sábado, 8 de setembro de 2012

FanFic 'Dark Queen' – Capítulo 08 – Entre Erros e Acertos





 Mais um capítulo da nossa novelinha noturna. 
Hoje vamos dar um pequeno salto no tempo e ver como Bella está levando a faculdade.
Corre lá no fim do capítulo para ver as imagens e ter uma idéias da aparência de tudo.
Linda noite de sábado pra vocês.
Dark Queen
8
Entre Erros e Acertos
***
You're the best / Você é o melhor
And yes I do regret / E sim eu realmente me arrependo
How I could let myself / Como eu pude me deixar
Let you go / Deixar você ir
Now, now the lesson's learned / Agora a lição está aprendida
I touched it I was burned / Eu toquei e me queimei
Oh I think you should know / Ah eu achava que você devia saber...

Cause when I'm with him / Porque quando eu estou com ele
I am thinking of you / Eu estou pensando em você
Thinking of you / Pensando em você
What you would do if / O que você faria se
You were the one / Você fosse o tal
Who was spending the night / Que estava passando a noite?
Oh I wish that I / Ah, eu queria que eu
Was looking into your eyes / Estivesse olhando nos seus olhos
Looking into your eyes / Olhando nos seus olhos
Looking into your eyes / Olhando nos seus olhos
Oh won't you walk through / Ah você não vai andar?
And bust in the door / E arrombar a porta e
And take me away / Me levar embora?
Oh no more mistakes / Ah, chega de erros
Cause in your eyes I'd like to stay / Porque nos seus olhos eu gostaria de ficar
Stay / Ficar

Katy Perry
***
BELLA POV
Viver com Fracesca não é exatamente um passeio no parque. Ela é escandalosa, prepotente e uma puta, em todos os sentidos. Ela veio a America para fazer qualquer coisa menos estudar. Tenho certeza que metade do quadro masculino do campus já passou por sua cama.
Doze meses de inferno. Todos a adoram, até Charlie quando veio para os feriados de fim de ano se apaixonou por ela. Ela sorri demais, fala alto demais, gesticula demais. Tudo nela é em excesso.
Acho que estou ficando louca. Richard ri cada vez que reclamo. Ele diz que somos lados opostos de uma mesma moeda. Lidamos com nossas dores de formas distintas.

Eu não tenho tempo para futilidades. Além do programa de trabalho voluntário na biblioteca da faculdade aos fins de semana, encaixo dois semestres em um. Tenhos aulas extras para adiantar minha formação e começo como redatora do jornal estudantil assim que as aulas tiverem início novamente. Estamos em recesso. Um novo ano letivo começa daqui a alguns dias.
A luz fraca do sol já dá sinal no horizonte, estou alerta e vestida com um copo de café forte na mão. É eu sei, eu detestava café. As coisas mudam. Pego minhas chaves e saio para o ar frio da madrugada. Deixo meu copo vazio sobre a mesa da varanda. Já sinto o efeito da cafeina em meu sistema. Hora de espurgar meus demônios. Correr é minha fulga.
A menos de 50 metros da minha porta o Oceno Pacífico se estende diante de mim negro por causa da noite. Como excessão do barulho tranquilizante das ondas e insetos noturnos, tudo é quieto e acalma meu coração conturbado. Tomo uma respiração profunda. Alongo-me. Braços, pernas, tronco. Inicio com uma caminhada rápida, em poucos minutos já estou correndo. É catártico. A certa altura sinto chegando à exaustão, meus músculos queimam e eu diminuo o rítmo. Já não caio tanto como quando comecei, meu equilíbrio está um pouco melhor. Paro olhando para o oceano agora em um verde escuro, sinto falta de Alice... Sinto falta dele... Sinto falta dos Cullen. Eu nunca escrevi para Alice. Ela deve ter previsto isso.
Meus olhos ardem e meu corpo começa a convulsionar. Esta é a forma que encontrei de tirá-los do meu sistema, o único momento do meu dia onde me permito lembrar, meus joelhos se dobram e eu caio na areia fina, sinto sua frieza em minha testa. A respiração vem em alças. Dou-me alguns minutos para extravasar minha dor sem lágrimas. Depois daqueles três dias fatais a um ano, eu nunca mais chorei. Preciso me levantar. Lentamente me ergo e retiro os grãos de areia do rosto e roupas. Retorno e volto a correr de volta pra casa. Já é dia quando chego e ouço o chuveiro ligado. Quem será quem está lá hoje? Brian, Paul, Bob, Peter... Nem quero saber. Talvez os quatro.
Entro no meu quarto e vou direto para o banheiro retirando as roupas suadas e jogando no cesto. Ele já está perigosamente cheio. Tomo um banho rápido e me troco. Recolho o cesto e levo pra lavanderia nos fundos da casa. Tudo é moderno e funcional. Estou um pouco mais acostumada com essa casa tão completa e parecida com a de meus vampiros. É pequena para seus padrões, mas tão elegante e bonita quanto. As enormes parede/janelas de frente para o mar não me deixam mentir. Coloco uma carga de roupas na máquina e volto para a cozinha.
Fran já esta sentada a mesa de roupão, tomando um café e lendo o jornal de domingo. Era ela no banheiro. Estranho... Cedo demais pros seus padões.
“*Buongiorno Isabella, vai sair?” Seu inglês é consideravelmente melhor que no ano passado.
“Mais tarde, tenho trabalho na biblioteca.” Ela revira os olhos e se levanta, coloca as mãos no meu ombro e me sacode.
“Isabella, il mio angelo, hoje é domingo. Dia de descansar, se divertir. Você só trabalha, trabalha, trabalha.” Ela faz gestos e me sacode novamente, “Vamos ao Kahala hoje, Venha conosco. Vai ser divertido.” Seu sorriso é irritante.
Ir a um Resort, ficar seminua e nadar o dia todo como um bando de garotos não é a minha ideia de diversão. Balanço a cabeça negativamente.
“Não posso, Maila me espera depois do almoço para o tour infantil. Temos 10 crianças hoje para a visitação. Não posso e não quero deixá-la na mão.” Ela dá de ombros.
“Quem perde é você.”
Essa foi fácil.
Maila é a bibliotecária chefe do meu departamento de Inglês, temos um programa de visitação para crianças e adolecentes da comunidade local todos os finais de semana. Eu não sou tão boa com crianças quanto sou com os livros, mas a atividade me ajuda a passar o tempo.
O forno acende a luz de alerta e Fran se levanta e retira algumas torradas com queijo e orégano colocando-as em um prato. Meu estomago revira com o cheiro. Como ela consegue comer isso a essa hora do dia é um mistério. Pego uma xícara de café na cafeteira e me sento na bancada com uma parte do jornal.
Um Richard muito risonho entra pela porta sem bater. “Bom dia senhoritas.” Ele beija o topo da minha cabeça ao passar. Pegando a caixa de suco de laranja na geladeira enche um copo e se senta a mesa com Fran se servindo de uma torrada.
“Ei, isso é meu. Stronzo*.” Ela bate na mão dele, mas está sorrindo como sempre.
“Está sozinha hoje? Isso é novidade. Pensei que Brian ia passar a noite.” Ele retira outra torrada do prato e pisca pra Fran.
“Você é tão rude rapaz. Sua mãe não te deu modos?” Se levantando ela pega o prato e a xicara e os lava na pia.
“Para sua informação eu não dormi sozinha, ele foi buscar o pessoal, vamos ao Kahala hoje. Quer ir?”
“Naa. Vou passar. O mar está perfeito hoje e quero surfar. Pra quê piscina com um oceano a minha disposição.”
“Vocês dois se merecem, tão solitários. Vou me trocar.” Fran sai da cozinha balançando os longos cabelos por sobre os ombros.
“Maila agendou visitas pra hoje?” Eu respondo com um humhum sem tirar os olhos do jornal.
“Ela te esplora você sabe. Ela passou meses tentando implementar esse projeto sem sucesso. Que estudante em sã consciência quer ficar de babá dos filhos dos outros nos fins de senama? So você.”
A máquina de lavar pára de trabalhar e me levanto para colocar outra carga. Quando estou passado Richard segura meu braço.
“Ei, não fique brava comigo Isabella, é só que às vezes penso que você trabalha demais. Quase não come, não dorme, e a sua agenda escolar é absurda. Você precisa desacelerar ou vai ter um treco. Preocupo-me com você.” Ele fez aquela carinha que derrete o coração da maioria das meninas, mas não o meu.
“Não se preocupe Rick, não combina com você. Eu vou ficar bem.” Soltando o braço vou estender minha roupa. Quando retorno a casa está vazia, ouço as vozes dos garotos na varanda.
Fran sai do quarto com uma micro-saia branca e um top vermelho. Seu cabelo emoldura seu lindo rosto perfeitamente. Lembro-me de Rosalie. Sacudo a cabeça para afastar o pensamento.
Ela sorri e vem em minha direção. “Tenha um lindo dia Isabella,” Beija meu rosto dos dois lados. Ela é assim, muito afetiva. Enerva-me tanto contato.
Depois de ajeitar a casa e guardar a roupa seca, pego meu livro na cabeceira da cama e me sento em frente a grande parede de vidro da sala, tento ler até a hora de sair. Minha mente está perturbada, Não consigo me concentrar. Hoje faz um ano que o vi pela última vez. Minha vida. Meu coração se quebra em mil pedaços. Não vá lá Isabella. Não vá lá.
O0 ~ 0O
Coloco meu capacete preto. Minha moto ruge para a vida, o barulho do motor é reconfortante. A casa que a faculdade me cedeu fica em um condominio fechado, distante uns vinte minutos de todos os lugares que preciso estar. Com a bolsa de estudos integral eu pude me dar ao luxo de comprar um transporte. Por sorte vi um anuncio no quadro de avisos da cafeteria oferecendo essa beleza. O preço foi irrisório, um formando riquinho queria se livrar dela, pois estava voltando pra casa e não queria levá-la. Bom pra mim.
Meu primeiro dia no jornal estudantil Kalamalama, um desafio. A reunião de pauta foi horrível. Em todos os lugares existen Laurens e Jéssicas. Aqui não seria diferente. Fiquei com a pior matéria. Falar sobre o setor de achados e perdidos da faculdade. Pelo menos e um assunto de utilidade pública.
Corro pra aula, acrescentei três matérias mais à minha grade. Teorias da comunicação, Jornalismo comunitário e Edição em jornalismo. Trabalhar no jornal me inspirou.
O0 ~ 0O
Inicio minha rotina matinal diária, sexta-feira, cinco da manhã. O dia está mais frio hoje, ligo a cafeteira elétrica enquanto visto meu agasalho, calço meus tênis de corrida e pego um copo de café na cozinha quando passo o deixando vazio na mesa da varanda.
Hoje estou pior que ontem, só dormi por duas horas. Aro Volture não veio me visitar e sim ele. É muito pior quando tenho sonhos ao invés de pesadelos. Sonhei com aquela maldita noite de humilhação. Noite em que descobri que ele não me queria. Amanhã é meu aniversário. Treze de Setembro, eu odeio essa data. Vinte anos literalmente aos tropeços pela vida. A sensação de vazio me toma. Acelero a corrida, pra variar meu pé pega um buraco na areia e eu caio. Meu joelho está sangrando, eu odeio meu sangue. O cheiro de ferrugem e sal me deixa tonta e me sento na areia pra acalmar meu estomago. Não dá, ele revira e eu corro depositando meu café misturado a bile numa folhagem próxima.
Espero o sol nascer sentada na praia deserta do condominio, ele não vem, o dia está nublado como a minha vida. Caminho de volta pra casa lentamente. Meu joelho doi.
Entro em casa mancando e Fran está separando a correspondência ainda de pijamas.
“O que significa isso Isabella?” Ela está emburrada balançando um envelope escrito PARABÉNS em letras garafais na mão. Meu humor não está bom. Ignoro e vou para o meu quarto. Retiro o agasalho, e ela entra sem bater.
“Hei? Privacidade já ouviu falar?” Atiro o agasalho na cama e vou para o banheiro pegar o Kit de primeiro socorros. Meu joelho está ardendo.
“Amanhã é seu aniversário e você não me contou?” Francesca magoada é novidade.
Não respondo, continuo limpando meu machucado que doi como uma cadela. Quando termino a encaro arqueando as sombrançelhas.
“E daí?”
“E daí que é um dia especial. Você tem que comemorar.” Ela é toda gestos e expressões.
“Eu detesto meu aniversário Francesca, não tenho nada que comemorar.” Dou finalidade.
Ela dá meia volta e eu entro no banheiro. Tomo banho lentamente tomando cuidado com meu joelho, visto o roupão branco e enrrolo uma toalha na cabeça. Quem sabe quando terminar ela já foi pra aula.
Tomo um susto quando entro no quarto e Francesca está calmamente sentada na poltrona próxima a janela. Suas longas pernas estão cruzadas e no seu colo um caixa de papelão cor de rosa decorada com pequeninas flores brancas na tampa.
“O que é Francesca, se eu não sair agora vou me atrasar.” Suspiro enxugando o cabelo.
“Sente-se Isabella, nos vamos conversar quer você queira ou não.” Seu tom é de desafio.
Vou até a porta e puxo, está trancada. “Como eu disse Isabella, nós vamos conversar. Você pode fazer isso do jeito fácil ou do jeito difícil. Pode escolher.” Eu não acredito nisso. Ela me trancou aqui com ela. Estou pasma.
“O que nós temos pra falar? Nós nem somos amigas...”.
“Exatamente, nós nem somos amigas.” Ela está exasperada, suas palavras tropeçam entre o inglês e o italiano. Extranhamente ela está comedida, sombria. Muito diferente do seu eu esfusiante e super feliz.
“Se você não quer falar, vai pelo menos me ouvir.” Eu reviro os olhos e começo a desembaraçar os cabelos.
“Como é possivel para uma pessoa viver com a outra na mesma casa por tanto tempo e mal se cumprimentarem? Você não fala com ninguém, não se relaciona. Em um ano inteiro eu nunca ví você sorrir. Está sempre irritada, mal humorda e infeliz. Isso não é normal Isabella. Essa depressão pode te matar” Reviro os olhos pela enésima vez.
Sento-me na cama de frente para ela e a encaro. Pela primeira vez em um ano eu realmente olho pra ela. Quem diria que Francesca Albertini era perceptiva.
“Vamos, continue. Estou ouvindo.” Abano a mão para que ela siga em frente, meu dia não poderia ficar pior mesmo.
“Eu gosto de você, sinto sua dor e gostaria de poder ajudar. Mas se você não fala comigo eu não sei como.” Ela dá uma pausa hesitando e pega a caixa com muito cuidado e me entrega.
Eu a olho interrogativamente. “Minha vida está dentro dessa caixa Isabella, tudo que eu fui até um ano atrás está ai dentro dessa pequena caixa. O que você vê todos os dias é alguém que eu criei para poder suportar viver comigo mesma.” Seus olhos estão marejados.
Levanto a tampa e a primeira coisa que vejo é um vestidinho branco com flores vermelhas borbadas na barra. É muito pequeno e parece novo apesar de amarelado pelo tempo, logo abaixo um par de sapatinhos de lã vermelhos. Ouço o soluço baixinho de Francesca mas não me atrevo a olhar pra cima.
Estendo o vestidinho na cama e coloco os sapatinhos ao lado, pego uma ultrassonografia onde se vê claramente um bebê formado com as mãozinhas no rosto.
“Sofri um aborto quando estava com sete meses de gestação, era uma menina. Coincidentemente ela se chamaria Isabella como você. Eu estava tão deprimida e centrada em mim mesma que não percebi que ela não estava bem. Tiveram que induzir o parto para retirá-la. Foi o pior momento da minha vida.” Suas lágrimas caem sem parar. Ela se lenvanta e vai até a janela. Agora chove abertamente. A chuva é bem vinda pra mim.
“Conheci Carlo quando tinha oito anos, ele veio estudar na minha escola. Ele era o menino mais lindo e irritante da minha turma. Ele me batia e puxava as minhas tranças. Roubava meu lanche e sempre que podia escondia as minhas coisas.” Um pequeno sorriso brinca no canto de seus lábios.
“O tempo foi passando e nos tornamos inseparáveis. Ele foi meu primeiro em tudo, aos doze o primeiro beijo, aos quatorzes o primeiro cigarro escondido dos pais, aos dezesseis o primeiro homem, aos dezessete o primeiro porre. Eu o amava mais que qualquer coisa. Ele era minha vida. Nosso único problema era sua familia.”
Ela suspirou e veio se sentar na cama ao meu lado. Pegou a caixa da minha mão e começou a retirar pequenas lembranças. Sua caixa se parecia muito com a que eu tinha deixado para trás em Forks. Fotos, papeis de chocolates, guardanapos com datas especiais.
“Venho de uma pequena cidade na Toscana chamada Pomarance, no meu país a politica é muito forte, e Carlo é filho do prefeito de minha cidade, sendo o único filho homem é natural que ele tome o lugar do pai. Donatelo Salvini não é só o prefeito, ele é dono da cidade, tem contatos escusos e é muito poderoso. Eu sou só uma camponesa, filha de comerciantes. Não que eu seja miserável, nada disso, meu pai possui várias lojas e é muito respeitado, mas isso nunca foi o suficiente para os Salvini. A mãe dele me odiava.”
“Quando fiz dezoito anos nos planejamos fugir. Ele tinha alguma reserva financeira e como todos os adolecentes achavamos que tínhamos o mundo nas mãos. Uns dias antes do planejado eu descobri que estava grávida, quando contei pra ele, ele surtou. Brigou comigo falou que a culpa era minha e que eu tinha estragado tudo. Todo o nosso futuro. Ele foi embora furioso. Eu não sabia o que fazer. Eu só sabia chorar. Fui pra casa e esperei. Um mês inteiro se passou sem que eu tivesse notícias dele. Tomei a decisão de ir procurá-lo em sua casa. Sua mãe me recebeu com toda arrogancia de primeira dama. Ela pediu que eu não difamasse o nome de Carlo e me informou que seu filho tinha ido embora para estudar em Londres. Estava sendo preparado para suceder o pai. Carlo sempre odiou política.”
“Ela me disse que ele contou tudo pra ela e que infelizmente eu teria que arcar com meus erros sozinha. Meu mundo acabou ali. Eu passei onze anos acreditando em alguém que achava que conhecia. Que me abandonou ao primeiro sinal de problemas.”
“Então, lá estava eu, sozinha e grávida numa cidade pequena. Foi um pandemônio quando minha barriga começou a aparecer. Meu pai e irmãos mais velhos pararam de falar comigo quando descobriram, pois tinha manchado o nome da familia. Minha mãe mal me olhava nos olhos, meus amigos que tinham crescido comigo se afastaram.” Ela deu uma pausa para recuperar o ar.
“Minha depressão era tão forte que parei de comer, não dormia e odiava o bebe que estava dentro de mim. Um dia minha irmã mais nova chegou e me entregou este vestidinho e os sapatinhos.” Ela pegou a roupinha com carinho e levou ao rosto.
“Ela é dois anos mais nova que eu, mas muito mais inteligente. Foi só ai que eu entendi que havia uma pessoa dentro de mim que dependia inteiramente das minhas decisões. Eu já estava com seis meses de gestação quando fiz minha primeira e única ultrasonografia.” Olhei a imagem que estava agora na cama juntamente com as outas coisas.
“Seu coração batia fraquinho e os médicos ficaram preocupados. Fiz milhares de exames e não descobriram o que era. Eu mal tinha me alimentado nestes meses que passaram e então ela estava abaixo do peso recomendado. Aos sete meses ela parou de se mover. Segundo os exames da autopsia ela tinha um problema congenito no coração. Todos falaram que não era culpa minha, mas eu sei que por causa da minha falta de cuidado nos primeiros meses de gravidez ela não resistiu. Eu matei meu bêbe porque era muito imatura e egoista para enxergar além do meu nariz.” Eu a olhava sem palavras, estava com a boca seca e meus olhos ardiam.
“Então Isabella, quero te dizer que não vale a pena. Seja ele quem for. Tenha te feito o que for. Não vale desperdiçar a sua vida por ele. Eu não sei o que te aconteceu nem o que você passou, mas conheço os sitômas. Você está em depressão e isso vai te matar ou machucar alguém próximo a você. Você precisa seguir em frente, por favor.” Ela suplicou com o rosto molhado pegando as minhas mãos nas dela.
“Depois que meu período de luto por minha bebezinha e meu amor perdido passou eu jurei a mim mesma que jamais entregaria meu coração a qualquer um. Eu sei que você me acha uma prostituta por levar a vida do jeito que eu levo. As vezes me sinto perdida e nem sei quem eu sou mais. Mas estou procurando meu caminho. A vida é curta para deixar passar. Somos humanos e um dia vamos morrer.”
O final de sua frase me dá um choque. Eu sou mortal. Vou passar e daqui a 500 anos meus vampiros só teram uma lembrança de mim. Eu serei pó. Terra. Nada. Ele irão continuar, eu não.
Minha respiração fica presa e eu começo a sufocar, preciso de ar. Meu corpo treme e me sacude. Tenho que sair dali. Eu não quero ser humana, eu não quero ser humana... EU NÃO QUERO SER HUMANA! Minha mente grita. Mas eu sou. E nada nem ninguém vai mudar isso. Fico a deriva e tudo escurece.
Acordo desorientada em minha cama e Richard segura minha mão com delicadeza. Francesca esta ao meu lado junto com uma mulher que reconheço como sendo uma das enfermeiras do ambulatorio da faculdade. Tento me levantar e sou impedida.
“Você precisa descansar senhorita.” A enfermeira tem um olhar irritado, mas complacente do rosto.
“Eu disse que você ia acabar tendo um treco não foi?” Richard alisa a minha mão por cima da minha cicatriz. “Quando foi que você comeu pela última vez? Você está tão fria, quer um cobertor?”
“Eu desmaio e você pensa em comida Rick. Muito original.” Tento fazer piada e puxo minha mão da dele. Minha cicatriz sempre foi mais fria que o resto do corpo. “Estou bem, posso ir pra aula?”
“De jeito nenhum!” Três vozes altas dizem ao mesmo tempo.
“Ookkk.” Eu falo lentamente me encolhendo.
“Bom eu preciso ir. Tenho prova daqui a pouco” Rick dá um aperto suave em minha mão. “Cuide-se linda. Alimente-a.” Ele aponta Fran que mostra a lingua pra ele.
A enfermeira me dá uma conversa de vitalidade. Repreende-me por estar abaixo do peso e com uma carga de trabalho maior que eu possa suportar. Pede que eu passe no ambulatório para uns exames de sangue. Nem pensar! Mas não digo isso em voz alta.
Todos saem do quarto, menos Francesca. Ela me olha engraçado. Como um falcão em busca da caça.
“O que?” Pergunto levantando da cama e ela me pára. “Só vou ao banheiro Fran. Deixe-me ir.” Resmungo.
“Não pense que não sei o que aconteceu Swan porque eu sei. Já tive milhares de ataques de pânico e tudo bem se você não quer falar comigo agora, mas um dia você vai ter que falar com alguém sobre isso.”
Sacudo a cabeça afirmativamente. Não há com quem falar, seja quem for que ouvisse minha história me chamaria de louca. Ás vezes me pergunto se foi real. Vampiros? Quem acreditaria?
Quando saio do banheiro, me troco, pois ainda estou de roupão. Vou para a cozinha em busca de água, e sou surpreendida por uma mesa de café da manhã de dar inveja. Meu estomago torce. Fran nota minha pele ficando verde e me ampara.
“Você se sente assim por que não come. Por favor, Isabella, tome café comigo. Faça um esforço.” Olho para essa mulher forte que eu não conhecia até umas horas atrás me empenho.
“Vou tentar.”
 O0 ~ 0O
E noite e pela primeira vez estou sentanda vendo TV com Fran. Estou inquieta, tenho tanto trabalho, não posso estar aqui assim sem fazer nada. Meu dia foi improdutivo e de cama como recomendou a enfermeira.
“Ele gosta de você.” Ela solta sem nenhum propósito.
“Hum?” Eu não entendo.
“Rick. Ele gosta de você. Devia dar uma chance a ele.”
“Francesca, não força.” Falo exasperada. “Ele não gosta de mim, sou apenas uma que ele não conseguiu levar pra cama.”
“Ele nunca transou comigo e olha que eu tentei.” Ela ri fazendo piada. Balanço a cabeça e atiro uma almofada nela.
“Você não tem jeito.” Nossa troca é amistosa. Sentia falta disso e nem tinha notado.
“Estou falando sério. Por que voce não dá uma chance pra ele. Amanhã eu o convidei para seu aniversário.” Antes que eu possa protestar ela me silencia. “Calma Swan não será uma festa, festa. Só uns amigos na praia aí em frente. Um mine lual.” Reviro os olhos.
“Eu te disse que detesto meu aniversário e você dá uma festa? Você é louca?”
O0 ~ 0O
Passeio por entre as pessoas com um copo de vinho na mão. Estou desconfortável em meu biquini branco novo e uma saida de praia preta que Fran me emprestou. Ela não estava brincando quando disse que seria um mine lual. São apenas umas quinze pessoas com as quais eu tenho mais contato. Os rapazes fizeram uma fogueira e alguém está tocando violão. Sento-me de frente pro mar em uma toalha e vejo o sol começar a se por, Rick me chama e me viro para olhá-lo, um reflexo bate em meus olhos me incomodando. Ele vem sorrindo em minha direção.
“Essas crianças estão brincando com espelhos novamente, o reflexo incomoda não é? Foi assim o dia todo. Está gostando da festa?” Ele parece um pouco inseguro. Agora vejo o que Francesca quis dizer. Realmente nunca ví Rick com ninguém. As mulheres se atiram nele como chuva, mas ele apenas flerta um pouco. Só isso. Deslumbra as pessoas. Meu coração dói. Não quero me lembrar de homens que deslumbram as mulheres.
“Sim. É legal.” Tomo um gole de vinho pra disfarçar o nó na garganta.
“Tenho um presente pra você.” Richard levanta e estende a mão pra mim. A pego já o repreendendo.
“Não precisava gastar comigo. Vocês já estão fazendo muito em se lembrar.”
“Mentirosa, se não fosse a Fran descobrir nós nunca saberíamos que é seu aniversário, Vinte em? Está velha.” Sim, ele tem razão. Agora sou velha para os meninos eternizados nos dezessete. Ele me puxa em direção a casa, sua mão enorme é quente na minha. A sensação é estranha, diferente. Quero retirá-la, mas me lembro do que Francesca falou ontem. Lembro-me da minha humanidade. Ele é humno como eu. Mortal.
Ao entrar no jardim avisto a varanda. Nela, um cacho de balões de gás amarrado junto ao parapeito de madeira escrito Happy Birthday* neles, por todo lugar há flores silvestres coloridas em pequenos vasos. É lindo e o cheiro delicioso. Já ví essas flores em algum lugar, mas não me lembro de onde.
“Uau! É lindo!” Toco nos balões os fazendo tremular. Apanho um dos vasos do chão e cheiro. Maravilhoso. Lembro-me do meu aniversário de dezoito anos. Meu coração doi. Sacudo a cabeça para espantar o sentimento. Levo o vaso para dentro comigo e coloco na mesinha da sala.
“São lindas mesmo. Como você.” Ele toca a ponta do meu nariz. “Vou buscar seu presente.” Sai me deixando sozinha. Estranho, achei que esse era meu presente.
Richard volta minutos depois com uma caixinha de CD. Suspiro. Tenho certeza que não são composições originais e nem canções de ninar.
“Vai, abre.” Rick parece nervoso.
“Obrigada.” Cuidadosamente puxo o papel, não quero me cortar. Mesmo se isso acontecesse não faria diferença agora. Ninguém tentaria me matar por causa de um pouco de sangue. Suspiro novamente.
O CD é de Norah Jones. Jazz e blues. Ele teria amado isso.
“Você gosta?” Seus olhos estão profundos e ansiosos.
“Claro. Adoro Norah.” Fico sem graça. Ele está muito intenso.
Ele retira o CD das minhas mãos e coloca no aparelho e o som preenche a sala.
“Vem. Dança comigo”. Me puxa para seu peito.
“Há! Engraçado. Eu não sei dançar.” Me esquivo. Ele me puxa novamente.
“Por favor, só um pouco. Só essa música.” Francesca está em meus pensamentos novamente. Dê uma chance...
“Só essa música.” Advirto. Ele me abraça e começamos a balançar lentamente. Lembro-me da última vez que dancei. É tão diferente agora. Tudo é muito diferente agora. Ouço a música tocando e sinto os lábios de Richard em meus cabelos. Ele acaricia minhas costas e me aperta mais contra sí. Norah canta pra nós.
~~ // ~~
Como uma flor esperando para desabrochar - Como uma lâmpada em um quarto escuro
Eu estou sentada aqui esperando você - Voltar para casa e me acender
Como um deserto esperando pela chuva - Como crianças da escola esperando pela primavera
Eu estou sentada aqui esperando você - Voltar para casa e me acender
Meu pobre coração está tão escuro desde que você se foi - Afinal, você é o único que me apaga.
Você é o único que pode me acender novamente
Meu hi-fi está esperando por um novo som - Meu copo esperando por alguns cubos de gelo
Eu estou sentada aqui esperando por você - voltar para casa e me acender
~~ // ~~
Eu me sinto tão oprimida. Este foi o ano mais difícil da minha vida e estou tão mal. Tão cansada de estar triste o tempo todo. De estar com raiva de tudo, de mim. Eu não quero mais me sentir assim. Eu quero estar viva novamente. Voltar a sentir alguma coisa que não seja só mágoa e tristeza.
Richard segura meu rosto delicadamente entre as mãos e me olha nos olhos. Acho que ele vai me beijar.

Nota da Autora:


Não me matem! Tenham paciência, por favor. Na próxima segunda vamos ver o que Edward tem feito.
A música que está tocando enquanto eles dançam é linda. Ouçam, pois ela é importante para a história nesse ponto. É um ponto de virada para Bella - É só clicar


Citações em italiano.
* Buongiorno = Bom dia
* il mio angelo = meu anjo
* Stronzo = Imbecil

Hoje temos muitas imagens para o capítulo. Click nas imagens para vê-las maior se desejar.
Como eu disse, a nova casa de Bella é uma surpresa. Condominio fechado, de frente pro mar e uma praia natural só dela para correr a vontade na areia.






 Pra quem ainda não adivinhou, as flores na varanda de Bella são frésias.



Vamos lá Pessoal. Comentem. Deixem recadinhos e sugestões. Ninguém imagina o que está acontecendo? Lembrando que é uma Fic de drama e acontecerão muitos desencontros e mal-entendidos até tudo se acertar. Mas esperem que nosso casal lindo vai se entender.
Beijos e até segunda.
Se você perdeu algum capítulo Click Aqui



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