domingo, 16 de setembro de 2012

FanFic 'Dark Queen' – Capítulo 11 – Afundando

Capítulo novo para alegrar nossa noite.
Obrigada a todos que deixaram recadinhos. Vocês são nota dez.
Apenas para lembrar.
Todo texto em Itálico se refere a pensamentos.
Começamos do ponto de vista do Edward, então vamos para a narrativa na terceira pessoa, e retornamos ao ponto de vista dele. Vocês vão entender o porquê disso.
Divirtão-se
Dark Queen
11
Afundando
***

Going Under / Afundando
I'm going under / Estou afundando
Drowning in you / Me afogando em você
I'm falling forever / Estou caindo para sempre
I've got to break through / Eu tenho que me libertar
I'm going under / Estou afundando

Blurring and stirring the truth and the lies / Manchadas e confusas a verdade e as mentiras
So I don't know what's real and what's not / Então eu não sei o que é verdade e o que não é
Always confusing the thoughts in my head / Sempre confundindo os pensamentos em minha cabeça
So I can't trust myself anymore / Portanto eu não posso mais confiar em mim
I'm dying again / Eu estou morrendo novamente

Evanescence
***
EDWARD POV
Saí do mar em Port Angeles dois dias depois de deixar o maldito Havaí. Não que eu precisasse levar tanto tempo para chegar a Forks nadando, mas protelei o máximo que pude. Eu não queria estar lá. Eu não estava em condições de estar perto de ninguém. O tempo dentro do oceano foi bom, a quietude, o silêncio, tudo isso me fez colocar as idéias em ordem. Minhas roupas não estavam em bom estado e meu cabelo havia ganhado uma fina camada de sal à medida que caminha em direção a Forks. Eu estava sujo e mal-cheiroso. Peixes e algas definitivamente não eram uma agradável combinação com minha pele. Eu sabia que Alice estava me esperando. Provavelmente viu quando decidi voltar por mar. A uns quinhentos metros da garagem de casa ela me interceptou. Sua abordagem foi uma suspresa. Ela não estava gritando como achei que fosse fazer. Seus pensamentos estavam contidos e sua expressão preocupada. Ela caminhou ao meu lado com a testa franzida e em passos humanos por alguns metros antes de começar.

“Você está horrível... devia ter vindo de avião, os sapatos que estava calçando eram italianos. Um desperdício.” De tudo que minha irmã poderia me acusar, ela estava reclamando por eu ter destruido alguns malditos sapatos. Brincadeira. Retirei uns fios de cabelos que cairam na minha testa tentando não transparecer minha irritação. Meus dedos ficaram pegajosos de sal e maresia. Continuei em silêncio.
“As meninas de Denalli estão vindo, chegam hoje à noite.” Sua voz não revelou, mas percebi certo desgosto em seus pensamentos. Era só o que faltava. Essa visita seria pra lá de inoportuna. Espero que Esme não espere que eu seja sociável a esta altura do campeonato. Não estou no clima.
“Jasper já providenciou novos documentos para você já que os que estavam na sua carteira foram arruinados e Emmett trouxe o seu carro de Seattle.” Assenti em reconhecimento ao que ela falava. Realmente tudo que estava em minha carteira devia estar enxarcado e ilegível. Não importa, Jasper é um ótimo falsificador. Pena Emmett ter buscado meu carro. Seria uma boa desculpa para fugir. Estávamos nos aproximando da linha do rio quando ela finalmente perguntou o que queria saber.
“O que mudou? Eu não vi nada além de sua decisão de voltar.” Sou voz não era mais que um fio e seu olhar baixo. “Pensei que fosse trazê”. Eu a cortei erguendo a mão, aumentando meu rítmo e saltando o rio. Chega disso por aqui. A vida segue.
“Edward... Edward!” Alice gritou da outra margem. “Não me ignore... Edward!” Escalei a lateral dos fundos da casa e saltei em direção à parede/janela do meu quarto. Eu não estou pronto para falar sobre nada disso. Minha mente estava em branco. Todos os lugares disponíveis da minha espaçosa mente estavam vazios. Fui direto para o banheiro tirar o cheiro horrendo que me cercava. Liguei a ducha no calor extremo e retirei as roupas duras de água do mar. Fiquei debaixo do jato até que a temperatura esfriou. Senti-me um pouco melhor sem o fedor de peixe.
Voltando ao quarto notei que ele estava exatamente como deixei a alguns dias. Esme provavelmente só retirou o pó, mas não mexeu em nada. Fui ao closed retirando uma antiga caixa de madeira trabalhada de tamanho medio que pertenceu a minha mãe Elisabeth e comecei o trabalho de desinfecção. Varri o quarto a uma velocidade alta até para mim. Tudo relacionado ao meu ‘passado’ foi colocado dentro da caixa. Eu queria nada mais que retirar de minha vista qualquer coisa que trouxesse a toma lembranças. Já basta minha memória perfeita. Sai do quarto em direção ao sótão e fui cortado por Carlisle.
“Como vai Edward.” Você pode pelo menos dizer olá a sua familia. Estávamos preocupados. Ele falava espelhando seus pensamentos. “O que aconteceu no Havaí filho? Ela não quis voltar com você?”
Parei de costas para ele e apertei a ponte do meu nariz sem me virar. “Olha Carlisle, sei que suas intenções são as melhores, mas eu realmente não estou pronto para falar sobre isso. Agradeceria se repassasse o recado aos demais.” Eu estava sendo um burro, mas não pude evitar. Eles queriam que eu fosse ao Havaí, eu fui, não deu certo. Então é melhor que eles me deixassem em paz. Já estou farto de ter que dar satisfação de cada passo que dou.
“Certo, não vou insistir. Quando estiver pronto eu estou aqui para você Edward.” Ele deu meia volta e se foi pelo corredor, no topo da escada se virou para mim novamente. “A propósito. Nossas primas estão chegando daqui a pouco, espero sua companhia em algum momento da visita.” Seja cordial. Carlisle completou em pensamento sem me dar chance de contestar. Uma ova que eu iria.
O0 ~ 0O
Dois dias depois.
A corça cinzenta não percebeu a presença da pequena criatura que a rondava do alto de uma árvore. O bote foi certeiro. Alice quebrou o pescoço do animal antes mesmo que ele sentisse o cheiro do predador no ar. Não houve dor. Os dentes mortais foram ágeis e imediatamente o sangue quente fluiu aplacando a sede ardente.
A visão veio do nada como sempre, ela não a estava procurando. Apenas chegou e a pegou desprevenida por seu impacto, sua força. A corça agora esquecida jazia a seus pés, meio drenada nas folhagens densas que forravam o chão da floresta.
Foi como se uma cortina se abrisse cortando ao meio o cenário real.
Bella
Mesmo a distância, Bella comandava ainda grande parte do destino dos Cullen. Se Bella se movia... Edward se movia e se Edward se movia... Bem, a familia se movia também.
A visão estava fragmentada, porém firme.
Bella estava voltando... Voltando pra casa.
O saguão do aeroporto parecial real o que diferenciava era que Alice além de assistir, estava em segundo plano ao lado de Edward e Esme.
O desembarque começou e o tumulto de pessoas saindo pelos portãos se uniu aos que aguardavam. Os Cullen estavam um pouco atrás apesar da ansiedade.
Bella foi uma das últimas a desembarcar e parou ficando na ponta dos pés, tentando espiar por cima da confusão ao redor da esteira de bagagens. Ela pegou a enorme mala e tentou sem sucesso equilibrá-la juntamente com a bagagem de mão.
Edward estava impaciente e só se continha por causa da mão restritiva de Esme em seu antebraço.
Quando Bella conseguiu passar pelas barreiras entre o embarque e desembarque, ela os viu.
Edward se desvencilhou de Esme e correu talvez um pouco rápido demais para os padrões humanos. Ele parou a centímetros dela sem a tocar.
Bella estava paralizada pelo choque e arfava sem fôlego. Minutos se passaram nessa troca silenciosa até que o choque foi quebrado, lágrimas rolaram pelo seu rosto e um sorriso extasiante enfeitou seus lábios ao mesmo tempo em que seus braços voaram para o pescoço de Edward. Ele a pegou e a rodopiou pelo ar beijando seu rosto, seus lábios, suas lágrimas.
A visão mudou para o banheiro de Alice enquanto uma Bella muito nervosa vestia um vestido de noiva deslumbrante... e mudou... Alice dançava com Jasper assistindo Edward valsar com Bella pelo salão... e mudou... Novamente o saguão do mesmo aeroporto, porém Edward corria a um rítmo humano rebocando Bella que gargalhava tentando não tropeçar em seus próprios pés...
O cheiro de maresia inundou o olfato aguçado de Alice enquanto assistia o casal banhado pelo luar consumando o mais antigo ato de amor supremo, se tornando um... O ambiente mudou para um quarto branco com plumas voando lentamente por todos os lugares, parecendo uma imagem eternizada em um globo de neve... Um passeio pela floresta tropical com passaros coloridos debandando em revoada à medida que Edward abria caminho através da ilha com Bella em suas costas... Bella com a mala aberta no banheiro de seu quarto nupcial com uma caixinha de absorvente nas mãos enquanto contava seu ciclo...
Alice ficou confusa... Tudo ficou turvo e desfocado como se sua visão perfeita do futuro ficasse borrada mas ainda lá, escondida... Subjetiva. E então aconteceu. 
Bella, imortal, olhos vermelhos e sorriso no rosto. Ela irrompeu a casa dos Cullen com... isso... o quê? Um bebê? Alice não conseguia ver o rosto, era irritante e excitante ao mesmo tempo. Como num sonho quando você vê a pessoa, mas não consegue enxergar quem é... Então tudo ficou claro. Edward desceu as escadas correndo pegando o pequeno borrão nos braços e o lançando no ar enquanto a familia se unia ao trio feliz... Um bebê.
Alice não visualizou o rosto completamente, mas percebeu os cachos avermelhados, exatamente no mesmo tom dos de Edward, a pele de alabastro perfeita, o som de sinos de vento enquanto a pequena criatura gargalhava por sobre o pescoço de Emmett. Pequeninos dentes branquinhos espalhando os lábios rosados enquanto ela sorria para Charlie o chamando de vovô, ele estava maravilhado. A voz perfeita de soprano gritando do primeiro andar para que sua tia Alice a visse em seu vestido novo. Bella chamando ao fundo... Renesmee... Renesmee... Renee... Esme.
Ao longe, Jasper sacudia a esposa já em desespero. Ela não voltava... Ela estava se perdendo na visão. Suas emoções em colapso.
“Alice, querida, por favor. Volte pra mim.” Ele não sabia como tirá-la do transe, como trazê-la de volta ao presente.
A pequena piscou várias vezes e respirava rápido como se precisasse de ar em seus pulmões petrificados.
“Renesmee.” Ela balbuciou incoerente se voltando para o marido. Ele a embalava suavemente agradecendo aos céus por tê-la de volta.
“Jasper, precisamos voltar pra casa agora.” Ela disse sorrindo sem se conter. Levantou-se limpando as roupas sujas de terra e sangue, registrando o fato no fundo do seu cérebro espaçoso.
Jasper estava atônito com a mudança de humor repentino. Como se ela fosse um interruptor, saindo do estado inerte e letargico para o agitado mundo das fadas.
Ela o rebocou numa corrida ritmada para casa enquanto ele sentia sua agitação e alegria. Era contagiante.
“Quem pensaria. Quem imaginaria ao menos a possibilidade. É perfeito.” Jasper apenas sorria tentado tirar sentido de tudo isso, enquanto voavam pela teia verde da mata.
Ela freiou repentinamente a alguns quilometros da grande casa branca, poucos metros antes que pudessem ser ouvidos.
“Eu não posso chegar assim. Isso é muito grande. Será desastroso contar isso a Edward sem um preparo prévio. Ele está muito deprimido para ver. Preciso de Carlisle.” Alice sabia por esperiência que suas visões eram subjetivas e inconstantes. Alguém decidiu algo e por isso esse fluxo de acontecmentos foi posto em movimento. Basta uma nova decisão e tudo muda novamente.
Jasper sentindo a inquietação de Alice a abraçou ternamente. Ele já estava acostumado as incoerencias da esposa. Sessenta anos juntos o ensinara que ela contaria tudo a ele quando estivesse pronta.
O treinamento no exercito tanto humano quanto imortal o havia doutrinado a ter paciencia e perceverança. Isso devia ser mesmo grande. Havia uma alegria e agitação profundas borbulhando na esposa que era mais que excitante.
Eles se olharam profundamente sorrindo feito bobos um para o outro. Sem se conter ele a beijou profundamente se deixando levar pelo tumulto de emoção que o cercava.
“Hey Babe, calma.” Ela o parou delicadamente. “É intenso não?” Jasper gargalhou e segurou a mão da esposa.
“Vamos lá minha senhora, vamos contar essa novidade a familia.” Retomaram o trote ritmado um pouco mais rápido que antes.
“Bella está voltando.” Ela cantarolou. “Isso vai tirar Edward do quarto, eu garanto.”
Jasper franziu o cenho. Edward o preocupava. Seus sentimentos estavam todos emaranhados e confusos. Uma raiva e auto-ódio permeava cada emoção escondida. Ele era uma verdadeira caldeira prestes a explodir. Nem mesmo o auto-despreso que ele sentia antes de voltar do Havaí era tão noscivo como as emoções agora presentes.
Jasper havia alertado Carlisle sobre todos esses fatos. O Patriarca tentou por diversas vezes argumentar com o filho mais velho, sem sucesso.
Edward culpava a familia por incentivá-lo a ir a procura de Bella. Algo de muito sério aconteceu naquela ilha e Edward se recusava a se abrir com eles em busca de ajuda.
Se Bella estava voltando mesmo, era um bom sinal, nem tudo estava perdido. Ao recordar o cheiro da humana sua garganta coçou. Ele suspirou de saudade do gosto do alimento a muito abafado em sua mente.
--//--
Mesmo a porta de entrada eles perceberam o clima tenso no ar. Estavam fora a apenas dois dias e a mudança de atmosfera era consideravel.
Rosalie descia as escadas lentamente de braços cruzados ao lado de Kate. Quando avistou Alice ela atirou sem pestanejar.
“Ele deixou Tanya entrar, pode?” Ela suspirou de desgosto.
“Esme tentou, Emmett tentou, até Carlisle ele ignorou, mas Tanya pôde entrar.” A loura bufou.
Alice estava pasma. A essa altura achou que as irmãs Denalli já teriam partido. “A quanto tempo eles estão lá?” Perguntou temendo a resposta.”
“Vinte e duas horas e treze minutos.” Emmett respondeu. “Eles não estão falando nada, no entanto.” Completou descendo as escadas e se sentando com as duas mulheres no grande sofá branco. O gigante ligou a TV no canal ESPN* e fingiu assistir ao jogo de basebol da segunda divisão que estava sendo transmitido. Jasper se sentou com eles e comentou sobre o placar com o irmão.
Alice deixou a sala em busca do pai o encontrando em seu studio. Ela bateu suavemente e abriu a porta um pouco para espiar lá dentro.
Ele estava de costas com as mãos para trás em profunda concentração. Olhava pela grande janela para o jardim ond Esme trabalhava em alguns vasos de tulipas. Alice o enlaçou pela cintura, deitando a cabeça em seu braço com um pequeno sorriso nos lábios.
“Tive uma visão.” Ela disse baixinho segurando os pensamentos juntos para que Edward não os notasse. Ela não queria revelar nada com Tanya ainda na casa. Elas não eram muito chegadas, mas sabia que a noticia da volta de Bella traria certo desconforto para a prima, dado o seu interesse em Edward.
Carlisle contemplou a filha caçula por um momento sentindo sua vibe e percebendo que havia algo de sério ali. Ele retirou a mão de Alice de sua cintura delicadamente a beijando no processo.
“Venha, vamos caminhar.”
Abrindo a janela, eles saltaram para o jardim onde beijou a esposa no rosto ao passar informando que iriam dar uma caminhada.
O humor de Esme era sombrio. Ela não estava satisfeita com a insistência de Tanya para com Edward. Ele pertencia a Bella. Isso mesmo. Pertencia. Assim como ela pertencia a Carlisle e vice-versa, seu filho mais velho havia encontrado seu destino, seu lar.
Lar. Era esse o conceito que Esme tinha dos companheiros imortais.
Conforto, confiabilidade, segurança. Não eram esses sinônimos de lar?
Tânya jamais ofereceria isso a Edward, dadas às circunstâncias. Ele já estava comprometido em seu coração e esse fato definitivamente não mudaria. Era um compromisso eterno.
Ao sentir o toque de seu marido em seu rosto, ela se sentiu mais em paz, mas não o suficiente, lançava de tempos em tempos olhares angustiados em direção a janela de Edward no terceiro andar. Apesar do silêncio do local, Esme sabia o que estava acontecendo. Tanya quando queria tinha um poder devastador. Seu filho estava debilitado emocionalmente. Essa combinação era perigosa.
Carlisle e Alice já estavam distantes o suficiente da casa quando alcançaram as margens de um riacho. A menina se sentou em uma pedra alta enquanto Carlisle retirava os sapatos e meias e enrolava as calças nos tornozelos. Ele colocou os pés pálidos na água gelada. Parecia tão jovem, despreocupado, caminhando as margens do riacho com as mãos nos bolsos sentindo a força da correnteza através de seus dedos. Alice sabia bem o peso sobre os ombros dos 388 anos de imortalidade. O cansaço que o corpo imortal não refletia podia por vezes ser vistos nos olhos. As dores não esternadas com lágrimas.
Ela não se lembrava de sua vida como humana, sua familia, pais e irmãos. Isso era bom, visto que essa mesma familia a havia jogado em um sanatório. A pequena sentiu uma ternura indizível por seu suposto pai. Ele seria tão feliz ao saber o que estava por vir. Um bebê. Esperança de futuro. Mudanças onde tudo era imutável.
“Bella está voltando.” Ela disparou sem aviso.
O belo homem parou de súbito. “Quando?” Perguntou saindo da água e se sentando ao lado da filha.
“Não sei. Estava imprevisto. Será breve. Uma decisão foi tomada. Há mais, muito mais.” Ela sorriu brilhantemente e ao longo dos próximos vinte minutos ela discorreu detalhadamente a visão enorme que havia tido.
“Renesmee.” Ele divagou boquiaberto. “Será mesmo possível?” Seus olhos de topázio estavam iluminados com uma rara intensidade. As possibilidades eram infinitas.
“Como? Isso soa tão improvável, digo, fisicamente... como...?”
Alice o olhou arqueando as sombrancelhas perfeitas.
“Como Carlisle, quer mesmo que eu descreva como um homem e uma mulher fabricam um bebê?”
Ele soltou uma gargalhada feliz. “Não, não é necessário. Mas é justamente disso que estou falando.” Carlisle pausou. “Não somos homens Alice, não no sentido humano.” Ele pensou por um instante. “Pelo visto somos mais compatíveis do que eu imaginava.” Divagou pegando uma pedra e jogando no rio.
Você pretende dizer ao Edward? Digo, você compreende que isso é muito grande e quer queiramos ou não suas visões podem não se completar.”
“Eu sei pai.” Alice disse esfregando as mãos no rosto e descendo da pedra num salto gracioso.
“ Por isso vim pedir sua opinião. Eu não acho que eles, tanto Bella, quanto Edward estão preparados para saber.”
“Vamos racionalizar Alice, se a visão veio, uma decisão foi tomada. Sabe de quem partiu?”
“Provavelmente de Bella, Edward está estático desde que ela foi para o Havaí. Porém o destino deles é tão entrelaçado que qualque mínima decisão da parte de um, afeta enormemente o outro.”
Carlisle suspirou “Bem, então está decidido. Vamos guardar isso por um pouco conosco e ver como o futuro desenrola sem nossa interferencia.”
Quem sabe em algum tempo teremos uma pequena correndo pela casa em? Esme será tão feliz.”
A conversa transcorreu tranquilamente por mais algumas horas. Carlisle queria saber dos mínimos detalhes, eles divagavam sobre as possibilidades versus a visão de Alice.
Falaram de Tanya e sua insistência para com Edward. Isso não agradava a ambos.
Falaram de Bella e o quão estavam animados por sua volta. Sua transformação e como isso ocorreria.
Principalmente sobre os ânimos de Edward. O que será que tinha ocorrido no Havaí para que ele voltasse tão estranho e raivoso.
Isso passará, está firmado em pedra. Bella será uma de nós. Irrevogável.
A pequena contou a visão insistente da amiga na clareira gelada com Edward. De todas as suas visões de futuro, essa foi uma das poucas que nunca mudou. Era clara como cristal. Eles chegaram a conclusão que isso era atribuido ao amor dos dois que também era imutável.
Pai e filha voltaram para casa bem mais relaxados, brincando um com o outro.
Jasper lia um livro sentado em sua poltrona preferida, quando sentiu sua esposa se aproximando da casa com Carlisle. Havia agora certo ‘Quê’ de esperança irradiando de ambos. As notícias deviam ser realmente boas.
Ela entrou bailando pelo quarto espaçoso carregando uma tulipa de um dos vasos de Esme. Ela estava linda. Nada se comparava ao conforto de sua presença para ele. Seu coração se encheu de ternura ao vê-la se preparando para o banho. Cogitou se juntar a ela.
A menina piscou pra ele e estrou no banheiro fechando a porta atrás de sí.
Jasper sentiu a mudança na atmosfera no quarto de Edward juntamente com o grito de sua esposa.
Ela se atirou para fora do closed como uma flexa.
“Não... Não... Não... Ele não pode. Não pode.” Ela gritava sem fôlego.
“Carlisle, Carlisle.” Ela disparou pelo corredor em direção a porta do quarto do médico que também ouviu os sons vindo do quarto do filho mais velho.
“Está sumindo Carlisle,” Ela se atirou nos braços do pai soluçando. “O que ele está fazendo. Tudo sumiu.”
“A escolha é dele filha. Sempre dele querida. Não podemos mudar nada.”
Alice gritava e se debatia. Foi preciso a interferencia de Jasper para acalmá-la. Carlisle a impediu de invadir o quarto de Edward e arrastar Tanya de lá, mesmo querendo ele mesmo fazer isso.
“Pai.” Ela soluçava. “Bella, Renesmee, está tudo desaparecendo. Não deixe.”
A intensidade das emoções da casa eram avassaladoras para Jasper. Tudo estava mudando naquele minuto.
O0 ~ 0O
EDWARD POV
Estou à deriva. Torpor e um leve zumbido em meus ouvidos. A sensação de leveza no corpo e um gosto doce na boca. Respiro fundo e percebo primeiro o cheiro forte a meu lado. Rosas e um leve toque cítrico, enjoativo. Tanya.
--//--
Ela ficou a porta do meu quarto por duas horas antes que eu permitisse que entrasse. Ela sabe com ser perseverante. A princípio nada falou. Apenas se deitou ao meu lado na grande cama. Ficamos assim por horas, olhando o teto. Na sua mente coisas aleatórias. Compras, Carmem que estava preocupada com um novo vizinho que os estavam observando demais. Reparos a serem feitos na casa. A viagem que ela pretendia fazer a Europa tomou a maior parte de seus pensamentos. Seria um tour completo. Seu coração sentia falta da Rússia, dos campos gelados. Algum tempo depois ela se virou para meu lado e ficou me encarando. Eu me via de olhos fechados sendo refletido em sua mente. Ela deu um meio sorriso e fotos de nós em Denalli a décadas atrás começaram a pipocar em sua mente. Uma guerra de bolas de neve, caçadas, noites com foqueira. Você era mais divertido naquela época. Ela pensou. Dei de ombros sem abrir os olhos.
Sentindo minha abertura ela desfiou uma conversa leve e sem pretensão, sem se importar com minhas respostas monossilábicas. Com o passar das horas me senti menos pressionado.
Em um dado momento sua mão tocou a minha e a atmosfera do quarto mudou. Eu conhecia essa sensação. Nunca permiti que Tanya usasse seus poderes diretamente sobre mim, mas sabia como funcionava.
“Eu não vou fazer sexo com você Tanya.” Falei pela primeira vez. Ela sorriu e em seus pensamentos me retrucou.
Você não precisa fazer sexo comigo Eddie, basta permitir que eu faça você se sentir melhor. Nunca te vi assim, tão chateado. Reservado sim, mas tão introspectivo e triste... Isso não pode ser bom. Você precisa voltar a viver. Novos ares, novas pessoas. Esqueça o que passou. Deixe-me te fazer feliz.
Seu jeito era sensual e cativante.
Enquanto ela falava seus dedos pastavam levemente meu braço direito e como o tempo, vendo que eu não a rechacei como sempre, ela se aconchegou mais junto ao meu corpo. O peso de seu dom estava sendo descarregado em mim. A Succubus* estava assumindo rapidamente o controle.
Ao longe eu ouvi gritos e pensamentos alvoroçados. Alice. Ela estava gritando e lutando. Não importa, não quero ouvir. Eu estava cansado de nadar contra a corrente. Abri os olhos e encarei Tânya. Seus olhos dourados eram risonhos e cheios de luxuria. Sua mão passeou pelo meu peito e viajou para o sul desabotoando meu jeans. Lembrei-me da cena de alguns dias atrás no Havaí. Minha vida já não fazia sentido. Que se dane o resto. A puxei pra junto de mim. Eu tentei me concentrar. Não deu. Tudo estava errado. O cheiro, o gosto, a textura, a pele. Nada certo. Nada igual. Não é possivel. Eu não consigo.
Ela não desistiu.
Tudo bem Eddie, deixa que eu tome conta de tudo, apenas me deixe entrar.
Sua mente estava resolvida. Tanya jogou suas longas pernas sobre mim, me montando, suas mãos espalmadas sobre meu peito. A massa de cabelos brilhantes louro avermelhados ao lado em seu ombro.
Relaxe e aproveite. Isso será inesquecível.
O0 ~ 0O
Tanya estava deitada ao meu lado com cara de gato que comeu o canário. Ele passou décadas me assediando e agora estava satisfeita com a rachadura em minha armadura. Não que eu me arrependesse do que aconteceu aqui. Mas meu estômago estava estranho. Uma sensação de vazio, revolta. Não quero me sentir assim. Vozes no andar debaixo chamaram minha atenção que estava desfocada, tudo começou a voltar a mim. Inclusive meus sentidos nublados pelo orgasmo. Eu me sentia um colegial que acabara de deixar uma garota aleatória lhe dar um boquete na parte de trás do vestiário. Tentei me levantar, minhas pernas estavam bambas. Tanya riu.
“Calma Eddie, foi de tremer as bases não foi?” Ela falou com um sorriso debochado nos lábios.
“Você não presta Tanya, isso não tem graça. E eu odeio que me chamem de Eddie.”
“Ok Eddie.” Ela piscou.
Sacudi a cabeça e fui me limpar. A sensação de asco e vergonha estava tomando conta. Não. É minha vida e eu vou levá-la como quiser. Empurrei os sentimentos para o fundo de minha mente.
Permiti-me ouvir os pensamentos de minha familia que estavam espalhados pela casa. Apenas Emmett no studio da familia e Carlisle e Esme em seu quarto. Rosalie havia saído com Kate e os demais. Menos mal.
Todos eram reprovadores em algum grau. Variando de Emmett mais brando a Carlisle colérico. Foi minha decisão, eles não tem nada com isso.
Entrei no quarto abotoando a camisa e Tanya estava mais composta, ela vasculhava minha coleção de CDs. Ao ver-me ela sorriu e se sentou no sofá preto.
“Melhor?”
Sacudi a cabeça sem encará-la. Precisava dar uma volta. Peguei a jaqueta preta que estava pendurada na cadeira, minha carteira nova com meus documentos e cartões e as chaves do volvo.
“Vai sair?” Ela arquou as sombrancelhas.
“Sim, preciso dar uma volta.”
“Posso ir.” Parei de costas para ela vestindo a jaqueta.
“Olha Tan, você foi muito legal e gentil, mas...” Fui interrompido pelos gritos de Alice no primeiro andar.
“Covarde... Você é um covarde Edward Cullen. Desça aqui e me encare. Você estragou tudo.” Ela soluçava e gritava, em sua mente imagens fortuitas do que supus fosse mais uma de suas visões.
“Mas que diabos.” Saí do quarto em disparada, descendo as escadas como um raio e a confrontei.
“Chega Alice. Cale a boca, não se meta em minha vida. Sempre que você faz isso algo se quebra.” Eu gritei de volta.
O pandemônio foi armado. Carlisle colocou as mãos no meu peito e me segurou. Alice rosnava pra mim por trás de Jasper que tentava contê-la.
Emmett desceu as escadas correndo e se postou ao lado de Carlisle. Esme estava próxima a entrada da cozinha com as mãos na boca pelo choque.
“Seu burro, você nem sequer tentou, você não falou com ela. Nem sabe o que aconteceu. Seu covarde. Bella deveria estar aqui agora, Ela deveria estar naquele quarto. Você destruiu tudo.”
Os gritos associados às imagens em sua cabeça me fizeram perder o controle de vez. Eu não quero mais ouvir esse nome. Eu não quero mais ver essas imagens. Eu não quero mais essas lembranças. Empurrei os braços que me seguravam e avancei em direção a pequena criatura a minha frente. Os olhos ferozes de Jasper cairam sobre mim e ele atacou.
“Que isso Bro, pára. Você vai machuca-la, é Alice cara.” Emmett se postou como uma montanha entre mim e Jasper.
“Fique fora disso Emmett. Você não quer se envolver. Cuide de sua vida.” Eu gritava e rosnava, veneno escorria de minha boca.
“Estou cuidando cara, você está além dos limites aqui.” Ele tentou me segurar mais fui mais rápido passando por ele, mas encontrando Jasper para me bloquear.
Alice continuava a enviar imagens confusas misturadas com lembranças antigas parando em sua última visão dela com imortal. Minha visão se nublou, tudo ficou vermelho e um gosto metálico tomou conta de minha lingua. Já não era mais eu, era o animal em mim que estava alí.
Saltei para trás pegando o grande sofá branco e atirando em Emmett. Ele fintou para o lado se desviando, Jasper grunhiu e veio em minha direção com os dentes a mostra. Eu saltei novamente me postando em frente à Alice que me olhava impassível, a prendi junto a parede com as mãos em seu pescoço.
“Pare de pensar nessas coisas. Pare. Pare.” Quanto mais alto eu gritava mais imagens chegavam a mim.
“Ela amava você... Ela amava você...” Ela cantarolava baixinho como um mantra, seus olhos estavam vidrados e seu corpo tremia.
Eu iria matá-la. Senti meus braços sendo puxados com a força de um torniquete, Emmett me mandou na parede ao lado me imobilizando.
“Pare agora Edward, isso é intolerável.” Em minha visão resumida da sala. Tânya estava ao pé da escada assistindo a tudo horrorizada, Esme agora segurava Alice e sussurava em seu ouvido juntamente com Jasper que a abraçava. Carlisle estava atrás de Emmett me encarando.
“Filho, o que foi isso. Como você pode atacar sua irmã assim. Eu estou desconhecendo você?” Sua voz soava desesperada, frenética.
Tapei meus ouvidos, eu não quero ouvir. Eu não quero a piedade deles. De ninguém. O som alto dos pensamentos de todos na sala eram ensurdecedores.
Empurrei as mãos de Emmett para o lado com a força que arrancaria um braço humano.
“Saia do meu caminho. Emmett”
“Só se você me garantir que está no controle Bro.”
“Controle.” Eu cuspi. “Todos vocês são tão controlados não é mesmo?” Encarei Carlisle que me olhava com tristeza.
“Vampiros civilizados. A familia perfeita. O lindo casal que se apiedou dos pobres orfãos.” Meu cinismo estava às raias da loucura. Minha risada era amargurada.
“Aberações é o que somos.” Eu gritei.
“Alice vive tão confiante em suas fantasias do futuro que não tem mais a medida do que é real e Jasper é tão dependente dela, dessas emoções delirantes, que a segue sem pestanejar. Melhor que remoer as milhares de mortes em sua costas não é major? Cuspi sem piedade. Melhor encarar um provável futuro que um presente ruim. Estou tão farto disso.”
“Eddie, já chega cara.” Emmett se aproximou de novo tentando me pegar pelo braço. Eu recuei.
“Olhe pra você Emmett, tão raso, tão medíocre, que o maior feito na vida foi se casar uma com uma mulher fútil e superficial. Tolo que é você. Aparências. Somente aparências.” Minhas palavras eram tão venenosas que ele recuou assombrado.
“Edward basta.”
“Basta o que Carlisle. Basta de dizer a verdade? Estou tão cansado dessa farsa que vocês criaram. Toda essa ilusão. O médico perfeito com sua familiazinha perfeita de merda.”
Esme se aproximou da cena. Tocando meu ombro.
“Meu filho, sei que está mogoado, mas...” Eu a cortei. Recuei de seu toque com violência.
“Eu não sou seu filho Esme, pare com isso. Nada que você desejar ou fizer trará aquele bebê que você perdeu de volta. Ele está morto como todos nós.” Eu rugi.
O rosnado alto como de um felino ferido me atingiu em cheio, clareando meus pensamentos, me tirando do surto de raiva. Carlisle se postou a minha frente em posição de ataque.
Saia. Meu pai estava rosnando enfurecido para mim, seus pensamentos eram sombrios como eu nunca ví antes. Ele estava me mandando embora?
Saia da minha casa agora. Sua mente gritava sem pestanejar. Esme se adiantou e tocou seu ombro que relaxou instantaneamente.
Como você pode... Edward, eu sempre estive aqui pra você. A vergonha do momento me atingiu com as simples palavras de Esme. O que eu fiz?
Olhei ao meu redor e vi a destruição que causei, a sala estava revirada e os móveis quebrados. Alice encolhida em um canto juntamente com Jasper que a acalmava com palavras doces.
Emmett saiu pelos fundos com os ombros derrotados.
“Apenas saia Edward.” Olhei nos olhos daquele que para todos os efeitos era meu pai, meu melhor amigo e meu mentor. O que vi me derrubou. Pela primeira vez em um século. Eles estavam frios. Nenhum resquício do amor e compaixão que eu sempre vi ali.
Corri daquela sala como um raio deixando para trás a única vida que eu conheci realmente. Senti Tanya decolando atrás de mim. Eu não parei. Entrei no meu Volvo e sai a toda velociade.
Cheguei à rodovia 101 a quase trezentas milhas por hora. Não havia desculpa para o que eu fiz. Era injustificável. Deus! Eu ataquei minha familia, eu quis matar minha irmã. Ofendi sem remorso meu irmão mais querido. Minha mãe, pobre Esme... Oh meu Deus. Foi imperdoável. Imperdoável... Meu pai me odeia. O que eu fiz. Meu amigo, meu criador.
Meu carro adaptado era um borrão na estrada, passei rapidamente por Port Angeles em direção a Seattle. Eu tinha que colocar distância entre mim e as pessoas a quem eu inadivertidamente ofendi. As atrocidades que eu disse. Eu estava perdendo rapidamente o controle. Meu peito morto começou queimar, mesmo não precisando, minha respiração falhou. Eu estava ofegante. Minha cabeça girava tão rápido quanto o carro em minhas mãos. Próximo a Sequim*, avistei o paredão de pedra após a curva fechada. Perdi-me. Se eu tivesse sorte meu carro explodiria com o impacto causando minha destruição. Senti mais que ví, o impacto mortal do meu volvo contra a parede de pedra e tudo ficou negro.
Nota da Autora: 
Agora vou correr e me esconder embaixo de uma pedra. Deixem seus comentários. Eu vou levar meu Notebook comigo para poder responder de lá.
Até segunda com Bella.
 Marquem os quadradinhos aí em baixo. 
xxx


- ESPN: Entertainment Sports Programming Network, traduzindo: Rede de Programação de Esportes e Entretenimento
- Súcubo: Súcubo (em latim succubus, de succubare) é um mito com aparência feminina muito bonita que invade o sonho dos homens a fim de ter uma relação sexual com eles para lhes roubar a energia vital.
A súcubo se alimenta da energia sexual dos homens, e quando invade o sonho de uma pessoa ela toma a aparência do seu desejo sexual e suga a energia proveniente do prazer do atacado. Estão intimamente assossiadas a sedução e encantamento do parceiro a quem escolhe como vítima. A contraparte masculina desse demônio é chamada de íncubo.
- Sequim: Cidade situada entre Port Angeles e Seattle.

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