terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Fanfic "Recomeçar"- Capítulo 2

Recomeçar 
Autora: Loa Estivallet (Blog NyahTwitter)
 Sinopse: Um amor para toda a vida, abalado por uma traição...Um filho ansiado, chegando no pior de todos os momentos.Duas pessoas separadas por uma mágoa profunda e dilaceradora, afastados pelos novos rumos e pessoas em suas vidas...Mas o amor verdadeiro tudo supera. E está sempre à espreita, esperando o momento para recomeçar...
Classificação: +16 
Categorias: Saga Crepúsculo 
Personagens: Alice Cullen, Angela Weber, Bella Swan, Carlisle Cullen, Charlie Swan, Edward Cullen, Emmett Cullen, Esme Cullen, Jasper Hale, Kate Denali, Rosalie Hale
Gêneros: Drama, Romance, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Capítulos Postados:  1

Capítulo 2

"Momentos de Tormenta"


– Você tem certeza disso? – Alice perguntou cautelosa.
Bella havia lhe pedido que passasse na casa de seu primo, onde ela estava desde que saíra de casa, para pegar os papéis do divórcio e entregar a Edward, mas Alice, apesar de saber a motivação da amiga, estava em conflito.
Ela havia presenciado os últimos três meses desde que eles se separaram, e notara que ambos ficavam pior a cada dia.
O irmão já não comia mais, nem dormia, havia pedido afastamento de seu trabalho no hospital, e estava na casa dos pais por insistência de sua mãe, totalmente recluso. Parecia mais um zumbi do que um homem.
Bella não estava muito melhor do que isso. Apesar de estar se cuidando por causa do bebê, vivia com a aparência apática, o olhar sem brilho, sempre distraída e tristonha.
– Eu não vejo outra opção. – Bella respondeu cansada.
– Bella, será que vocês não podem ao menos conversar? Ele está verdadeiramente arrependido. E veja só, ele tem respeitado sua decisão, não tem ligado pra cá, nem veio aqui pra insistir... Será que ele não merece ao menos que você o escute? Você tem toda a razão em seu posicionamento, mas se você vir o jeito como ele está... Eu sei que ainda o ama apesar de tudo, e não iria querer vê-lo assim.

– E o que eu posso fazer? Eu não sou capaz de perdoar o que ele fez, Alice.
Alice suspirou fatigada.
– Eu não estou do lado dele, não é isso. – Falou sem ânimo – Mas eu acho que o amor de vocês não é algo que se jogue fora como se significasse nada.
– Mas ele fez isso! Jogou meu amor por ele no lixo quando... Quando...
E lá vinham as lágrimas.
Era sempre assim. Bastava mencionar o ocorrido para que a dor massacrasse com mais força seu coração.
Alice podia compreender a dor da amiga. Nem queria imaginar o que sentiria se acontecesse o mesmo com ela e Jasper.
– Shhh... – Afagou-lhe as costas – Desculpe. Eu não vou insistir. Você está certa.
Pegou o documento lacrado, guardando-o na bolsa e esperou que a amiga se acalmasse.
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Alice chegou na casa dos seus pais apenas à noite, pois Bella havia demorado a se recuperar.
Sentou-se no sofá da sala esgotada depois de ser recebida por seu pai à porta.
– Como ela está? – Carlisle perguntou, o semblante amargurado.
– Bem, na medida do possível. Mas não cedeu.
– É definitivo então. – Ele afirmou.
– Sim. Acho que não temos o que questionar, não é? Edward foi um cafajeste. Ela não poderia agir diferente.
– Eu sei... E entendo Bella. Só espero que ela não afaste a criança de nós.
– Sabe que ela não fará isso pai. Ela ama vocês. Além do mais, Bella é uma das pessoas mais corretas que eu conheço.
Houve um momento de silêncio. Ambos estavam tristes e preocupados com o rumo daquilo.
– Eu trouxe o pedido de divórcio. – Alice falou baixo – Será que ele vai suportar?
– Eu não sei, minha filha... Seu irmão não está nada bem. Mas não há outro jeito. Melhor resolver isso de uma vez por todas.
– Mamãe está com ele?
– Sim. Estão no quarto. Ele teve outra crise esta tarde. Estou muito preocupado com ele.
Alice assentiu com a cabeça, demonstrando sentir o mesmo.
– Eu vou subir. É melhor mesmo que a mamãe esteja presente.
Carlisle fez uma expressão de dor e se recostou no sofá, suspirando fortemente.
Quando Alice entrou no quarto quase desistiu e deu meia volta.
Havia cacos de vidro, farrapos de pano, restos de molduras de quadros e cds quebrados por toda a extensão do cômodo. Uma das janelas possuía apenas o esquadro metálico de sua estrutura, e a roupa de cama, ou o resto dela, estava embolada em um canto do colchão que evidenciava rasgos enormes e espumas que saiam de dentro deles.
A mãe estava sentada no chão, o olhar enternecidamente triste, fitando o homem de cabelos desalinhados que deitava em seu colo com a expressão vazia e a posição de uma criança assustada, fortemente abraçado aos próprios joelhos.
Edward a viu, e num surto de lucidez, se levantou e agarrou a irmã pelos pulsos.
– Você viu Bella, falou com ela? – Perguntou desesperado, os olhos, adornados por olheiras muito escuras, arregalados – Disse que eu preciso conversar com ela?
– Edward acalme-se... – Esme, já de pé, segurava o braço do filho, tentando faze-lo perceber que machucava a irmã.
– Não mãe, está tudo bem... – Alice falou tentando aparentar calma – Eu falei com ela, Edward. Mas ela está irredutível.
Seu rosto, ainda que isso parecesse impossível, desmoronou um pouco mais.
– O que ela disse? – Sussurrou.
– Ela pediu que lhe entregasse isso. – Alice respondeu apreensiva, lhe estendendo o grande envelope pardo.
Edward hesitou, mas pegou-o de suas mãos e sentou na beira da cama, sendo acompanhado por sua mãe. Abriu o envelope com cautela, e oscilou quando leu a primeira página.
Era visível o tremor que tomou conta de seu corpo, e Alice se apressou a ficar do lado oposto ao de Esme, pronta para amparar o irmão mais velho.
Ainda com o envelope em uma das mãos, Edward notou que ele não estava completamente vazio. Sacudiu, ouvindo um som metálico, e virou em sua palma, arfando quando a pequena aliança de ouro e o solitário de diamante, que costumavam adornar o dedo anular esquerdo de sua mulher, tocaram sua pele.
Tanto Esme quanto Alice seguraram-no pelos cotovelos, esperando por uma nova crise. Mas ele, trêmulo e com o olhar perdido, apenas fechou a mão sobre os anéis e inclinou seu corpo para frente, fitando o chão.
– Eu preciso ficar sozinho. – Informou com a voz melancólica.
– Mas filho...
– Mãe, por favor... Eu preciso de um tempo. Eu não vou fazer nada, juro.
Esme e Alice se entreolharam, preocupadas, mas fizeram o que ele lhes pedia. Levantaram juntas e deixaram o quarto, mas não desceram. Ficaram atentas no corredor.
Edward se levantou da cama e foi até a janela destruída observar o jardim.
Recordou que em meio àquelas rosas brancas, dentro da pequena estufa que seu pai construíra pessoalmente para presentear sua mãe, fizera o pedido de casamento à Bella.
#Flashback#
– Eu queria pedir uma coisa a você... – Ele falou nervoso.
– Pode me pedir o que quiser. Sabe que eu faço qualquer coisa por você. – Bella falou dando de ombros.
Edward parou em sua frente e colocou-se sobre um joelho.
Ela arregalou os olhos compreendendo que o momento tão sonhado havia finalmente chegado.
– Por alguma graça divina você está comigo há dez anos... É minha há dez anos... – Pausou inclinando a cabeça – Na verdade, totalmente minha há oito – Falou divertido, ouvindo o som da risada de Bella em resposta – Mas eu quero mais, muito mais que isso. Quero que seja minha companheira pro resto da vida. Quero dormir e acordar com você todos os dias... Quero ter filhos com você... Quero que seja minha esposa.
Bella estava muda.
Sabia que aquilo fatalmente aconteceria um dia, pois eles compartilhavam o desejo de construir uma família, e se amavam muito. Mas ouvir as palavras de Edward enquanto o via de joelhos em sua frente... A sensação era inesperadamente prazerosa e indescritível.
Edward tirou uma caixinha de veludo azul do bolso da calça e abriu devagar.
– Eu passei os últimos dois meses procurando um anel que combinasse com você... Mas esse foi o melhor que eu encontrei. – Falou com um sorriso torto nos lábios – Não é tão bonito como você, e eu não acho que faça jus a sua delicadeza mas, Alice me garantiu que você adoraria.
Bella mirou o solitário à sua frente. O aro fino de ouro, o delicado entrelaçado que sustentava a pedra e, finalmente, o grande diamante oval que reluzia multifacetado.
Sentiu as lágrimas deslizarem por seu rosto.
– É lindo... – Sussurrou – Eu acho que minha beleza é que não faz jus a essa pedra enorme!
Edward riu.
– Não seja boba! Não tem nada mais bonito do que você no mundo.
– E eu que estou sendo boba?!
– Shiu... Meu joelho tá doendo aqui... – Edward sorriu, sendo acompanhado pela namorada – Você não me respondeu ainda... Aceita casar comigo?
– Sim. – Bella falou sem hesitar, radiante. – Claro que sim.
– Posso? – Edward perguntou, o olhar ainda mais brilhante e um sorriso largo.
Bella estendeu a mão esquerda, somente naquele momento notando que apertava uma mão na outra, e Edward a tomou, escorregando em seu dedo o símbolo do compromisso ali firmado.
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Ele não podia acreditar que fora tão estúpido. Jogara fora a confiança e o amor de Bella por algo tão insignificante.
Ela tinha razão em não querer voltar. Ela estava certa e ele não a criticava de maneira alguma. E seu amor por ela era tão gigantesco que faria qualquer coisa para vê-la feliz, para tentar, da maneira que fosse, ainda que isso significasse seu próprio sofrimento, devolver um pouco da alegria que lhe tirara.
Bella merecia a felicidade que arrancara dela. E dele mesmo.
Pegou uma caneta na escrivaninha e assinou os papéis com uma calma surpreendente. Depois catou em sua gaveta uma corrente antiga, passou por ela os anéis e a fechou em seu pescoço, fitando os aros estreitos com tristeza.
Pegou as chaves do carro e enfiou o documento de qualquer jeito dentro do envelope, voando escada abaixo sem dar ouvidos aos questionamentos da mãe e da irmã que estavam à espreita.
– Edward! – Carlisle gritou ao ver o estado descontrolado do filho – Você nem está calçado!
Mas Edward passou feito um furacão pela porta e entrou em seu carro, arrancando em alta velocidade para a estrada.
Dirigiu feito um alucinado, o coração quase destruindo suas costelas com o ritmo veloz. As lágrimas agora tinham livre passagem, e escorriam em cascata nublando a visão já embaçada pelo desespero.
Ele seguiu decidido. Faria isso da maneira certa.
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Emmet parou o carro na frente de casa, estranhando o volvo reluzente que estava estacionado do outro lado da rua.
Fechou a cara quando confirmou sua suspeita.
O que ele tá fazendo aqui? Pensou indignado.
Edward havia acabado de chegar. Respirava aos arquejos tentando encontrar coragem para fazer o que tinha se proposto. Notou que o ex-amigo saltava do carro com uma expressão furiosa, e vinha em sua direção. Abriu a porta e saiu, ainda vacilante.
– O que você quer aqui? Ela não quer ver você! – Emmet rugiu.
Edward levantou uma mão, em pedido de calma, e mostrou o envelope que segurava com a outra.
– Só vim entregar isso. – Sua voz era falha.
– Pode deixar que eu faço isso! – O outro disse, já estendendo a mão para pegar o documento.
Edward desviou e o encarou com o pouco de firmeza que ainda lhe restava.
– Eu vou fazer isso pessoalmente, e se eu tiver que brigar com você por isso, eu não me importo.
Emmet expirou impaciente, colocando as duas mãos em punhos na cintura.
– Olha Edward, eu não quero te bater... Não que você mereça alguma consideração depois do que fez... – Sua voz era controlada – Não considero mais você como meu amigo, mas ainda gosto de você, mesmo tendo a certeza de que isso é totalmente despropositado e desmerecido. Então não force a barra.
– Emmet, eu preciso vê-la... – Edward implorou – Nem que seja pra ela me enxotar como um cachorro sarnento...
– Você é bem pior que isso... – Emmet interrompeu.
– Tudo bem, que seja... Eu só quero dizer uma coisa a ela... Eu já assinei. – E sacudiu o envelope – Eu não vou insistir se ela quiser que eu vá embora. Só... Só pergunte a ela, ok?
Emmet o fitou por alguns segundos, racionalizando.
– Você fica aqui. – Respondeu contrariado – Eu vou falar com ela.
E deu as costas a ele seguindo para casa.
Entrou enraivecido, encontrando a esposa e a prima conversando na cozinha.
– Oi Emm! Chegou cedo! – Bella falou com um sorriso.
Mas Emmet não respondeu.
– Rose, puxa a cadeira pra Bella. – Falou sério.
– Boa noite pra você também, amor! – Rosalie disse com ironia.
– Faz o que eu tô dizendo?!
– Nossa, o que tá acontecendo? – Perguntou irritada com a agressividade do marido, mas puxou a cadeira mesmo assim.
Bella olhava a tudo confusa.
– Senta. – Emmet mandou, olhando-a com preocupação.
Ela nem questionou, dado o estado alterado do primo que considerava mais que um irmão.
– O Edward está lá fora. – Falou cauteloso, analisando suas reações.
Rosalie segurou o ombro da amiga instintivamente, prevendo um mal-estar, enquanto Bella começava a tremer.
– Você está bem? – Rose perguntou.
– S-sim... Er... Eu... Eu... O que... Ele quer aqui? – Conseguiu perguntar em meio ao seu espanto.
– Ele quer entregar, pessoalmente, os papéis. Disse que já assinou, mas tem uma coisa pra te falar. – Emmet disse, visivelmente transtornado com a situação.
– Eu não quero vê-lo... – Bella disse com a voz torturada – Peça pra ele ir embora Emm...
Seus olhos estavam rasos.
Três meses sem vê-lo não foram suficientes para abalar o sentimento que acolhia há tantos anos. Na verdade parecia que o tempo de afastamento tornava o amor ainda maior. E proporcionalmente, a dor e a decepção.
Bella sentia o coração palpitar. Nem conseguia imaginar tê-lo em sua frente mais uma vez depois de tudo. Não que acreditasse que conviveria afastada dele, já que o filho os obrigaria a ter uma ligação, mas ela tinha medo.
Medo das lembranças que emergiriam com sua presença, da dor que elas provocariam e, principalmente, medo de não resistir e cair em seus braços, cedendo à saudade que a consumia dia após dia.
Notou Emmet seguindo para a porta apressado e se levantou por reflexo, correndo até a janela da sala seguida por Rose.
E então ela o viu, encostado ao seu carro do outro lado da rua com a cabeça baixa.
Estava muito mais abatido do que imaginara através dos comentários esporádicos de Alice. Muito, muito magro. Seu rosto estava transformado numa máscara de aflição e cansaço. Os olhos não tinham brilho.
Ele estava tão largado que as roupas estavam amarrotadas, e ele parecia nem se aperceber do fato. E estava descalço!
Bella sentiu o peito comprimir ao ver seu semblante assumir uma expressão de indescritível tormento quando Emmet o alcançou, comunicando-lhe sua decisão.
Ele estendeu a mão devagar, parecendo fazer muito esforço com o ato, e entregou o envelope.
Quando Edward deu a volta no carro para entrar, Bella agiu por puro impulso.
Correu para a porta escancarando-a, ignorando a cara perplexa de Emmet que já vinha voltando, e gritou.
– Edward!
Ele já estava sentando ao volante quando ouviu. Voltou o rosto na direção da casa, tendo a certeza de que estava alucinando.
Bella estava ainda mais linda do que já fora um dia. Seu corpo estava mais sinuoso, as formas mais salientes. Ele notara que ainda não se percebia a gravidez, mas seu rosto tinha um novo brilho, uma nova luz, algo que ele não soube definir.
Mas em meio à beleza havia uma sombra. Um olhar opaco que fazia par com a leve palidez acentuada, os lábios voltados para baixo numa expressão de sofrimento.
Ele sabia que aquele semblante era culpa sua. Ele o tinha posto ali.
Ainda incrédulo com a atitude da esposa, Edward saiu novamente do carro, inseguro, e caminhou até ela. Parou um pouco distante, com receio de aborrecê-la se chegasse mais próximo.
– Oi. – Sua voz quase não saiu.
– Oi. – Bella respondeu com os olhos úmidos.
Ela notou que o primo ainda estava parado entre eles, e o olhou.
– Emm, está tudo bem. Pode entrar.
Emmet pareceu condenar sua decisão, mas caminhou para dentro rapidamente murmurando um “se precisar de mim é só gritar”.
Edward passava repetidamente as mãos nos cabelos, num gesto óbvio de nervosismo. Estremeceu quando Bella se aproximou um pouco mais.
Tinha tantas saudades dela... Queria tanto tocar-lhe a face, entrelaçar os cachos macios em seus dedos, sentir seu perfume... Mas Bella, apesar de estar ali num gesto claro de permissão, continuava distante de alguma forma. Seu olhar vazio demonstrava o quanto ela estava tentando proteger a si mesma daquele contato.
– Emmet falou que tem algo a me dizer. – Ela incitou.
Edward sabia que tinha pouco tempo, e não queria estraga-lo com discussões ou provocando lembranças amargas. Resolveu ser direto, mas cauteloso.
– Eu já assinei os papéis... – Sua voz quebrou – Eu não quero insistir e concordo com sua decisão, mas não porque é isso que quero, e sim porque eu devo isso a você, sua felicidade, sua liberdade de volta. Me perdoe pelo que fiz. Nada justifica o que aconteceu, mas eu preciso te pedir assim mesmo. Me perdoe. Eu daria tudo pra voltar no tempo e agir de outra maneira. Eu fui um estúpido, me perdoe.
Bella engoliu em seco, tentando digerir aquelas palavras.
Edward, temendo que seu silêncio significasse que o tempo tinha acabado, se apressou a continuar.
– Na verdade o que eu queria falar é que... – Ele hesitou, desviando do olhar de Bella e olhando para cima, pro céu – Se ainda existir a menor possibilidade que seja de você me perdoar... Se você decidir que eu mereço ter você de volta... – E voltou a encara-la, agora com o olhar muito intenso – Eu venho correndo, Bella... Na hora que você me chamar eu venho correndo. Eu vou estar sempre esperando por você.
Bella assentiu, tentando controlar com todas as suas forças as lágrimas que queriam cair.
Ele parecia tão sincero... Seu rosto demonstrava claramente a dor que ele sentia. Ela o conhecia bem para ter a certeza de que ele estava falando a verdade. Era evidente que estava arrependido.
Mas a dor da traição ainda estava lá, castigando seu peito, travando sua garganta, mantendo um muro grosso de concreto entre eles. Nada iria apagar o que tinha acontecido. Ainda que ela o perdoasse, nunca conseguiriam ser felizes juntos novamente. Haveria sempre esse abismo entre eles, essa mácula em seu relacionamento.
Edward respirou fundo, tentando evitar uma cena ridícula. Já bastava ele estar na frente da mulher de sua vida amarrotado e descalço. Ele não queria chorar.
Engoliu a dor dilacerante pelo silêncio dela. Silêncio que significava não. Não existiria perdão para ele. Ele podia enxergar nos olhos castanhos de Bella que ela nunca esqueceria aquilo, muito menos o absolveria de seus atos.
Enfiou as mãos no bolso da calça jeans e começou a se afastar, sem quebrar a conexão com o olhar dela.
– Você já vai? – Bella perguntou, tentando parecer desinteressada.
– Sim. Já fiz o que vim fazer. – Respondeu com tristeza – Não quero aborrecer você, não faz bem para a criança.
Dito isso seus olhos pousaram sobre a barriga lisa da, agora, ex-esposa.
Bella colocou a mão em seu ventre num gesto reflexo ao olhar de Edward, sentindo novamente a palpitação com o afastamento.
Queria pedir pra ele ficar, mesmo que apenas mais um pouco, mas se conteve. Era assim que tinha que ser. Era assim que seria.
– Eu poderei acompanhar? – Ele sussurrou, antes de atravessar a pista.
– Como? – Bella perguntou confusa, ainda se debatendo internamente com seu desejo e sua razão.
– A gravidez... Eu poderei acompanhar, digo, ir às consultas?
Bella respirou fundo.
Não poderia negar isso a ele. Seria complicado ter de encara-lo uma vez por mês, pelo menos, mas ele era o pai, e ela sabia o quanto ele desejara aquele filho. Não era justo priva-lo deste direito, ainda que não merecesse.
– Tudo bem... – Disse com a voz trêmula – Eu aviso quando marcar a próxima consulta.
– Obrigado, Bella.
Depois que ele partiu, ela ainda permaneceu na porta de casa, olhando o caminho por onde ele desapareceu, sentindo uma angústia sem tamanho.
Sentiu mãos fortes e pesadas lhe segurarem os ombros e empurrarem delicadamente de volta para dentro.
Somente quando Emmet a abraçou ela percebeu que estava aos prantos.
– Shhh... Isso vai passar pequena... Vai passar, eu prometo. – Ele falou, apertando-a contra seu peito.
Aquela noite fora uma das piores dentro daqueles três primeiros meses.
Emmet e Rosalie não pregaram o olho, ambos em guarda ao lado de Bella que levara seu pranto noite a dentro, adormecendo de esgotamento quase seis horas da manhã.
Na casa dos Cullen não fora diferente.
Alice desistira de ir pra casa assim que Edward passou pela porta, mal se mantendo de pé, o rosto encharcado pelas lágrimas.
Passou a madrugada assim, encostado na parede do canto do quarto, agarrado aos anéis que levava junto ao peito, enquanto seu pai, mãe e irmã se revezavam ao seu lado em silêncio. Adormecera no chão, coberto por um lençol fino que Esme jogou delicadamente por cima dele, não querendo desperta-lo.
E durante seis meses essa cena se repetiu na primeira semana de cada mês, após as consultas de pré-natal de Bella.
Eles não se viam ou se falavam ao longo de vinte e nove dias, e então Bella marcava a data, ligava para ele, e ambos se ressentiam, tendo uma noite de crise. Se encontravam na frente do hospital no dia acordado, participavam da consulta, se emocionavam com os ultrassons, e depois seguiam, cada um para seu lado, desesperados e sofridos, para mais uma madrugada insone.
Nem mesmo a rotina amenizou a dor. Parecia mesmo que ela se tornava cada vez pior.
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Bella finalmente terminara de montar o apartamento que havia comprado quatro meses depois da separação. Ainda não havia se mudado, pois estava a dias do nascimento do bebê. Ficaria na casa de Emmet e Rosalie ainda por mais quinze dias depois de dar a luz. Dava os toques finais no quarto de Anthony quando sentiu a primeira pontada.
– Ufh! – Arquejou.
Pegou a bolsa no sofá que ficava na parede da janela e catou o celular, controlando a respiração entre um espasmo e outro.
Emmet não atendia. Deveria estar em alguma reunião ou coisa do tipo. Tentou a casa dele.
Nova tentativa frustrada, já que Rosalie parecia não estar em casa. E ela não tinha celular.
Ligou para Alice, mas o número só dava na caixa postal.
Estava se preparando para ligar para Carlisle, que além de ex-sogro e avô de seu filho era um grande médico, mas estacou.
Ela sabia pra quem tinha que ligar. Para quem deveria estar ao seu lado naquele momento.
Seu coração acelerou com sua decisão. Suas mãos tremeram ao digitar o número tão conhecido.
Ele atendeu no segundo toque.
– Bella?! – Edward falou com a voz entre animada e surpresa.
– Edward... Eu... Eu acho que... Estou entrando em trabalho de parto... – Conseguiu ofegar.
Edward se enrijeceu do outro lado e sua respiração acelerou. Levantou-se da cama e pegou as chaves do carro, descendo as escadas em seguida.
– Onde você está?
– No meu... Apartamento... Ufh! – Falou se sentando na beira do sofá, a mão apoiando o ventre volumoso.
– Calma. Eu já estou entrando no carro. Não desliga o telefone. Me passa o endereço.
– Oh meu Deus! – Bella exclamou quando sentiu o jorro de água descer por entre suas pernas.
– O que houve? – Edward perguntou assustado.
– A bolsa... Rompeu. Aai! –Respondeu gemendo.
Edward acelerou o volvo respirando com dificuldade.
– Bella... Pelo amor de Deus, aguenta aí. Eu já chego. Fala comigo. – Implorou entrando em desespero.
– Eu... Eu... Tá doendo muito...
– Calma, fica calma... – Ele pediu tentando se acalmar com a frase também – Me fala o endereço. – Repetiu.
Enquanto Edward seguia a toda pela estrada, Bella contava o tempo dos intervalos entre as contrações. Estavam cada vez mais curtos.
Quinze minutos depois Edward estacionava na frente do prédio que Bella lhe indicara. Eles ainda estavam no telefone.
– Eu já estacionei. Como você está?
– Eu... Nossa... Não consigo... Respirar...
– Eu estou entrando agora. Vou desligar o telefone pra avisar a meu pai. Conta dois minutos e eu já estarei ai, ok?
– Huhum...
E desligando ligou para o pai, avisando o que estava acontecendo.
Nem esperou o elevador, e subiu oito andares de escada numa velocidade atlética.
Quando chegou à porta se deu conta de que talvez Bella não pudesse chegar até ali para abrir. Se preparou para arrombar quando a ex-esposa abriu, o rosto suado e vermelho, arfando, encurvada sobre a própria barriga.
– Eu não... Acredito que você... Ia arrombar... A porta do meu... Apartamento! – Falou entre arquejos.
– Eu iria, se precisasse. Como você está se sentindo? – Perguntou apoiando-a no ombro e levando-a de imediato para o elevador.
– Eu... Acho que está perto... As contrações...
– Shhh... Não se canse mais. Eu resolvo tudo daqui pra frente.
E dizendo isso a acolheu em seu colo sem esforço, sentindo uma emoção indescritível por tê-la novamente em seus braços.
Bella também estava ciente da reação que a proximidade, a tanto esquecida, provocava. Sentiu as mãos, que estavam entrelaçadas no pescoço de Edward, formigarem. Olhou no rosto daquele homem a quem ainda amava, e pôde ver, ainda que ele encarasse a porta do elevador, o quanto ele estava nervoso pelo contato.
Fitou seus lábios, entreabertos para facilitar a respiração acelerada, e desejou toca-los com a ponta dos dedos.
Se repreendeu de imediato. Como poderia pensar nisso depois de tudo que sofreu?
Mas então Edward a encarou, no exato momento em que ela se preparava para desviar o olhar da tentação, e a intensidade que ela viu ali a fez ofegar audivelmente.
– A dor está pior? – Edward perguntou, contendo seu desejo de beija-la e compreendendo erroneamente a reação de Bella.
Ela apenas assentiu, subitamente envergonhada com seus anseios, quando já seguiam para o carro.
Duas horas depois, na sala de parto do antigo hospital onde Edward exercia sua formação em cardiologia, um choro forte e muito agudo se fez ouvir.
– Quer carrega-lo papai? – Perguntou o doutor Steveson, obstetra de Bella, para Edward.
Ele, emocionado, pegou o embrulhinho de lençol azul com cuidado entre os braços, e embevecido pela semelhança do pequeno Anthony com a mãe, agachou até a altura de seu rosto para que ela o visse. O menino parou de chorar automaticamente.
– Oi bebê... – Bella falou com a voz arrastada pelo cansaço.
Edward o colocou entre os braços dela e recostou suas testas, feliz por ter tido a oportunidade de presenciar o nascimento do filho.
Em seguida a pediatra, seguida por uma enfermeira, levaram o neném para o berçário, para fazer exames de rotina, enquanto Bella era cuidada para ser encaminhada ao quarto.
Durante a tarde e a noite eles ficaram na companhia de suas famílias. Parecia que nunca haviam se separado. Até Charlie parecia ignorar o fato de que eles não eram mais um casal, e todos se portaram confortavelmente à presença de Edward ali.
Ele dormira no hospital, ao lado de Bella e do filho, durante as duas noites que tiveram de permanecer. E depois retornou para a casa dos pais quando Bella teve alta e partiu para a casa de Emmet.
O clima entre os dois era amigável, tranquilo.
Edward visitou o filho na casa do ex-amigo sem problemas, e fora muito bem recebido por Rosalie. Mais tarde, quando Bella finalmente se mudou para o apartamento, ia com frequência passar as tardes com o menino, sendo agraciado pelo ambiente agradável que a simples presença da ex-mulher lhe proporcionava.
Bella estava tão serena quanto Edward com tudo aquilo.
Não se ressentia de sua presença. Na verdade até apreciava. E com o passar dos meses percebeu que eles teriam uma boa convivência apesar de tudo.
Vez ou outra o notava olhando-a com uma certa ansiedade, como se esperasse por uma mudança, por uma permissão para que voltassem. Mas Bella não tinha mais medo. Sentia-se segura de que não existia possibilidade. Eles estavam bem. Mas não passaria disto.
Naquele fim de tarde, depois de brincar por horas com o pequeno Tony, agora com quatro meses, Edward se despedia de Bella quando ela o abordou.
– Por que você ainda usa essa aliança? – Seu tom era de reprimenda.
Edward abaixou o olhar até seu dedo, sorrindo pela constatação de Bella.
– Eu nunca tirei. – Falou dando de ombros – Nem as suas.
E então puxou a corrente de debaixo da gola da camisa para exibir os aros estreitos que estavam sempre com ele.
Bella abriu a boca em surpresa, mas se recuperou rapidamente.
– Você não deveria estar seguindo com sua vida? – Perguntou com delicadeza. Não tinha a intenção de magoá-lo – Nós já estamos divorciados há dez meses, Edward.
Ele esmoreceu, sentindo toda a distância que Bella mantinha, emocionalmente, dele.
– Eu te disse... Eu nunca vou desistir de você. Eu posso esperar até morrer, Bella, e não reaver você... Mas eu não vou te trair nunca mais. – Seu tom era decidido e amargurado ao mesmo tempo.
Bela sentiu os olhos marejarem com aquela declaração. Mas não poderia fraquejar. Sua decisão fora tomada conscientemente. Não havia como ou porque voltar atrás.
– Você não iria me trair, visto que não somos mais um casal – Falou com petulância, sentindo a garganta arder com as memórias dolorosas – Então você deveria se permitir conhecer outras pessoas, voltar a viver.
– Não é isso que eu quero. – Edward disse enfático – Você sabe o que eu quero. E se for preciso, posso falar com todas as letras. Eu quero você de volta. – Soltou um suspiro torturado – Não vou forçar a barra. Não vou insistir. Mas também não vou ficar disponível pra qualquer outra mulher por que a que eu quero está aqui, bem na minha frente, e me mantém preso ainda que não queira. Então eu vou esperar por ela, como eu disse antes, até morrer. Nenhuma outra vai me tocar mais Bella, a não ser você. E se não fizer isso então... – Deu de ombros – Então eu nunca mais vou ter outra mulher em minha vida.
Bella arrefeceu.
Sentiu que poderia perder os sentidos com o choque daquela afirmação tão determinada de Edward.
Por um mísero segundo considerou sucumbir. Mas sua razão trouxe de volta todas as motivações para ela se manter firme em sua obstinação, ainda que o coração gritasse pelo homem em sua frente.
– Eu acho que você está enlouquecendo... – Tentou contemporizar – Deveria voltar a trabalhar. Faria bem a você.
– Eu não estou enlouquecendo, Bella. Já estou louco há muito tempo. Desde que você me deixou.
Bela suspirou.
– Por favor... Vamos parar por aqui. Minha decisão foi tomada há muito, não temos que discutir isso. Entenda, Edward... Eu não vou voltar.
Edward sentiu as palavras lhe cortarem, mas permaneceu com a expressão impassível.
– Então eu vou morrer assim... Solteiro e sozinho.
Bella espalmou a testa, impaciente.
– Tudo bem. Chega disso. – Edward falou – Eu já estou indo. Até amanhã.
– Até.
Ao fechar a porta ela decidiu. Precisava retomar sua vida amorosa o quanto antes. Não poderia ceder.
Edward entrou em seu carro decepcionado.
Acreditava que estava no caminho certo para reconquista-la. Mas ao que parecia, Bella estava irredutível. Não voltaria atrás.
Então tudo seria exatamente como ele dissera. Passaria por seus momentos de tormenta na terra, desejando a mulher que um dia foi sua, enquanto ela seguia com sua vida sem ele, até que a morte chegasse com o alívio do qual ele tanto precisava.

                                                       Continua...

N-A Blog IRL: Gostaria de dizer que estamos adorando os comentários de vocês. muito bom saber que voces estão curtindo a história e que inclusive curtiram o final do capítulo anterior.
Quanto ao capítulo de hoje, Edward está aprendendo de forma bem amarga o preço que pagamos quando fazemos escolhas erradas. Como diz a famosa frase "aqui se faz, aqui se paga".. Mas sofrimentos á parte, muito bom ver que os 2 estão convivendo de forma harmoniosa, sobretudo quando se trata do nascimento do bebê. 

Agora quero saber de vocês.. Qual a expectativa do próximo capítulo? Será que Edward ja sofreu o suficiente? A historia deles acabou  por aqui e o máximo que eles podem ter entre si é uma convivência como pais cúmplices preocupados com a criança? #Comentem




Um comentário:

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