sábado, 1 de setembro de 2012

FanFic 'Dark Queen' - Capítulo 05 - Desespero

Capítulo quentinho chegando. Uma linda noite pra todos.

Dark Queen
5
Desespero
***
The Kill (Bury Me)/ O assassinato (Me enterre)
Come break me down! / Venha me destruir!
Bury me, bury me! / Me enterre, me enterre!
I am finished with you! / Eu terminei com você!
What if I wanted to fight? / E se eu quisesse lutar?
Beg for the rest of my life / pelo resto da vida implorar,
What would you do? / O que você faria?

You Say, you wanted more / Você diz que queria mais
What are you waiting for / O que você está esperando?
I'm not running from you / Não estou correndo de você

Come break me down! / Venha me destruir!
Bury me, bury me! / Me enterre, me enterre!
I am finished with you! / Eu terminei com você!
Look in my eyes! / Olhe nos meus olhos
You're killing me, killing me! / Você está me matando, me matando!
All I wanted was you! / Tudo que eu queria era você!

30 Seconds To Mars

***
Edward POV
Três dias.
Três dias de pura agonia e inferno. Ela não ligou, não deu sinal de vida.
Alice me deu um ultimato, ou eu a procurava e conversava ou parava de observá-la de longe.
“Dá um tempo Edward, seja menos covarde e fale com ela.” Ela dizia em pensamento sempre que tinha oportunidade.
No primeiro dia ela insistiu várias vezes nesse assunto, nos brigamos claro. Ela estava em pânico que algo mais sério acontecesse. Eu não quis ouvir e a deixei falando sozinha. Alice era teimosa e não se deu por vencida. Atormentou-me em pensamento o resto da tarde. Toda a familia pensava como ela. Insistiam que eu deveria ir atrás de Bella. Estava tão sufocado que fui.

Cheguei a sua casa ás duas da manhã e tudo estava escuro. Minha Bella tinha uma respiração irregular então tive medo que ela estivesse acordada e não quisesse falar comigo. Subi na árvore do outro lado da rua que ficava em frente ao seu quarto. Tinha uma perfeita visão de sua cama. Seus cabelos longos estavam revoltos espalhados pela fronha e seu rosto de anjo amassado em um sonho ruim. Ela tinha olheiras e sua aparecia era cansada. Meu coração se partiu. Eu causei sua dor. Claro que ela não vai querer falar comigo.
Fiquei observando até que ela acordou. Sem se demorar na cama ela sondou se estava sozinha. Acho que não queria companhia. Charlie tinha acabado de deixar para a delegacia. Percebi um pequeno suspiro de alivio vindo de seus lábios.
Ajustei-me na árvore para ter uma visão melhor de suas ações, eu parecia um perseguidor. Meu corpo ansiava por tocá-la, meu controle estava se esvaindo. Estava a um passo de descer da árvora e bater na porta para implorar seu perdão.
Ouvi quando ela desceu as escadas indo à cozinha, abriu a geladeira, mas optou por não retirar nada. Foi a pia e bebeu um pouco d’aqua. Tornei a ter uma visão privilegiada, ela parou em frente a pequena mesa e ficou encarando a cadeira onde eu costumava me sentar quando estavamos lá juntos, o cheiro de suas lágrimas me atingiram como um soco no estômago, ela não chorava abertamente, apenas lágrimas escorriam por seu rosto sem parar, ela estava magoada. Seu aperto no encosto da cadeira ficou mais forte e seus ombros tremeram. Desci da árvore em um milésimo de segundo, eu tinha que segurá-la. Ouvi quando sua mão bateu forte em algo. “Arg... Pare com isso Bella... por que você não para como essa tortura. Covarde! Eu odeio isso!” Eu estanquei em sua porta. Ela estava com raiva. Ouvi seus passos subir a escada voltando para cima, ela entrou no banheiro e se trancou. Eu não queria ser intrusivo. Fiquei acabado. Ela estava com muita raiva de mim.
Voltai para casa desanimado, Bella ainda não estava pronta para me ver. Ela me odiava.
A 500 metros de casa os pensamentos de Alice me atingiram. “Você quase conseguiu em?” Ela debochou. “Já que estava na porta porque não entrou?” Ela despejou uma visão de mim com Bella nos braços em sua cozinha se eu tivesse entrado quando desci da árvore. Minha dor triplicou. Entrei cabisbaixo e passei por uma Rosalie presunçosa. “Não foi por falta de aviso. Quem mandou se meter com humanos.” Meu rosnado nada fez para afastá-la de seus pensamentos vís. Emmett me repreendeu. “Cuidado Bro, se você não cuida do que é seu, eu cuido. Sai fora.”
“Meninos!” Esme repreendeu do terceiro andar. “Arrumem algo para fazer e deixem Edward em paz.” Respirei aliviado. Estava cansado de brigar.
“Estamos de saída Esme.” Rosalie respondeu, mas seus pensamentos ainda me provocavam. “Vamos a Tacoma buscar aquela peça para o BMW da qual falei. Vamos Emmett?” Ela piscou para mim de forma arrogante pegando a mão do marido e o puxando pra fora.
“Desculpe Edward, mais tarde nos falamos.” Emmett era incapaz de guardar qualquer rancor.
Alice me encontrou a porta do meu quarto, quando viu minha expressão ela me abraçou. “Ah irmão! Fale com ela, por favor. Resolva isso. Eu sei que sua decisão está vacilando. Não prolonge essa dor por orgulho”. Seus pequenos braços me apertavam demonstrando todo amor que ela sentia por mim. Eu a abracei, encostando minha bochecha em sua cabeça me deixando ser embalado por minha irmã preferida.
“Eu não posso... ainda não consigo encará-la.” Eu murmurei um tempo depois. Ela soltou um Humf e voltou ao escritório da familia onde Jasper acompanhava a nossa troca pela porta entreaberta.
Alice estava muito irritada comigo por minha obstinação... Eu estava magoando a todos com minha teimosia.
Eu vigiava Bella de longe, olhando por sua janela novamente. Ela mal deixava o quarto, não comia nem dormia direito. Seu sono quando vinha era agitado e com pesadelos.
“Não vá Edward, não me deixe aqui...” Ela chorava enquanto dormia.
Hoje, porém foi diferente e não consegui identificar o significado de suas palavras:
“Eu preciso ir...” palavras incoerentes.
Será que ela pensa que eu iria embora novamente? Porque ela não vê que eu não consigo ir... Aliás, eu não consigo porra nenhuma. Não consigo transformá-la, não consigo fazer amor com ela... Não consigo deixá-la feliz. Eu sou um perdedor!!!
Cheguei em casa as 05:00 da manhã. Bella tinha acabado de acordar e ir tomar um banho quando a deixei. Subi para meu quarto rapidamente, não queria ver ninguém. Alice não deu trégua.
“Pare de vigiá-la de longe Edward ou então fale com ela. Se você não pretende se mostrar... Deixe-a em paz, ela está confusa, precisa de tempo... homens... Bahhh!” E continuou descendo as escadas revirando os olhos.
“Ela não quer falar comigo Alice, eu sei, eu sinto.”
Ela se virou e me fulminou com os olhos. “Você é um imbecil controlador e acha que sabe de tudo... vai acabar perdendo ela.” Pensou.
Fui pro meu quarto e liguei o som em um jazz bem baixinho e deitei no chão olhando pras imperfeições do teto. Minha cama ainda tinha seu cheiro eu não queria manchá-lo. Retirei a pequena peça de tecido de debaixo do travesseiro e levei ao nariz. Eu queria ser sufocado por sua essência.
Ouvi os passos de Esme subindo os degraus da escada e parando em frente de minha porta. Ocultei o sutiãn de Bella rapidamente sob o travesseiro, minha mãe pensaria que eu era um pervertido se me visse com ele. Passei as mãos nervosamente pelos cabelos.
“Entre mãe”
Ela abriu a porta devagar e ficou me observando deitado no chão do quarto. Seus olhos exalavam amor e compaixão e eu me vi em sua mente enquanto ela me observava.
Eu estava uma bagunça. Não me trocava e não me limpava a três dias, estava sujo e amarrotado. Meus cabelos estavam mais bagunçados que o normal. Se eu pudesse chorar teria exatamente a expressão que eu via refletida ali.
Ela não disse nada, só se deitou no chão ao meu lado e segurou minha mão direita enquanto fitava o teto com os pensamentos em branco. Após um tempo ela começou a me mandar imagens de momentos felizes que passamos ao longo dos anos.
...A primeira vez em que eu a chamei de mãe;
...Meu retorno após minha rebelião adolescente nos nossos primeiros anos. Os seus braços e de Carlisle ao meu redor quando passei pela porta, tão envergonhado que não conseguia encará-los por causa da cor vermelha em meus olhos. Mas o amor ali era inefável;
...Minha dedicação e empenho ao piano anos a fio enquanto ela me observava com prazer;
...Quando compuz sua canção preferida e a toquei no seu aniversário pela primeira vez;
...Quando Emmett chegou a nossas vidas parecendo um urso polar, minha felicidade em ter um amigo com quem partilhar minha existência;
...Alice rodando pela casa como um furacão nos deixando loucos, mas nos dando vida;
...As discussões intermináveis com Jasper por qualquer motivo acabando em risadas da parte de todos;
...O olhar orgulhoso de meu pai para mim sempre que eu fazia ou dizia algo que o agradava;
...A primeira vez que eu trouxe Bella pra casa...
Ela me mostrava minha família e tudo que nos ligava... O nosso amor uns pelos outros.
Eu me virei e a encarei:
“Obrigada mãe, eu te amo!” Sorri pela primeira vez em dias.
Ela me deu um pequeno sorriso e um beijo na testa. Levantou-se e foi em direção a porta...
“Sempre que precisar filho... sempre que precisar.” Ela cantarolava em pensamento.
“Eu também amo você.” E se foi.
Fiquei mais algumas horas ali... só esperando o tempo passar me lembrando de tudo que minha mãe havia me dito em pensamento, nossos momentos bons.
Todos os meus momentos com Bella... Nosso prado... O primeiro beijo... O pulsar do seu coração sempre que eu dizia que a amava... Seus olhos pra mim quando a salvei de James... Ela é o meu mundo.
Ela me amava e me estimava além da conta. Eu me sentia intimidado diante de tanta expectativa por parte dela. Eu era perfeito aos seus olhos e mais dia menos dia ela descobriria a verdade. Eu era a mais imperfeita das criaturas.
Egoísta, controlador, amargo, insatisfeito, egocêntrico, fraco, desprezível... Amaldiçoado. Ela era a única coisa que me dava esperança de salvação.
Seus pensamentos me atingiram me tirando a concentração.
“Filho. Preciso caçar e gostaria de sua companhia. Não irei longe, estaremos de volta antes de anoitecer. Eu prometo, tenho plantão noturno hoje.”
Estranho, meu pai caçou a tão pouco tempo quanto eu, porém não vi segundas intenções em seus pensamentos, ele realmente estava indo a caça. Eu não queria sair do meu quarto, não queria ver ninguém, mas meu pai... Era diferente, eu não tinha como dizer não. Da última vez que falamos em seu estúdio eu o decepcionei. Não sei como consertar isso.
Levantei-me vagarosamente. Onze e quarenta da manhã. Olhei pela janela e ele me aguardava estático e com as mãos na cintura as margens do rio atrás da casa.
Saltei daqui, pois não queria ter que passar pela casa com todos os pensamentos de minha família que eu tentava bloquear. Alice era a mais nítida, sua mente voava de imagem a imagem como se uma decisão estivesse sendo tomada. Tudo estava borrado e desfocado. Acho que ela esperava uma decisão minha e como eu estava em estado de espera, tudo estava tumultuado.
Meus pés tocaram o chão com um baque surdo, Carlisle se virou minimamente e deu um leve sorriso e avançou pelo rio sem se deter. Eu o alcancei na outra margem e começamos a correr. Ele estava evitando pensar e isso me preocupava. Ele estava se escondendo de mim.
Após dois cervos drenados ele me encarou.
“Não vai caçar?”
“Não. Caçei a quatro dias com Jasper e Emmett, ainda não sinto necessidade... e isso... Apontei para as carcaças aos seus pés, é para quem está com pressa.” Seu olhar era sabedor.
Fiz uma careta. Detestava herbívoros, só em último caso.
Ele deu uma risada fraca. “É apenas uma precaução, temos uma cirurgia cardiaca hoje e não quero facilitar. Uma coisa é tratar pequenos machucados e cortes, outra é ficar várias horas vendo e manuseando veias abertas.” Besteira, pensei. Carlisle nunca vacilaria.
“Venha filho, vamos falar agora. O que aconteceu entre você e Bella?”
Hesitei por um momento. “Eu não sei na verdade, estou confuso. Não sei por onde começar”
“Do começo é sempre bom” Meu pai sorriu querendo aliviar o clima.
Assenti e tentei retribuir o sorriso falhando miseravelmente. Comecei do inicio. Contei a ele tudo que aconteceu em detalhes, nossa discussão, a reação de Bella, as palavras de Jasper, a raiva de Alice. Ele me ouviu calado enquanto enterrava as carcaças drenadas, ao terminar se sentou e me encarou.
“A imagem que Bella tem de si está seriamente avariada e sua atitude não fez nada para melhorá-la.” Era apenas uma constatação e não uma acusação, mas doeu. Balancei a cabeça afirmativamente.
“A auto-estima é formada na infância, a partir do tratamento recebido, das relações estabelecidas com os pais, uma vez que esses servem de espelho para os filhos, quanto às identificações e sentimento de afeto. É através dessa interação afetiva que os sentimentos positivos ou negativos são desenvolvidos e a auto-imagem é construída. No caso de Bella as referências estavam trocadas Reneé não conseguia fazer seu papel de mãe e Charlie sempre distante não ajudou.” Ele divagava entando entender melhor as circunstâncias.
“Bella sempre levou as rédeas de sua vida, nunca pode se apoiar em ninguém até que nos encontrou. Ela deposita em nós a esperança de aceitação e reconhecimento que não teve antes. Ela não se vê claramente. Quando saímos em Setembro passado nós destruimos uma já frágil segurança. Situações de perda, bem como frustrações, decepções e a não consideração por parte dos outros e de si próprio podem abalar o auto-apreço. Por mais que você tente, cabe apenas a Bella trabalhar suas emoções. Ela foi danificada, mas não além do reparo. Basta ter paciência e com o tempo e afeto ela estará pronta.”
Eu tinha notado que Bella estava diferente desde que voltamos a ficar juntos. Havia sempre um sentimento de incapacidade, inadequação e insegurança. Eu não queria enxergar que provoquei esse comportamento. Eu estava tão centrado em mim e minhas emoções que não tinha olhado atentamente ao meu redor. “Eu vou procurá-la” Sorri. “Vamos, temos que voltar.” Já estava decolando quando Carlisle me parou.
“Filho, você não pode simplesmente aparecer em sua casa assim. Já ponderou o que vai fazer? Como vai resolver as pendências entre vocês?” Ele passou o braço por meus ombros. “Sei por experiência própria que conversar e entrar em um acordo é a melhor solução.”
“Não estou pronto para abrir mão de sua humanidade ainda, mas posso pensar sobre avanços físicos.”
“Você sabe que não se trata de sexo para Bella não é mesmo? Trata-se de ver até onde você está disposto a ir por seu relacionamento. O quanto você abriria mão por ela. O que vier é lucro.”
Eu o olhei assombrado. Será? Eu não tinha pensado dessa forma. Meu pai riu e piscou pra mim.
“Quase noventa anos de casamento me dá certa experiência com as mulheres. Você tem muito que aprender ainda.” Ele gargalhou já se levantando e me deixando pra trás. Eu o alcancei anda sorrindo.
“Vamos pra casa, chegando lá você se lava e pode encontrar Bella. Seu cheiro não está muito bom.”
Eu revirei os olhos por sua brincadeira, mais esperançoso do que me sentia em muito tempo. Decolamos rapidamente com meu pai me deixando pra trás. Eu corria apreciando o momento de paz.
O ouvi saltando o rio e me apressei, o cheiro de Bella me alcançou e meu coração vibrou de felicidade. Minha Bella veio pra mim.
Corri em sua direção, queria abraça-la, mas me contive. Peguei suas mãos delicadas, eu estava em casa. Então a parede de pensamentos me atingiu.
“Que pena filho, é uma pena.” Esme sentia muito por mim?
“Eu disse que você iria perdê-la. Não a deixe ir irmão, por nós dois. A impeça por favor.” Ir? Para onde? O que Alice queria dizer com ir?
“Sinto muito Edie, eu não sei por que ela quer ir pro Havaí, mas ela está indo.” Emmett me olhava com a testa franzida.
Jasper e Rosalie me encaravam com máscaras idênticas de frieza, mas com pensamentos bem diferentes. Os de Rosalie eram presunçosos, de quem venceu uma batalha. Já os de Jasper eram de desagrado, apesar de tudo ele não queria que ela fosse. Alice sofreria e ele não gostava que ela sofresse.
Eu estava confuso, incrédulo. Então ouvi minha mãe falar no ouvido de meu pai a frase que pararia meu coração se ele já não estivesse parado.
“Bella está nos deixando, ela vai estudar no Havaí.” Carlisle a abraçou em conforto pelas lágrimas não derramadas em seus olhos.
Olhei minha vida nos olhos e o que vi não deixou dúvidas. Ela estava me deixando. Dei um passo pra trás. Não queria obrigá-la a me aturar. Esperei que ela falasse destruindo qualquer chance de felicidade que eu pudesse ter.
Uma parte do meu cérebro registrou cada palavra dita e que me assombraria por toda a minha inevitável eternidade, porém o restante, a maior parte a estava memorizando, Os cabelos longos em uma trança caindo por sobre o seu ombro, os lábios fartos e rosados, a voz de mel que derretia minhas entranhas, o calor que ela emanava sem nenhum esforço. As piscinas chocolates que eram seus olhos. O som mais importante do meu mundo, o bater de seu coração que agora estava acelerado. Empurrando-me, indo pra longe de mim.
“Adeus Edward, seja feliz.” Suas palavras eram como fogo me consumindo. Como ela pensa que serei feliz se tudo em mim se resume nela? Ela.... Bella.
Olhei enquanto meu mundo fugia pra dentro de casa, pros braços de minha mãe.
Não me lembro de correr, só dor e escuridão, desespero. O Abismo tinha um porão e seria lá que me esconderia. De acordo com Lei de Murphy* nada é tão ruim que não possa piorar. Eu estava lá.
Meus braços e pernas doiam não sei por que, somente névoa ao meu redor, torpor, escuridão. Abri meus olhos e eles doiam também, Vampiros sentem dor? Jane. Os Volture sabem provocar dor, talvês seja isso. Jane está aqui. Meu inferno pessoal.
Longe ouvi a voz poderosa de Emmett.
“Vamos lá Bro, você não pode fazer isso comigo, me deixar aqui sozinho com este espertinho do Jaz, não tem graça cara. Fale comigo.” Ele soava desesperado. Emmett não se desespera, ele leva tudo tão bem. Porque então?
“Edward. Acorda irmão. Vamos resolver isso. Fale conosco.” Minhas emoções corriam soltas por dentro de mim. Como se estivessem desprendidas. Jasper.
Depois de muito tempo entorpecido senti braços fortes ao meu redor, o cheiro de meu pai me tomou. Ele não disse nada. Só ficou lá me segurando junto. Impedindo-me de me perder em meio à dor. Eventualmente eu comecei a ter ciência do meu corpo novamente. Tentei me levantar e fui impedido por Carlisle.
“Filho.” Sua voz era de alívio, ele me apertou um pouco mais e permitiu que eu me sentasse.
Olhei ao redor estupefato. Parecia que um tornado tinha passado por aqui e atirado para o alto árvores, galhos, tudo. A terra estava revolvida e o ar cheirava a poeira e barro. Estávamos ladeados por Emmett e Jasper. A escuridão era total indicando que o tempo havia passado. Ainda era dia quando... Minha cabeça girou, eu não podia pensar nisso.
“O que ouve?” Minha voz era rouca e estranha para meus ouvidos. A dor surda em meu estómago não cessava.
“Acho que você entrou em choque.” A voz de Carlisle era incerta, afinal ele era médico.
“Choque? Como? Eu não sou humano, não posso entrar em choque”
“Você sente Edward, é a única explicação que tenho.”
“Você pode se levantar?” Emmett me estendia a mão, ele estava horrivel, suas roupas estavam em frangalhos como se ele tivesse lutado com um urso. Franzi a testa e olhei meu pai e Jasper que tambem pareciam ter entrado em uma luta. Eles me olhavam com expectativa.
“Obrigado.” Disse quando me dei conta que era eu o causador da destruição. Eles estavam me protegendo. Protegendo-me de mim.
“Podemos voltar pra casa? Tem algo que preciso fazer.”
“Edward, filho...” A voz de meu pai era suplicante. “Não sei se adiantará...”
“Tudo bem pai. Não se preocupe. É só uma ligação. Não vou incomodar ninguém que não queira ser incomodado.” Eu disse humildemente já pegando a mão estendida de meu irmão. Ele me amparou juntamente com Jasper. Era estranho se sentir fraco e forte ao mesmo tempo.
Carlisle assentiu e começou a limpar a bagunça estapalhada da melhor maneira possível, eu e meus irmão nos pusemos a ajudar. Fomos avançando em direção a casa. Caminhamos por quase uma hora a passos de vampiro ajeitando o rastro de destrição que provoquei.
Uma vez em casa fui cercado pelos braços protetores de Esme. Minha mãe soluçava tentando retirar as lascas de madeira e folhas do meu cabelo revolto. “Tudo vai ficar bem Edward. Não se preocupe. Vamos dar um jeito nisso ok?” Ela tentava me confortar em pensamento.
Alice estava no canto, da sala de cabeça baixa. Ela me mostrou sua visão apenas 20 minutos depois que sai para a caçada com Carlisle. Sua tarde frenética em busca de respostas e a conversa onde ela ganhava a chance de continuar na vida da mulher que eu amava. Dor se estendeu por meu corpo fazendo meus joelhos cederem. Carlisle estava ao meu lado em um átimo me segurando.
“Tudo bem, venha, vamos nos sentar.”
Alice me olhou saindo da sala. “Vá atrás dela, não deixe que ela vá. Vou tentar atrasar o vôo.” A pequena já sacava o celular do bolso do casaco.
Levantei-me com a certeza que nada mais seria como antes. Alice voltou informando que o vôo partiria do Sea-Tac Airport* às dezesseis horas. Faltavam doze horas. Setecentos e vinte minutos para perder de vez minha vida.
Já em meu quarto, deitei-me em minha cama. Enterrei a cabeça no travesseiro agarrando o pedaço de renda dela que estava embaixo. Não me movi por algumas horas. Minha familia me deixou em paz permitindo que eu pensasse. Por volta das sete da manhã eu sabia o que faria.
Tudo isso começou por eu não saber respeitar as decisões que ela estava tomando. E agora eu estava condenado a uma noite escura. Lembro-me quando nos conhecemos, sua obstinação em descobrir o que eu era e então a aceitação tranquila do monstro em mim. Ela ponderou por três dias sua decisão. Ela sabia o que estava fazendo. Eu, mesmo sendo uma criatura egoísta não podia lutar contra suas vontades. Eu não vou impedí-la. Quem ama deixa ir. Eu deixaria que ela fosse.
Durante muito tempo eu desejei uma forma de mantê-la segura. Longe do meu mundo distorcido. Hoje eu consegui meu desejo. Ela estaria segura além do sobrenatural. Melhor assim. Minha infelicidade era o preço que eu pagaria de bom grado para que ela seguisse em frente.
Ouvi Alice pragejar ao longe. Não dei importância.
Peguei meu celular marcando o número que queria. O sinal sonoro tocou duas vezes antes da voz pastosa e trêmula atender.
“Sr Cullen. Que prazer. O que posso fazer pelo senhor?”
“Jenks. Tenho um trabalho pra você. É urgente. Espero não me decepcionar como da última vez.”
Nota da Autora:
* Lei de Murphy: Lei de Murphy é um adágio popular da cultura ocidental que afirma: "Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará" ou "Se há mais de uma maneira de se executar uma tarefa ou trabalho, e se uma dessas maneiras resultar em catástrofe ou em consequências indesejáveis, certamente essa será a maneira escolhida por alguém para executá-la".
* O Seattle-Tacoma International Airport também conhecido como Aeroporto Sea-Tac ou Sea-Tac é um aeroporto americano localizado em Seattle, Washington. Serve Seattle e Tacoma, Washington, assim como o resto do western Washington. O aeroporto tem destinos em toda a América do Norte, Europa, Oriente Médio e Ásia Oriental.
Fonte: Wikipedia

IrmandadeRobsten

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