. Retirei um jeans qualquer e uma camisa preta de mangas compridas, calçei as botas acolchoadas por cima. Odeio quando meus pés ficam molhados, pensei.
Olhei-me no espelho da cômoda penteando os cabelos e fazendo uma trança apertada. Meio dia em ponto. Estou apavorada, mas não vou desistir. Sei que tenho que passar nesse teste. Basta puxar o gatilho. Minha decisão estava tomada.
Fui até a cômoda separar todos os documentos que precisava. Desci peguei o telefone e com um longo suspiro e fiz a ligação internacional. Uma vez na cozinha comi restos de pizza que Charlie deve ter pedido já que eu não cozinhava a algum tempo. Ele teria que se acostumar novamente. Escovei os dentes, peguei as chaves do carro, a pasta com os documentos e sai.
Rumei para Port Angeles em tempo recorde para o meu carro, passei no banco fazendo a transferência necessária e fui para a agência de turismo. Com tudo já acertado caminhei bem devagar pelo calçadão vazio até chegar a pick up. Não estava mais com pressa. Tanto fazia o tempo agora.
Cheguei em casa juntamente com Charlie as dezesseis horas o que foi bom já que precisávamos conversar.
“Chegou cedo pai.”
Ele grunhiu. Seu olhar era desconfiado. Retirando a arma e a pendurando ele foi à cozinha e pegou um copo d’agua.
“Estou preocupado com você menina.” Ele falou sem se virar “Quando tempo de cama desta vez... Três dias?” Questionou fazendo cara feia.
A hora chegou, não dá mais para adiar. “Vá se lavar pai. Conversamos daqui a pouco. Vou fazer uns sanduiches.”
Ele me olhou longamente e subiu para o quarto sem perguntas.
Enquanto ele tomava um banho eu fiz outra ligação informando que já estava tudo certo, as taxa estavam pagas e as reservas feitas. Fui preparar o jantar.
“Então Bell’s, como você está?” Começou ele enquanto se servia de uma lata de cerveja do freezer. “Não suporto te ver assim... a culpa é daquele idiota novamente...”
Eu o cortei.
“Pai, acabo de fazer minha inscrição na Hawai'i Pacific University – Em Honolulu no Havaí. Vou cursar literatura. Eu havia descartado a possibilidade dessa universidade, mas devido a novas circunstâncias eu reconsiderei. A grade curricular é boa e tenho tudo que preciso.” Respirei fundo antes de continuar.
“Parto amanhã, pois o semestre esta pra começar e há muito que fazer. Preciso de cinco mil dólares emprestados para as despesas com alimentação e acomodações do primeiro semestre o restante já foi pago por minha poupança. Trabalharei em alguma coisa nas horas vagas para te devolver o dinheiro e vou tentar uma bolsa assim que possível.” Esperei por sua reação.
Meu pai me encarava boquiaberto e sem fala. Ele passou do branco ao azul num piscar de olhos, mas aos poucos foi recobrando a cor normal, se acalmou e pigarreou.
“Tão cedo? Tem certeza de que é isso que você quer?” Perguntou pousando o sanduiche no prato.
“Sim” Não havia necessidade de mais palavras.
“Você quer falar sobre esta decisão? Não me parece que você está muito animada em ir pro Havaí... Foi tão de repente que estou atordoado.”
Charlie era um homem de poucas palavras, mas ele era perceptivo, e às vezes, irritante por isso.
“Não se preocupe pai, vai dar tudo certo.” Tentei sorrir sem muito sucesso, ficou perecendo uma careta. Suspirei. Eu não poderia falar sobre isso com meu pai.
Ele me olhou atentamente por um momento antes de encolher. O tempo que ele não desperdiçava falando era passado observando, minha mãe disse uma vez que sua percepção era ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição em seu casamento de curta duração.
Charlie pareceu pensar por uma eternidade. Balançou a cabeça negativamente como se quisesse espantar um mau pensamento.
“Bom, neste caso o dinheiro é seu, não quero pagamento e nem adianta falar nada, faço a transferência amanhã.” E voltou a comer encerrando o assunto.
Aproveitei a deixa e fui arrumar minhas malas. Subi as escadas lentamente e girei a maçaneta dando um pulo de susto ao ver Alice encostada na minha janela com uma cara angustiada.
“Você vai me deixar Bella?” Sua voz embargada e lábios trêmulos como se estivesse prestes a cair no choro.
“Sem drama Alice, você deveria ter previsto isso.” Eu falei cansada. “Você sabe que seria isso ou o que aconteceu da última vez na floresta.”
“Ele não ia te deixar de novo Bella, você deveria saber.”
Soltei uma gargalhada falsa.
“Nem precisava, a atitude é a mesma, é só uma questão de geografia.” Falei retirando as malas de cima do armário atirando-as na cama e indo até a cômoda.
Alice me acompanhou a começou a me ajudar arrumando minhas roupas perfeitamente dentro delas em um silencio desconfortável.
Acabamos rapidamente, pois agora eu já não tinha muitas opções para usar no clima quente e ensolarado do Havaí como tempos atrás em Phoenix. Meu guarda roupas estaria seriamente desfalcado. Nas duas malas pequenas coube todo o meu contingente.
Alice me olhou nos olhos, me abraçou e me beijou na bochecha dos dois lados.
“Eu te amo minha irmã, sei que vai fazer o que achar que é o correto pela sua felicidade. Eu não vou te parar.” Eu estava paralizada com sua atitude. Ela se virou para saltar da janela e eu chamei confusa:
“Ehh Alice?”
“Sim?” Ela se virou.
“Você pode me levar ao aeroporto de Port Angeles amanhã às dez horas da manhã?” Ela me olhou sem compreender por um segundo.
“Eu não estou tirando você da minha vida, eu jamais faria isso com minha melhor amig...” Antes que eu terminasse a frase ela estava agarrada a mim soluçando.
“Ahhh Bella, obrigada, obrigada... Achei que você nunca mais ia querer me ver.”
Eu revirei os olhos e a abracei com toda a minha força.
“Nunca, você é minha irmã e sempre será. Espere-me no carro que vou com você até sua casa. Preciso resolver algumas coisas.” Falei olhando pra baixo.
“Eu não disse nada a ele. Ele havia saído com Carlisle e quando vi sua decisão vim imediatamente pra cá.”
“Não importa. O que está feito, está feito. Vamos.” Desci decidida a enfrentar meu destino de cabeça erguida.
Passei por Charlie informando aonde iria e que não chegaria tarde.
Ele me olhou lentamente com um ar desanimado e só balançou a cabeça.
Alice já estava na pick up e fomos em silêncio até a grande casa branca no meio da floresta.
Quando chegamos, ele ainda não estava em casa.
Aproveitei pra me despedir de Esme que me abraçava e lamentava minha decisão dizendo que eu seria sempre sua filha. As portas estariam abertas sempre que eu quisesse voltar.
Emmett me pegou em um abraço de urso perguntando quem ele atormentaria agora já que eu estava partindo para um lugar tão ensolarado que se ele viesse me visitar iluminaria toda a ilha. Até Rosalie sorriu um pequeno sorriso dizendo que tomei a melhor decisão. (Isso me magoou um pouco. A melhor decisão era deixar sua família em paz? Talvez ela tivesse razão então).
Jasper me olhava desaprovadoramente e balançava negativamente a cabeça de tempos em tempos sem se aproximar.
Vi quando todos olharam para as portas de vidro atrás do piano que dava para os fundos da propriedade. Um minuto depois vi Carlisle saltando o rio em nossa direção.
Pedi licença e fui ao seu encontro quando ‘o vi’ fazendo o mesmo caminho que seu pai através do rio.
Quando nossos olhos se tocaram eu travei e ele suspirou aliviado, era como se o peso do mundo tivesse sido retirado dos seus ombros.
Carlisle me deu um pequeno abraço e me deixou sozinha indo em direção a casa.
Caminhei lentamente enquanto ele encurtava a distancia rapidamente com passos de vampiro.
“Bella!” Ele disse pegando minhas mãos enquanto soltava o ar dos pulmões como se estivesse a muito o prendendo.
Ele se virou de repente pra as janelas/paredes vendo sua mãe e irmãos nos observar, então eu soube que ele estava lendo os pensamentos de sua família.
Ele soltou minhas mãos devagar me olhando nos olhos sem acreditar, dando um passo para trás e congelou. Ele esperava que eu falasse.
“Edward”. Seu nome ardeu na minha língua.
“Eu vou embora.” Falei.
“Porém farei diferente de onze meses atrás quando você me deixou. Eu não mentirei pra você nem fingirei que estou bem, nem que não te amo.” Segurei as lágrimas que ameassavam cair. Se elas viessem eu não sairia dali.
“Estou fazendo o que penso ser melhor... não me odeie por isso... por favor.”
“Não te deixarei sem apoio, nem abandonado numa floresta sozinho. Não direi que você não serve pra mim e que não é bom o suficiente.” A dor que eu sentia ao pronunciar cada palavra era indizível, eu estava sendo rasgada por dentro.
“Foi tudo de mais bonito que alguém pode viver, mas estamos nos machucando e eu jamais te forçaria a fazer o que você não quer.”
“Eu sou passageira e você é eterno, eu sou de carne e osso e você... Bem... olhe pra você... é muito mais e merece uma chance de encontrar alguém a sua altura... Sem tantas limitações quanto eu.”
“Você sofreria se tirasse a minha alma de mim e eu não quero que você sofra.”
“Um dia você me disse que estávamos em um impasse, pois bem, eu desisto dele por você.”
Enquanto eu dizia minhas falas ele estava imóvel, como se tivesse congelado no lugar. Seus olhos eram escuros e profundos e me perdi neles. Apenas seu cabelo bronze se mexia dançando com o vento gelado enquanto o sol se punha atrás de nós.
“Não prometo que será como se você nunca tivesse existido, pois é impossível. Você faz parte da minha vida e estará em meu coração como uma tatuagem cravada a ferro e a fogo.”
Eu o olhei dentro da alma pela última vez.
“Adeus Edward. Seja feliz.” Eu não queria resposta, não queria ouvir sua voz. Virei-me e caminhei em direção a casa o deixando estático ao lado do rio.
Entrei ao mesmo tempo em que ouvi um rosnado estrangulado e barulho de madeira se partindo. Não olhei pra trás, não poderia. Então tudo se apagou.
Despertei minutos depois com as mãos de Carlisle em minha testa e pulsos.
“Coloque ela aqui no sofá” Ele disse.
“Em, Jaz, vão atrás de Edward antes que ele destrua a floresta.”
“Bella, você me ouve filha. Abra os olhos, está tudo bem, o pior já passou.”
Mal sabia ele que o pior estava apenas começando.
Pisquei algumas vezes e abri os olhos para alivio de Alice e Esme que me segurava como se eu fosse uma boneca delicada e quebradiça.
Apertei minha cabeça com as mãos. Ela latejava e o barulho de árvores se partindo era muito alto.
“Alice? É hora” Chamei. “Me leve pra casa, por favor?”
“Claro Bella.”
“Passe ela pra mim Esme.”
“Não precisa, eu vou andando.”
Esme me colocou no chão com medo que eu desabasse novamente, mas eu me segurei. Precisava sair dali antes que os outros voltassem.
Alice me ajudou a entrar no carro e foi dirigindo enquanto eu estava encostada a janela. Minhas lágrimas se misturavam com a chuva fina que voltara a cair.
Era o crepúsculo, a hora mais triste do dia. Era também o crepúsculo de minha vida, uma longa noite estava chegando.
 Nota da Autora:
* Roleta russa é um jogo de azar onde os participantes colocam uma bala — tipicamente apenas uma — em uma das câmaras de um revólver. O tambor do revólver é girado e fechado, de modo que a localização da bala é desconhecida. Os participantes apontam a arma para suas cabeças e atiram, correndo o risco da provável morte caso a bala esteja na câmara engatilhada.

* Espartanos: Equipe de esportes da Forks High School (FHS). Também conhecida como Lar dos Espartanos.

Fonte: Wikipédia


Chorei demais escrevendo a cena da despedida. Quase tanto como quando li Lua Nova. Eu fiquei engasgada com a partida dele por uma semana. Acho que estou engasgada até hoje.
Bella sem Edward não é boa coisa, Edward sem Bella, pior ainda.
Meninas que comentam, vocês são uns amores.
Até sábado. Lá vamos ver como Edward reage a isso.

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