quarta-feira, 5 de setembro de 2012

FanFic 'Dark Queen' – Capítulo 07 – Tudo Novo de Novo


Vocês me surpreenderam no último capítulo com tantos comentários amáveis. Obrigada de coração.
Agora mais uma vez com Bella. 
Vamos ver como ela se sai sozinha em um lugar totalmente novo. 
Divirtam-se!!!
Dark Queen
7
Tudo Novo de Novo
***
Lost In The Echo / Perdido No Eco
In these promises broken / Nestas promessas quebradas
Deep below / Lá no fundo
Each word gets lost in the echo / Cada palavra se perde no eco
So one last lie / Assim, uma última mentira
I can see through / Transparente
This time I finally let you / Desta vez, finalmente deixei você
Go / Ir
Linkin Park
***
Bella POV
A atmosfera na sala circular era sufocante. O cheiro de sangue velho e corpos em decomposição se misturavam com mofo e poeira. Abri mais meus olhos tentando enxergar na pouca luz que me cercava. Havia uma névoa estranha deixando tudo carragado e sombrio.
Um sussuro chamou minha atenção:
“Isabella. Você não tem sido uma boa menina.” A voz sibilante fez os pelos da minha nuca se arrepiarem e meu corpo começou a tremer. “Você quebrou sua promessa Isabella, agora eles vão pagar por seus erros.”
Virei-me buscando uma saída e havia olhos vermelhos por todos os lados me encarando. Minhas pernas estavam presas e eu não conseguia correr.
“Olhe pra mim, enquanto eu falo cara mia*.” Lentamente localizei o vulto no meio do salão. Alice estava de joelhos e Felix tinha seu pescoço nas mãos. Aro tinha um braço levantado e sorria como se estivéssemos em um passeio numa tarde de sábado. Um pouco atrás Caius e Marcus me olhavam com olhos injetados e horripilantes. Próximo aos tronos os Cullen faziam uma fila indiana aguardando sua vez. Não havia expressão em seus rostos de anjo, apenas um vazio como se eles não estivessem vendo ou ouvindo. Abri minha boca para gritar, mas nada saiu, eu estava paralizada pelo terror.
Aro baixou a mão lentamente e Felix num torcer brusco arrancou a cabela de Alice a mostrando para mim.
“Você fugiu Isabella, então eles pagarão esta dívida em seu nome.”
O grito aterrorizante que saiu dos meus lábios me acordou, eu estava coberta de suor e o lençol enrrolado em minhas pernas me impedia de mexer. Eu ofegava por ar desesperada, a visão da cabeça arrancada de Alice ainda impressa no fundo das minhas pálpebras. A muito eu não sonhava com os Volture. Pensar neles me trouxe um arrepio na espinha e me levantei tentando acalmar a respiração. Fui ao frigobar no canto do quarto, próximo a grande janela e olhei a escuridão por trás das suaves cortinas brancas. Peguei uma garrafa d’água e bebi lentamente. O relógio digital no criado mudo marcava 02h52min. A noite seria longa, eu não conseguiria dormir novamente depois dessa.
A verdade afundou lentamente em mim enquanto eu me dava conta que agora eu estava sozinha. Ninguém a quem recorrer. Teria que crescer na marra. Teria que lutar contra o medo.
Sentei no loveseat pequeno empurrando a mala aberta para o chão e liguei a TV tentando não me sentir tão sozinha. Estavam reprisando um episódio de Arquivo X, revirei os olhos e mudei de canal para o de Culinária. Tudo que eu queria era um pouco de normalidade. O marcador mudava lentamente indicando os minutos. Meus olhos ardiam, mas eu não conseguia chorar. A saudade apertou no meu peito.
Olhei o quarto simples da pousada em que estava hospedada. O som do oceano ressoava ao longe tentando me embalar. A bolsa que Alice me derá estava no criado-mudo ao meu lado. Retirei as caixinhas de remédio e o papel que Carlisle me entregou antes do embarque. A caligrafia elegante do Dr. Cullen informava a dosagem e efeitos colaterais dos medicamentos indicados. Guardei tudo novamente e atirei a bolsa na cama. O dia amanhecia quando consegui cochilar. Acordei horas depois com um pescoço dolorido por estar torta no pequeno sofá. O sol brilhante demais entrava pela janela. Senti um aperto no peito. Almejei dias nublados e mais felizes. Corri para o banheiro querendo tomar um banho, mesmo estando próxima a faculdade eu iria me atrasar para a apresentação no Campus.
O0~0O
A Hawai'i Pacific University* era gigantesca, fiquei perdida em meio a tantos prédios e pessoas passando apressadas. Parecia o centro de uma cidade. Forks se perderia aqui dentro. Olhei o mapa que tinha baixado da internet e segui para a reitoria no prédio principal.
Peguei as informações com uns dos atendes, as aulas iriam começar um dia após o Labor Day* daqui a uma semana. Foi me entregue uma pasta com todas as informações e calendários de aulas. O programa que havia escolhido era intenso não me dando tempo para pensar, queria saber quando poderia me mudar para o alojamento dos estudantes, pois o dinheiro estava escasso para ficar gastando com hospedagem.
“O quarto no alojamento estará disponível a partir de qual data?” perguntei enquanto tentava guardar a pasta com informações acadêmicas que ele me dera dentro da minha velha mochila, sem sucesso.
O atendente parecia confuso. “Não consta reservas para o alojamento em seu nome.” Ele me informou remechendo em uma pilha de papeis.
“Eu tenho reserva, tenho certeza.” Disse já entrando em pânico. “Até o depósito inicial foi feito...”
“Aguarde um momento que vou verificar novamente nos registros.” Enquanto ele se sentava em um dos computadores por trás do balcão eu tentava parecer calma. Após alguns minutos ele retornou. “Sinto muito senhorita. Realmente não consta reserva em seu nome.”
“Tem que haver um engano, eu tenho o recibo eletrônico do banco aqui em algum lugar.” Tentei retirar os documentos da mochila e equilibrar a pasta ao mesmo tempo. Vindo de mim, com certeza tudo foi para o chão.
“Droga” Ajoelhei tentando juntar tudo que estava espalhado. Uma mão enorme apareceu em minha visão me entregando alguns papeis.
“Acho que isso é seu.” Era um garoto alto, quase tão alto quanto Jake. Talvez um e noventa e cinco ou mais. Ele tinha um rosto risonho e me lembrou de Emmett em sua enormidade com os cabelos cacheados em desalinho e covinhas. Ele parecia um surfista da Califórnia bronzeado e loiro. Bermudão colorido, camiseta e tênis Nike brancos que mais pareciam pequenas lanchas. Pisquei sem graça e baixei a cabeça.
“Obrigada.” Olhei para os papeis encontrando o recibo que procurava. “Aqui, eu disse que tinha um recibo do deposito.” O atendente me olhou desgostoso pegando o papel e voltando para o computador.
“Problemas com a matrícula?” O gigante perguntou displicente.
“Não, com o alojamento.” Informei sem ânimo.
O atendente retornou informando que não tinha nada registrado, me devolvendo o recibo. “Deve ter havido algum engano senhorita. Realmente não consta.”
“Que isso Brian, olha com carinho pra menina, não tem pressa. O refeitório não vai sair correndo.” O sorrisinho com covinhas era debochado.
O atendente, Brian... Olhou irritado para o gigante loiro ao meu lado.
“Eu olhei com carinho, não consta nada registrado.” Ele informou entre dentes cinicamente.
“Posso dar uma olhada?” Piscando pra mim o garoto foi passando por cima do balcão num salto e escorregando para o outro lado. “Eu costumava trabalhar aqui ano passado, ele me olhou por sobre os ombros. Ainda faço alguns bicos, cubro algumas folgas. Essas máquinas me adoram”. Ele foi logo pegando o mouse e iniciando a pesquisa. Brian se postou ao seu lado com os braços cruzados e uma carranca no rosto. Após cinco minutos eles começaram a discutir em voz baixa e apontavam para a tela e me olhavam por cima do monitor. Brian ficou meio sem jeito e coçando a nuca veio em minha direção.
“Houve um problema com os registros.” O menino parecia muito constrangido por não ter visto a informação antes. “Parece que uma pane apagou os formulários e sua inscrição para as vagas do alojamento estudantil não foi concluída. Tem certeza que não cancelou?”
Eu agarrava o balcão sem saber como proceder. “Claro que não cancelei, eu não tenho onde viver se não for no alojamento.” Alguma coisa tinha que dar errado... Já não bastava minha vida estar de cabeça pra baixo.
“Alguma outra vaga disponível? Qualquer lugar?” Tentei argumentar.
“Não, estou tentando ver o que aconteceu aqui, mas esta tudo uma confusão.” Respondeu o loiro ainda no computador. Os enormes dedos dele voavam sobre as teclas.
“Você pode alugar um apartamento.” Discorreu Brian me olhando com compaixão.
“Eu não tenho recursos pra isso, estou até tentando uma bolsa pro próximo semestre.”
O grandão se levantou e veio para junto do balcão. “Isabella não é?” Assenti.
“Olha Isabella, os alojamentos já estão lotados. Você tinha pegado uma das ultimas vagas. Tentei fazer uma nova reserva, mas provavelmente sairá apenas para o próximo semestre. Nos registros constam que você cancelou sua inscrição algumas horas depois de ter feito...” Eu o interrompi.
“Como assim eu cancelei... eu até fiz o depósito exigido. Isso é um pesadelo.” Eu estava a ponto de explodir. E agora onde eu iria viver, meus recursos eram a conta e Charlie já tinha feito um desfalque em sua aposentadoria para me ajudar. Eu não sabia como agir a partir daqui. Eu não queria ter que voltar pra Forks e enfrentar a bagunça que tinha deixado pra trás.
“Tem alguém com quem eu possa falar?” Eu tentaria qualquer coisa.
“Minha chefe Susan, mas ela está em pausa para o almoço.” Brian respondeu já olhando o cartaz pregado na porta de vidro ao lado que informava que a secretaria fechava das 12:00 às 13:30 para o intervalo. Já era uma da tarde e seu olhar me disse que eu estava atrapalhando seu almoço.
O outro menino pulou o balcão novamente e colocou uma plaquinha de fechado por cima do mesmo.
“Richard. Ele estendeu a mão direita em minha direção.” Eu apertei sua mão sem muita vontade.
“Não se preocupe Isabella, quando Susan voltar ela vai dar um jeito.” Ele piscou um sorriso de dentes brancos e perfeitos. Eu queria muito acreditar nisso.
“Você já conhece o campus?” Richard perguntou empurrando a porta aberta e fazendo sinal para eu passar. Eu o acompanhei balançando negativamente a cabeça.
“Vamos. Vou te mostrar todos os lugares interessantes e baratos, você vai gostar daqui.”
Saí do prédio ladeada por Brian e Richard, que conversavam animadamente sobre um jogo qualquer.
“Olha rapazes, acho que vou esperar pela tal de Susan aqui. Obrigada pela ajuda e pelas informações.” Eu estava me virando para ir em direção a um banco próximo.
“De jeito nenhum.” Richard respondeu. “Você já comeu hoje?”
Ele falava como se me conhecesse a anos. “Não, não tive tempo.” Aliás, de acordo como minhas contas a última vez que tinha comido foi no almoço com Alice e Carlisle no dia anterior.
“Então está decidido, você almoça conosco. Vou te apresentar a melhor cafeteria daqui.” Ele disse pegando minha mão e puxando atrás de si. Retirei minha mão da sua e enfiei no bolso do jeans, ajeitando a mochila com a outra só pra ter o que fazer. Ele me olhou por um segundo e depois deu de ombros.
“O caminho é pra lá,” apontou a direção. Brian nos aguardava pacientemente.
O lugar estava apinhado e barulhento, encontramos uma mesa disponível no canto afastado do refeitório onde deixei minha bolsa sendo guardada por um Brian não muito satisfeito por ter que ficar de vigia da mesa enquanto nos servíamos. A variedade de alimentos era enorme e algumas coisas pareciam realmente apetitosas. Meu estomago é que não estava lá muito feliz.
Coloquei uma Salada Ceasar na bandeja e peguei uma diet coke no grande refrigerador. Não estava com fome. Na bandeja de Richard havia uma variedade enorme de alimentos e me perguntei se ele conseguiria comer tudo aquilo. Ele acompanhou meu olhar e riu.
“Sou um atleta”. Disse dando de ombros e retirando a carteira do bolso para pagar. Quando estendi uma nota de 10 ao caixa, a atendente me informou que minha comida já estava paga. Marchei atrás do garoto inconformada.
“Você não precisava pagar pela minha comida. Estou quebrada, mas ainda posso pagar meu almoço. Afinal eu mal te conheço.” Sua risada soou alta e algumas cabeças viraram para olhar.
“Isso não é almoço.” Ele apontou a minha bandeja com desdém e se virando em direção a nossa mesa me ignorou.
Sentamos-nos e esperamos Brian voltar para começar a comer. Surpreendentemente, a conversa foi fácil e cheia de informações sobre os cursos, horários e funcionamento do campus.
Aprendi que Richard como eu tinha previsto era de Los Angeles. Já vivia no Havaí a quase dois anos e cursava Administração, mas sua maior paixão eram os computadores. Ele tinha uma bolsa como atleta e jogava basquete pela Universidade. Tenho um palpite que ele não precisava da bolsa de estudos por sua aparência e roupas de qualidade.
Brian também fazia Administração e era da turma de Richard. Ambos jogavam no mesmo time.
As duas da tarde voltamos para reitoria e Susan deu um olhar mal-humorado para Brian que estava atrasado. Ele se desculpou já indo em direção a duas moças que aguardavam.
Ela era uma nativa havaiana e sua pele bronzeada contrastava com o terninho salmão que vestia. Fiquei um pouco intimidada. Ela parecia tão eficiente.
Richard flertou mostrando suas covinhas e Susan parecia se deliciar com isso. Ele explicou o que houve e todas as verificações feitas. Ela balançava a cabeça fazendo seus cachos escuros tremerem levemente.
“Realmente houve um cancelamento hoje bem cedo. Há uma fila de espera longa e a vaga foi preenchida imediatamente. Para esse semestre é impossível.” Susan informou organizando alguns folhetos sobre o balcão.
“Existe algo que eu possa fazer para reverter essa situação? Isso foi um engano, eu não cancelei.” Entreguei a ela o recibo do banco. Depois de analisar o papel, ela o devolveu.
“Talvez aconteça de algum aluno desistir, mas você terá que aguardar até sexta-feira. Vamos ver o que acontece então. Caso não consigamos, o seu deposito será devolvido.” Ela sorriu para Richard ao invés de para mim.
Suspirei resignada. Ficaria na pousada até lá e se tudo desse realmente errado tomaria uma atitude. Não adiantava lutar contra o sistema.
Agradeci e rumei para o elevador. Quando cheguei ao térreo Richard me interceptou. Você esqueceu de deixar um telefone de contato. Ele estava um pouco ofegante por ter decido os dois lances de escada atrás de mim.
“Humm, eu não tenho um celular.” Falei sem jeito.
“Ajuda se você informar o nome do hotel que está hospedada. Garanto que se surgir alguma novidade eles vão entrar em contato.”
Abri minha mochila a procura de uma caneta e um pedaço de papel para anotar as informações. O fecho ficou preso, na pressa em tentar puxar acabei derrubando o conteudo todo novamente no chão. Richard riu alto. Você parece a minha irmã, um desastre ambulante. Ele se abaixou e pegou os papeis e a pasta que estavam espalhados. Eu olhei pra ele atordoada. Ele era tão bobo. Fiz cara feia e peguei a caneta anotando o nome da pousada em um rascunho. Entreguei pra ele.
“Isso fica perto daqui, quer que eu te acompanhe? Posso servir de guia turístico.”
“Não precisa, já tomei muito seu tempo. Eu posso me virar.” Sai andando rápido.
“Você é bem difícil em? Eu só quero ajudar.” Ele andava de frente pra mim e de costas para o caminho, trombando em um homem no processo.
Sacudi a cabeça em negação. “Ok, vamos lá. Você é tã insistente.” Ralhei.
Tomamos o caminho para a pousada e ele foi tagarelando todo o caminho e apontando os ‘pontos turisticos’ para mim.
“Biblioteca, alojamento 1, alojamento 2, Cafeteria, refeitorios, Shopping, prédio de negócios. É aqui que eu estudo. Você está inscrita para qual curso?”
“Inglês, enfase em literatura comparada.” Ele sorriu, “Você tem cara de escritora. Tão séria.”
Já estavamos em frente à pousada. “Foi um prazer conhecê-la Isabella, espero que tudo se resolva e você possa ficar. Foi divertido.” Richard estendeu a enorme mão para mim. Seus olhos eram castanhos claros esverdeados e refletiam do sol de fim de tarde. Apanhei sua mão e balancei.
“Também espero.”
Fiu para o quarto desanimada. Teria que esperar dois dias até ter uma definição sobre as acomodoções.
Sentei no pequeno sofá perto da janela e peguei o telefone discando para Charlie. Tocou até cair na secretária eletronica.
“Ei pai, sou eu. Estou bem, cheguei viva e está dando tudo certo. Te ligo depois. Hummm. Então tá.” Até pra mim, minha voz parecia desanimada e monótona.
Acho que peguei no sono, acordei suando e com a cabeça doendo. Já passava das onze da noite. Tomei um banho e pedi um copo de leite para a copa. Tentei dormir sem sucesso novamente. A melancolia me tomou e me lembrei de Alice. Eu queria tanto que ela estivesse aqui. A solidão apertava meu peito.
Rolei na cama até altas horas. Acordei com meus gritos e sem ar. Volterra estava povoando meus pesadelos de novo.
Passei todo o dia perambulando pelas proximidades da pousada, erauma bela cidade, cheia de vida e luz. Clara demais, quente demais. Senti saudades de casa. Tentei comer um croassant em um pequeno café pelo caminho, não desceu muito bem.
Pelas sete da noite perguntei na recepção se tinha algum recado e a atendente prestativa informou que não. Estava ansiosa por causa das complicações com o alojamento. Amanhã era sexta feira, Doze horas para amanhecer e contando.
Charlie estava em casa quando liguei novamente. Falamos um pouco sobre assuntos variados, sobre o tempo e a minha nova cidade. Ele estava empolgado além da conta. Alguém tinha que estar feliz não é?
Hoje nem tentei dormir. Liguei a TV e fiquei passando os canais parando esporadicamente em algum programa interessante. As vezes quando começava a cochilar um calafrio percorria minha espinha e eu ficava alerta novamente. Assim como sonhamos que estamos caindo e o corpo todo entra em alerta. Eu estava exausta e irritada assim quando o dia amanheceu.
Fechei as cortinas e me preparei para ir a reitoria confrontar Susan. Enquanto desembaraçava os cabelos enrolada na toalha, o telefone tocou estridente quanse me derrubando da cadeira em que estava.
“Isabella Swan?”
“Sim, quem fala?”
“Aqui é Brian, lembra-se de mim?”
“Claro que lembro. Diga que têm boas noticias pra mim Brian. Estou desesperada aqui.” Falei torcendo o fio do aparelho.
“Você não vai acreditar. A administração reconheceu que houve um erro no cadastro e eles irão te ressarcir dos danos.” O sorriso na voz dele era inconfundível. Qu           ase sorri com ele. “Você pode comparecer a reitoria hoje?”
“Chego em meia hora.” Falei já pegando uma roupa qualquer na mala aberta em cima da cama.
“Ok. Procure por Susan, ela tem as informações.” Ele se despediu e desligou.
Coloquei um Jeans Skinny e uma blusa de malha qualquer, amarrando meu cabelo em um rabo de cavalo alto. Tentei calçar o converse enquanto pulava pelo quarto bagunçado a procura da mochila e pasta de documentos para levar. Claro que tropessei e no processo bati meu dedo mindinho na quina da mesa.
“Merda.” Meu dia tinha começado tão bem.
Caminhei apressadamente para a reitoria mancando um pouco por causa do dedo.
Encontrei um Richard sorridente me aguardando com um café em frente ao prédio.
“Bom dia Isabella. Como passou estes dias?” Ele me estedeu o café. Franzi a testa pegando o copo e cheirando. Eu detesto café puro. Tomei um gole por educação e comeceia caminhar em direção ao elevador.
“Bem obrigada. Como você sabia que eu vinha?”
“Brian”. Não era preciso saber mais nada.
Subimos e encontramos Susan que estava mais séria e eficiante que da última vez em um terninho bege e saltos altos.
“Bom dia Isabella, tenho ótimas notícias.” Ela parecia um pouco forçada.
“É bom saber.”
“Venha por aqui, por favor,” Ela me indicou o caminho em direção a uma porta envidraçada. A sala era pequena, mas bem decorada com arte local e cadeiras de couro escuro, sobre a mesa organizada uma placa onde se lia Susan Pualani. Assessora de apoio administrativo.
“Aconteceu um enorme engano Isabella, entendemos que isso trouxe transtornos para você. Em nome da faculdade gostaria de me desculpar.” Ela falava formal e profissionalmente. “Você será ressarcida e seu dinheiro já foi devolvido.”
Eu assenti um pouco confusa. Dinheiro devolvido?
“Então quando posso me mudar para o alojamento?” Perguntei.
“Como já havia informado, os alojamentos estão completos.” Eu interrompi.
“Então onde vou morar?”
Susan retirou um envelope pardo de dentro de uma gaveta e remecheu nos documentos dentro dele.
“A Hawai'i Pacific University, mantem alguns imóveis para casos extremos e nós te cederemos um enquanto você estiver estudando conosco.” Ela me entregou alguns papeis. “Não é nada muito grande, mas está em boa localização e de fácil acesso ao campus.”
Eu estava estupefata. A faculdade me cederia uma casa enquanto eu estudasse aqui sem me cobrar nada apenas porque erraram meu cadastro?
“Você tem certeza, uma casa?”
Susan arqueou a sobrancelha me encarando.
“Uma casa não é bem o nome. Está mais para uma habitação. E Nós cuidamos de nossa reputação Isabella, não queremos processos por problemas administrativos. As chaves e o endereço estão na secretaria com Brian. Basta assinar estes papeis e você pode se mudar hoje mesmo.” Ela falou em tom final.
Agora eu estava com medo de ver o que eles estavam me empurrando. E se fosse um casebre no meio do nada? Que furada.
Assinei os vários documentos que ele me empurrou. Levantei-me para sair e Susan me parou.
“De acordo com seu histórico você está inscrita para concorrer a uma de nossas bolsas para o próximo semestre não é mesmo?” Ela parecia desinteressada passando uma informação.
“Isso mesmo, quando enviei minha matrícula as bolsas de estudo já tinham sido distribuidas.”
“Uma Fundação ainda não distribuiu todas as bolsas para este ano, ainda faltam três, uma integral e duas parciais, para concorrer basta ter um curriculum impecável. Com excessão de cálculo, pude ver que você preenche os requisitos necessários para entrar na competição. Está interessada?”
Arregalei os olhos em descrença. “Claro, mas se minhas notas em calculo não são suficientes, como posso concorrer?”
“Seu curso de escolha é Inglês e Literatura não é? Ela continuou sem querer resposta. “Por isso. Suas notas são mais que satisfatórias. Tomei a liberdade de mandar seu nome para avaliação. Brian tem todas às informações. Qualquer dúvida o procure.” Ela abanou a mão para que eu saísse. Fui dispensada sem a menor cerimônia.
Já na secretaria foi me entregue as chaves da casa, mais uma tonelada de formulários para inscrição da bolsa de estudos. Eu estava um pouco cética em conseguir, mas não custava nada tentar. Seria um alívio não me preocupar com o dinheiro. Vinte e cinco mil dólares anuais não eram tão fáceis assim de conseguir.
Para variar Richard se ofereceu para me levar a dita casa. Aceitei, pois não fazia idéia de como chegar lá.
Na saída do prédio sentada nos degraus. Uma moça estava inconsolável. Ela chorava e se lamentava em um idioma que não detectei de início. Seus ombros se sacudiam e ela tentava enxugar as lágrimas que não paravam de cair.
“Desculpe,” Eu me aproximei. “Você precisa de alguma coisa? Está passando mal?”
Seu olhar molhado era de quem não entendia muito bem o que eu dizia. Repeti devagar.
Ela sacudiu a cabeça e resmungou:
Quella puttana cagna. Se metto le mie mani su di esso.... L'ammazzo.”
Olhei para o Rirchard em busca de ajuda. Ele como todo homem tinha medo de lágrimas. Covarde.
Ajudei a moça a se levantar e a levei a um dos banheiros no sagão do prédio. Lavando o rosto, em um inglês arrastado me agradeceu. Ela era linda. Até com os olhos vermelhos e rosto inchado sua beleza sobressaía. Olhos verde mar, pele morena e lindos cabelos castanhos. Ela me lembrou Rosalie em muitos aspéctos.
“De onde você é? Aconteceu alguma coisa? Eu posso te ajudar?” Tive pena dela.
Io sono di Italia.*” Me lembrei do idioma falado em Volterra. Estremeci.
Una puttana, desistiu de estudar e cancelou nosso alojamento. Agora não tenho para onde ir. Um problema nos papeis cancelou minha vaga.”
Suguei uma lufada de ar. “A faculdade não resolveu isso para você.?”
“Non. Eles disseram que sentiam muito mas não tem lugar pra mim.”
Como medo de perguntar eu a olhei. “Eles informaram o nome da aluna que desistiu?” Me encolhi por dentro.
“Non, mas ouvi o ragazzo que está com você conversar com o atendente. Foi uma tal de Isabella Swan. Cancelaram minha vaga por culpa dela. che stronza.*".
Tomei a decisão sem sequer pensar no que estava fazendo.
“Qual o seu nome?”
“Frascesca Albertini”. Ela soluçou.
Estendi minha mão. “Muito prazer Francesca. E sou Isabella Swan.” Tentei não tremer. “ Você já tem onde ficar. Não se preocupe mais.”
Ela me encarou com enormes olhos verdes e a boca em um ‘O’ perfeito.
“Vamos, vou te mostrar nosso lugar.”

Nota da Autora:
Bom, agora Bella não está mais sozinha certo? Tem uma companheira de quarto italiana e uma amigo surfista de LA. Vamos ver a nova casa de Bella no próximo capítulo. De agora para frente nos vamos dar alguns saltos no tempo pessoal. Edward tem que voltar logo pra história ou não terá graça não é?
A faculdade que Bella está existe mesmo. As fotos e dados descritos aqui são reias. Muita pesquisa está sendo feita para que tudo saia bem legal para vocês. 
Façam meu coração feliz. Cometem. Vocês são incríveis.
Alguém tem alguma teoria?

* Labor Day - O Labor Day, Dia do Trabalho é o feriado celebrado anualmente na primeira segunda-feira de setembro. Esta foi uma criação do movimento operário dedicada às conquistas dos trabalhadores no país
* A Hawai'i Pacific University (HPU) é uma universidade privada sem fins lucrativos, com aproximadamente 8.200 alunos. A HPU foi classificada como uma das universidades de maior diversidade cultural nos Estados Unidos, com alunos de todos os 50 estados dos EUA e de mais de 100 países. Fundada em 1965, a HPU se orgulha de seus fortes programas acadêmicos, turmas pequenas, atenção individual aos alunos, e um corpo docente e discente diverso. A HPU é reconhecida como uma das faculdades "Best in the West" (Melhor do Oeste) na Princeton Review e como "Best Buy" (Melhor Custo-Benefício ) na revista Barron's. A Bloomberg Businessweek também classifica a HPU como o “Melhor Retorno em Investimento em Cursos de Graduação” dentre todas as faculdades e universidades do Havaí. A HPU tem mais de 50 respeitados programas de graduação e 14 programas de pós-graduação de renome.
Expressões em Italiano
* cara mia = Minha querida
* Quella puttana cagna. Se metto le mie mani su di esso.... L'ammazzo. = Aquela puta desgraçada, se eu colocar minhas mãos nela.... Vou matá-la.
* Io sono di Italia. = Eu sou da Itália.
* ragazzo = Rapaz
* Che stronza = Aquela imbecil


 Até sábado!

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Um comentário:

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