sexta-feira, 7 de março de 2014

Fanfic "Recomeçar"- Capítulo 10 (último)


Autora: Loa Estivallet (Blog / NyahTwitter)
Sinopse: Um amor para toda a vida, abalado por uma traição...Um filho ansiado, chegando no pior de todos os momentos.Duas pessoas separadas por uma mágoa profunda e dilaceradora, afastados pelos novos rumos e pessoas em suas vidas...Mas o amor verdadeiro tudo supera. E está sempre à espreita, esperando o momento para recomeçar...
Classificação: +16 
Categorias: Saga Crepúsculo
Personagens: Alice Cullen, Angela Weber, Bella Swan, Carlisle Cullen, Charlie Swan, Edward Cullen, Emmett Cullen, Esme Cullen, Jasper Hale, Kate Denali, Rosalie Hale
Gêneros: Drama, Romance, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Capítulos Postados: 1 2 3 4 6 7 8 9

Capítulo 10

"O Recomeço"

– Bella... – Edward murmurou estarrecido.
Ele não esperava que ela acordasse assim que ele a chamasse, não acreditava que bastava ele pedir para que ela o atendesse. Se soubesse disso já tinha feito há muito tempo. Sentiu seu coração acelerar, a felicidade preenchendo cada milímetro de espaço dentro dele.
Alice colocou as mãos sobre os lábios, sufocando um grito de alegria. Apertou a mão do irmão e eles se olharam.
Bella olhou ao redor completamente confusa, sem entender onde estava.

Sua cabeça doía um pouco, e seu corpo parecia ter sido esmagado por um caminhão tamanho era o incômodo que ela sentia. A garganta ardia, e sede foi a primeira sensação real que ela percebeu em si.
– O-onde eu... Eu tô num hospital? – Perguntou num sussurro, a voz grossa devido ao tempo que ficara sem usa-la.
Edward se aproximou cauteloso e pegou uma das mãos dela entre as suas. O sorriso emocionado congelado no rosto.
– Allie você pode chamar o doutor Frackling? – pediu à irmã, sem tirar os olhos da ex-mulher – Bella, como se sente?
Enquanto Alice corria para fora em silêncio, Bella respirou fundo, analisando. Estava dolorida e atordoada, e muito, muito cansada. Seus olhos ardiam e sua garganta parecia àspera até mesmo para a passagem do ar.
– Me sinto péssima... – Murmurou com dificuldade – Estou tonta, minha cabeça dói, meu corpo todo dói... O que aconteceu?
A testa de Edward vincou em estranhamento.
– Você não se lembra? – perguntou devagar .
Bella apenas balançou a cabeça, os olhos vidrados na expressão atormentada de Edward. Ele suspirou, sentindo uma angústia tremenda. Edward sabia o que aquilo significava. Sua experiência médica era na área cardíaca, mas em seus tempos de residência ele havia passado por pronto-socorros e salas de emergências. O sinal principal era claro. Bella provavelmente tinha perdido parte da memória devido ao trauma na cabeça. E somente uma avaliação minuciosa poderia precisar a extensão dos danos, e confirmar se eles eram ou não, permanentes.
De qualquer forma ele precisava clarear alguns fatos, os mais básicos. O porquê dela estar ali.
Ele expirou com força e se sentou na beira da maca, os olhos nunca deixando o rosto da mulher que amava, que expressava sua total confusão.
– Está tudo bem, só se mantenha calma, ok? – Ele falou com cuidado e Bella assentiu.
– Você sofreu um acidente de carro. – Edward continuou, a voz calculadamente linear, observando com atenção as reações de Bella – Foi um acidente grave e você ficou bastante machucada, por isso sente dores. E... Você esteve... Algum tempo em... Coma.
Bella arregalou os olhos em surpresa. A sensação que tinha é que havia dormido, muito mal por sinal, e acordado no dia seguinte, bastante indisposta. Ela definitivamente não se recordava de um acidente de carro.

– Como isso aconteceu? – Falou ainda chocada – E-eu.. Eu não lembro de um acidente ou algum momento próximo a um... eu... – Uma possibilidade surgiu em sua mente – O Tony, ele está bem? – Perguntou ansiosa.


– O tony está bem, está com minha mãe. Você estava sozinha quando aconteceu, ele estava comigo.
– Mas quanto tempo eu...


O médico entrou, interrompendo a conversa entre os dois.
Bella encarou o médico como um bote salva-vidas, e seu suspiro de alívio evidenciou para Edward o quanto ela havia estado angustiada.
– Bom dia Bella. – O médico a cumprimentou – Como se sente?
Duas enfermeiras surgiram por trás dele, logo depois de Alice passar pela porta, e se posicionaram uma de cada lado da maca. Bella exprimiu o nervosismo que aquela situação estava causando nela.
– Quanto tempo fiquei em coma? – perguntou diretamente a Edward, ignorando a pergunta do médico.
Edward olhou para doutor Frackling, que anuiu, encorajando-o.
– Pouco mais que dois meses. – Ele respondeu com cautela.
Bella expirou, colocando a mão sobre o peito. Dois meses.
Alice se aproximou, preocupada ao extremo. Edward se manteve firme, aguardando.
– Eu me sinto terrível, doutor – Bella falou se voltando finalmente ao médico – Dói tudo e eu não me lembro como vim parar aqui, estou muito confusa e, angustiada.
– Isso é completamente normal, dada a situação. – Doutor Frackling falou se aproximando dela, preparando o oscultador para o exame primário.
Enquanto checava a repiração e batimentos cardícos da paciente, fez algumas perguntas pessoais para conferir sua memória. As enfermeiras trocaram soro, colheram sangue, renovaram curativos e saíram. Bella respondeu a tudo com tranquilidade depois de beber dois copos d’água, todas as suas recordações antigas intactas.
– Qual é a sua lembrança mais recente? – O médico indagou por fim.
Bella estreitou os olhos, se esforçando. Na verdade as últimas memórias estavam embaralhadas em sua cabeça, e haviam alguns flashes que ela não compreendia. Buscou pelo momento mais claro em sua mente...
Sentiu o rosto corar ao lembrar do beijo entre ela e Edward.
– Eu... Me lembro de ter... Estado com Edward – O olhou embarassada – No dia do aniversário dele.
O médico manteve a expressão neutra e olhou para Edward que, apesar do contentamento por ser a lembrança mais fresca de Bella, estava consciente do que aquilo significava. Ele fitou o doutor com um olhar significativo.
– Nada mais além disso? – Doutor Frackling insistiu com suavidade – Nenhum fragmento, nenhum flash, algo que você não sabe exatamente o que è?
Bella assentiu.
– Tem essas... imagens... mas eu não consigo entendê-las...
– Consegue descrever parte delas ou algo que está nelas?
Ela fechou os olhos, se concentrando em qualquer detalhe que pudesse extrair daqueles flashes.
Era tudo muito confuso e embaralhado, nada fazia sentido. Sentiu uma pontada forte na cabeça.
Bella gemeu baixo de dor e segurou a testa com ambas as mãos.
Edward se aproximou dela rapidamente, preocupado.
O médico anotou algumas informações em seu prontuário e olhou para Edward.
– Podemos conversar?
Alice se colocou no lugar de Edward, dirigindo ao irmão um sorriso tranquilo. – Eu fico com ela. – Disse. E ele seguiu o médico para fora da sala.
Edward respirou fundo antes de fechar a porta do quarto atrás de si.
– Ela está com amnésia. – Afirmou angustiado ao homem em sua frente.
O médico assentiu.
– Não teremos como precisar os danos agora, é muito cedo, ela acabou de acordar. – Doutor Frackling explicou – mas ao que parece se trata de uma pequena confusão, devido ao trauma sim, mas também pelo tempo em que ela permaneceu inconsciente. É normal que os últimos momentos não estejam claros para ela e, pela minha experiência, acredito que, provavelmente, em pouco tempo isto será sanado. Obviamente pedirei alguns testes e Bella terá que fazer algumas seções com um psicólogo, caso confirmemos que não é algo orgânico, que não se trata de uma sequela.
– Mas a princípio ela deve ser poupada. E sua memória não deve ser forçada para que ela não sofra um dano maior. – Edward completou.
– Achei que sua especialidade era cirurgia cardíaca. – o médico sorriu, surrpeendido – Sim. Ela não deve ser submetida a pressão alguma, de qualquer natureza. Suas lembranças devem retornar naturalmente, e ela precisará de um ambiente tranquilo, nenhum aborrecimento ou emoções fortes. E a vida dela deve sofrer pouquíssimas alterações neste momento, apenas as que forem realmente necessárias. Vocês deverão agir de acordo com o que ela se lembra, ou seja, se alguma coisa significativa aconteceu depois desta última memória que ela citou, seu aniversário no caso, vocês devem ignora-la por ora. O acidente pode ser explicado, até porque ela pedirá por isso, é normal. Mas vocês devem se ater a fatos que não tenham relação com emoções, mudanças, decisões... Isto tudo pode causar um impacto inoportuno.
Edward assentiu, entendendo que mais uma vez teria de se anular em prol do bem de Bella.
– Sem problemas, doutor. Eu agradeço. – Ele disse sem esconder seu desagrado – Quando ela terá alta?
– Se tudo ocorrer bem, eu acredito que em três ou quatro dias. Você conhece os procedimentos.
– Sim. Observação primária, testes, exames, análise comportamental. – Edward discorreu automaticamente – Obrigado mais uma vez.
– Esse é o meu trabalho. Vou solicitar os testes e exames agora mesmo.
Edward anuiu e se voltou ao vidro do quarto assim que o médico seguiu pelo longo corredor.
Sua mente vagava todo o tempo para suas esperanças, aquelas que o mantiveram firme até ali. Ele imaginava que Bella acordaria e finalmente cederia à verdade dos sentimentos que os uniam. Se jogaria em seus braços e eles ficariam juntos outra vez. Ele não contava com uma perda de memória, ainda que temporária.
A angústia o tomou, sabendo que teria de esperar mais algum tempo para que ela tomasse novamente a decisão que havia tomado ao se acidentar. Será que ela tomaria um rumo diferente desta vez? Afinal ela não se lembrava do fato que a levou a decidir ir atrás de Edward. Nem ele, ou mesmo Alice, sabiam qual teria sido o motivo que a encorajou a ceder.
Ele a observou, sorrindo para a irmã, através do vidro.
Sacou o telefone com toda a sua resignação e discou o número que ha pouco tempo havia adicionado a seus contatos.
Foi atendido no segundo toque.
– Patrick... – Falou com a voz decidida – preciso conversar com você.
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Bella estava em casa há quatro semanas.
Queria voltar a trabalhar, mas teria de esperar um pouco mais. A doutora Lester, psicóloga que vinha acompanhando sua recuperação, acreditava que ela precisava de um pouco mais de tempo longe de qualquer possibilidade de stress.
Ela já se sentia fisicamente bem, mas vinha notando mudanças intensas em seu emocional desde que voltara para casa.
A primeira, e mais significativa, era o fato de não sentir mais medo da presença de Edward. Na verdade Bella vinha se sentindo cada vez mais confortável e tranquila quando o ex-marido estava presente, o que era uma constante. Todo remorso, mágoa e ressentimento apagado.
Ela não compreendia bem como aquilo havia acontecido, Bella ainda se lembrava claramente da última conversa com Edward na noite do beijo... mas era como se sentia, não podia, nem queria, negar.
Não tinha certeza sobre Patrick ter percebido isso, mas a maneira como ele vinha se mostrando distante a fazia desconfiar que sim. O noivo vinha mantendo certa hesitação quando se tratava do relacionamento físico deles, se limitando a beijos superficiais e abraços rápidos. Além disso, quando Edward estava por perto, o que ultimamente era a maior parte do tempo, ele simplesmente se desculpava e ia embora.
Bella notara a pacificidade entre eles, e ainda não tinha certeza se a troca de olhares regulares que via acontecendo tinha algum significado, mas ela sabia que tudo tinha haver com o que acontecera depois de sua última lembrança, até o seu acidente.
Ela evitava perguntar sobre o assunto, por orientação da médica, mas sua curiosidade e ansiedade por saber o que a levara a se acidentar queimava seu cerne quase sempre.
Naquele momento mesmo, conversando com Alice no sofá de sua sala, a pergunta dançava em sua mente. Mas ela preferiu questionar outra coisa, algo que também vinha lhe ocupando a cabeça.
– Allie... – começou constrangida – O Edward... Ele... Ele tem estado muito aqui... E... Eu estava me perguntando esses dias...
Alice sorriu.
Conhecendo a amiga como conhecia, sabendo da decisão que ela havia tomado antes do acidente, apesar de não se lembrar ainda, tinha certeza sobre sua dúvida. Nem precisou ouvir o restante da pergunta.
– Ele terminou com a Kate. – Afirmou interrompendo Bella – Antes de seu acidente, inclusive.
Bella sentiu o alívio lhe preencher o peito. O sorriso que esticou seus lábios fora completamente inconsciente.
– O que foi isso? – Alice brincou.
Bella reprimiu o contentamento e tentou assumir uma expressão neutra.
Ela sabia, desde que voltara do hospital, que seus sentimentos pelo ex-marido estavam mais fortes, mais claros, e muito mais tranquilos. Mas não tinha assumido o quanto eles estavam mexendo com ela, não totalmente. Mas naquele momento ela precisava desabafar o que pensava, as emoções que estavam se confundindo dentro dela e a atordoando.
– Eu tenho me questionado sobre minha relação com Patrick – falou a Alice, a feição séria – Não me sinto mais como me sentia antes... Eu digo, como lembro de me sentir antes do acidente... É como se alguma coisa tivesse mudado, mas eu não sei precisar o quê, ou como. Eu só sei que alguma coisa mudou em relação à todos os problemas com Edward. Parece que, tudo que aconteceu de ruim entre nós foi apagado. Quer dizer, não apagado, eu ainda me lembro de tudo, da traição, de nossos conflitos, da dor, do ressentimento... Mas, não sinto mais eles, não sinto mais mágoa por tudo.
Alice se manteve calada, entendendo que a amiga estava desabafando. Aquele era um momento importante.
Bella continuou.
– Eu sei que alguma coisa aconteceu antes do acidente. Eu tenho esses flashes, que eu não entendo, mas eu sei. Alguma coisa relacionada a Edward, alguma coisa que me fez superar o que ele fez... Eu, não sei bem explicar... Eu realmente me sinto livre... E um pouco mais envolvida com o que sinto por seu irmão – Ela riu levemente, acompanhada pela ex-cunhada – mas eu não sei o que fazer com isso... Tem o Patrick, e, eu acreditava que o Edward ainda estava com a Kate.
– Por que você acha que ele tem estado tanto tempo por perto, Bella? – Alice questionou com um tom de obviedade.
Bella deu de ombros.
– Por que sou a mãe do filho dele, porque ele se preocupa comigo, e minha situação ainda não é cem por cento estável... Não sei. Eu acreditei que não tinha haver com nós dois, com nossos sentimentos...
Alice segurou a lingua dentro da boca, se contendo para não contar à Bella tudo que havia acontecido desde o aniversário de Edward. Precisava ser cautelosa em relação ao que dizia. Os médicos enfatizaram “sem fortes emoções”.
– Eu acho que você sabe, dentro do seu coração, o motivo verdadeiro pra Edward estar por perto... Você ainda se lembra da conversa que tiveram no dia do aniversário dele.
Bella suspirou.
– Sim... E me lembro como terminou.
Alice abraçou a amiga. Não podia tranquiliza-la dizendo que o que se seguiu resolveu a situação por si.
– Olha, tem coisas que você ainda vai se lembrar, coisas que esclarecerão tudo... Tenha só um pouco mais de paciência.
– Estou tendo, Allie... mas é difícil. Eu tenho repensado toda minha vida nos últimos dias... E eu não posso tomar atitudes agora, porque sei que existem fatos que interferem nelas, fatos dos quais não me recordo. Tudo está tão estranho... O Edward praticamente não sai daqui, e eu tenho me sentido muito satisfeita com isso, devo dizer... O Patrick tem estado distante... Eu acho que ele já notou que não somos mais como antes. Nós mal nos beijamos desde que voltei... A sensação que tenho é de que ele só está por perto por necessidade... É como se nós dois, como casal, já tivéssemos terminado, e como se ele estivesse esperando por minha permissão para partir.
– Talvez ele esteja. – Alice deu de ombros – Talvez ele esteja aguardando que a atitude parta de você, por preocupação com seu estado. Ele sabe que você não deve sofrer fortes emoções por enquanto. Patrick é um homem inteligente, deve ter percebido o que está acontecendo entre vocês. Ele apenas não quer te confrontar devido à delicadeza da situação.
– Pode ser... – Bella divagou – mas eu estou um pouco receosa, Allie... Eu não quero precipitar as coisas ou assumir coisas que estão acontecendo só na minha cabeça.
– Ok, vamos ser claras, certo? – Alice propôs – Seja sincera consigo mesma. Você está sentindo vontade de reatar com Edward?
Bella sorriu espontâneamente.
– Sim... – Sussurrou hesitante – Cada dia mais, só que... Eu preciso ter certeza sobre isso, eu preciso me sentir segura, não quero me magoar ou magoar seu irmão. Nós já sofremos muito.
– Você tem razão. Então talvez você devesse ir resolvendo as coisas aos poucos, organizando sua vida, a parte dela que diz respeito a Edward... E permitir que as coisas aconteçam a seu próprio tempo.
– Você diz, terminar com Patrick e esperar para que surja uma oportunidade entre eu e Edward?
– Bom, eu não estou te aconselhando a romper seu noivado, apenas penso que você deve analisar o que quer e partir daí, colocando tudo no lugar onde você acredita que é melhor.
Bella respirou fundo, absorvendo as palavras da amiga e tentando encontrar dentro de si a direção.
Tinha de adimitir que não estava mais envolvida por Patrick como antes, e que toda a magia e emoção que envolviam ela na presença de Edward a faziam acreditar que seus sentimentos, reprimidos e controlados por todo o tempo em que estavam separados, não cabiam mais dentro de si, e borbulhavam inquietos aguardando o momento para se libertar mais uma vez.
Toda a mágoa agora parecia tão sem importância... Toda a dor que ela vivenciou e provocou no ex-marido parecia tão sem propósito quando ela sentia o peito inflar com a aceleração de seu coração apenas ao pensar em Edward ultimamente... Bella não sabia, não se lembrava o que a tinha feito superar o rancor, mas estava certa de que o luto por seu casamento desfeito havia finalmente encerrado seu ciclo, e o que restou, o amor que sempre sentiu por Edward, ainda vivia, forte e incontrolável, imensurável.
Ela sabia que não precisava decidir. Não havia nada a ser decidido. Ela pertencia a Edward, sempre pertenceu... Toda a dor pelo erro dele apenas a havia cegado. Ela fora tão ferida pela traição que a mágoa encobriu, nublou todas as suas certezas... Algo havia tirado a venda de seus olhos, algo que ela não conseguia recordar, mas isso não era mais importante... Bella entendia que eles, Edward e ela, haviam então passado por um período longo de recuperação, cada um, individualmente, juntando seus pedaços, cuidando de suas feridas a seu modo, tentando se reerguer da queda. Aquele havia sido um processo doloroso, complicado, e muito demorado, mas a ferida estava mesmo fechada e limpa, seu processo de cicatrização completo. A marca sempre estaria presente, impedindo que fosse totalmente esquecida, mas a dor não estava mais ali... Não doía mais.
O aprendizado ficara... E uma verdade, antes muito evidente, agora estava gravada em rocha, e a fogo...
Seu destino sempre esteve traçado, e nunca se modificara... Seu destino era Edward.
– Alice... – Ela murmurou, ainda entorpecida pela revelação.
E então o interfone tocou.
Alice se levantou e seguiu para a cozinha para atender, e Bella prendeu a respiração inconscientemente. Ela sabia quem era.
Alguns minutos depois Patrick passava pela porta, o semblante atormentado.
Alice se despediu de Bella, intuindo que a amiga precisava de um momento a sós com o noivo.
Assim que a baixinha saiu, Patrick se sentou no sofá ao lado de Bella, que tremia por dentro, tensa. O que ela tinha de fazer era complicado o suficiente para deixa-la absurdamente stressada, o que a médica havia desestimulado e desaprovado terminantemente. Mas ela não poderia esperar mais. Precisava esclarecer as coisas e arrumar sua vida. Aquele era o primeiro e mais necessário passo que ela daria.
– Como você está? – Patrick perguntou com sua voz sedosa, os olhos azuis fixos nos de Bella.
– Me sinto bem... – Ela respondeu levemente acanhada – Eu preciso conversar com você.
O médico respirou fundo, imaginando que o que ela queria falar encaixava-se no contexto do que ele tinha ido fazer ali.
– Se você me permitir, existe algo que eu gostaria de lhe dizer antes... – Ele pediu.
Patrick apenas queria facilitar as coisas, tomar para si a tarefa mais árdua, que era carregar a responsabilidade do fim.... Ele sabia o quanto Bella, sendo tão sensível e altruísta, se abalaria por magoa-lo. O amor que ele sentia por ela era grande o suficiente para estimula-lo a tomar as rédeas da situação, ainda que aquilo o estivesse dilacerando.
Ele respirou fundo e fechou os olhos por alguns segundos.
– Eu gostaria de poder explicar os meus motivos... Mas pra isso eu teria que remexer momentos que não estão claros pra você ainda... E isso poderia atormenta-la, o que no seu estágio de recuperação seria muito ruim... – Ele disse com calma, olhando-a com intenso carinho – Eu quero que você nunca esqueça do que vivemos, Bella. Não foi a história de amor da sua vida... Porque eu nunca seria o homem de sua vida e eu sempre soube disso... – Bella suspirou e abriu a boca pra falar, mas Patrick interveio – Não precisa dizer nada... Eu não estou chateado com você por isso. Nunca estive, na verdade. Esse tempo todo eu apenas tentei, e tive muita esperança, devo confessar, que algum dia eu pudesse ser tão importante pra você quanto ele... Sempre tive certeza de que você nunca o esqueceria, mas... Tive esperança. Talvez tenha me iludido, mas quando amamos isso acontece, não é? – ele sorriu fracamente, e Bella balançou a cabeça discretamente – Enfim... Eu sei que você não tem mais certeza sobre nós dois, mas nunca perdeu a certeza sobre Edward. – Patrick engoliu com dificuldade e respirou fundo. Bella olhou para as próprias mãos em seu colo. – O que estou querendo dizer é que... Eu não posso... Mais... Não posso mais. Estou rompendo nosso noivado. – Ele disse de uma vez, em uma única respiração, e seus olhos brilharam.
Bella o olhou e sentiu em seu peito uma pequena ferida se abrindo. Ela havia sim se apaixonado por Patrick. Havia se sentido bem e feliz ao lado dele. Nunca havia sido amor, nunca seria nem um terço do que ela já havia sentido, e ainda sentia, por Edward, mas havia sido algo verdadeiro. E magoou abrir mão, perder aquilo.
– Eu não a culpo por não ter me amado – Patrick continuou – E eu quero que você saiba que fui muito feliz enquanto estivemos juntos. Mas não posso mais fingir que não enxergo o brilho em seus olhos cada vez que Edward entra pela porta, ou a maneira que você sorri pra ele, ou como sua feição muda quando o nome dele é citado.
– Me perdôe, eu... – Bella tentou.
Patrick segurou a mão dela com delicadeza.
– Não peça perdão. – Sorriu – Sentimento é sentimento. Irreprimível, incontrolável, inexplicavel. Eu entendo. Eu sinto o mesmo que você sente. Só não tenho a mesma sorte que você e Edward.
O médico suspirou e olhou para o vazio, controlando a própria tristeza. Bella levantou a mão livre e delizou suavemente pelo rosto dele.
– Você merecia ser correspondido... E eu sinto muito que isso não seja possível. Espero que um dia isso aconteça pra você. Que seja maior e melhor do que o que você sente agora. – Ela suspirou – Eu não sei sobre mim e Edward, mas não acho justo continuarmos juntos quando não temos os mesmos sentimentos um pelo outro. É errado com você, mas comigo também. Não vou dizer se espero ou não algo entre mim e meu ex-marido, porque não sei como ele se sente, mas... Concordo com você. Por mim. Não por qualquer outro motivo. Apenas por mim mesma. Preciso ser honesta com meus sentimentos.
Patrick assentiu e a olhou com seriedade.
– Eu sei. Eu sei o quanto você foi verdadeira comigo e consigo perceber o quanto está sendo agora. Não podemos lutar contra a verdade. – Ele expirou – Você ama o Edward. Nunca deixou de amar e... Dói bastante dizer isso em voz alta... – Sussurrou para si mesmo – E ele te ama da mesma forma. – Patrick sorriu um sorriso irônico – É tão claro isso... Sempre foi, nunca cogitei algo diferente... – Ele se levantou devagar, o rosto distorcido – E agora eu acho que é o momento de me retirar.
Bella se levantou e segurou as mãos dele.
– Vamos nos falar, ou nos ver ainda...? – perguntou cautelosa.
– Sim... – Patrick respondeu prontamente – Mas não por ora. Eu preciso de um tempo pra assimilar tudo isso... A perda.
Eles ficaram em silêncio por um momento.
– Eu amo você, Bella... – Ele disse com a voz baixa, os olhos marejados – Como nunca amei antes. Vou levar isso comigo pra sempre. Vou superar e transformar o sentimento, mas vou guardar o quanto foi especial viver isso com você e por você.
Bella sentiu uma lágrima escorrer por seu olho. Patrick deslizou o dedo para seca-la.
Ele segurou o queixo de Bella com extrema delicadeza e se inclinou para um último beijo, cálido e suave, completamente emocional e desintencionado. Um beijo de despedida.
Bella retribuiu com tristeza. Aquilo selava o fim de algo que a havia feito bem.
Eles se abraçaram por um momento, logo que o beijo foi quebrado e, quando se soltaram, notaram que eram observados.
Edward havia chegado no exato momento em que Patrick beijou Bella, e a dor que aquela cena causou nele o paralisou.
Bella viu a mágoa nos olhos verdes, mas não se deixou levar. Isso seria esclarecido em breve. Olhou para Patrick.
– Obrigada por tudo. Por todo o cuidado e carinho. – Falou.
– Não agradeça – Ele devolveu, ignorando a feição atormentada de Edward – E o que precisar, qualquer coisa, você pode me procurar. Sabe onde me encontrar.
Eles se abraçaram de novo, e então Patrick se dirigiu à porta. Parou na frente de Edward e estendeu a mão.
– Apesar de tudo, foi um prazer conhecer você. – Falou sincero, e Edward apertou a mão dele ainda meio confuso – Cuide bem dela – Patrick se aproximou e sussurrou – E a faça feliz.
Eles trocaram um olhar, surpreendentemente, intensamente cúmplice. E Edward entendeu, com alívio, que aquilo era uma despedida. Ele observou calado o pediatra sair e então, sentindo um misto de conforto e ansiedade, se voltou para Bella.
Ela o olhava em expectativa, aguardando uma reação. Edward apenas tomou uma respiração profunda e, como vinha fazendo todos os dias, se aproximou dela, lhe deu um beijo na testa e sorriu.
– Como está se sentindo hoje? – perguntou com o tom tranquilo.
Bella soltou o ar que nem havia percebido que prendera e sorriu de volta, o coração acelerando, como já era de costume.
– Bem... – Murmurou – Onde está o Tony?
– Eu deixei ele com minha mãe... Ela está com saudades. – Ele sorriu e rodeou a cintura de Bella com naturalidade – E eu vim te buscar, nós vamos sair. Você precisa se distrair e está tendo uma exibição especial dos clássicos de Shakespeare no Boston theatre.
Bella se surpreendeu por um momento, mas em seguida se percebeu muito confortável ali, nos braços dele.
E então Edward caiu em si. Ele havia agido de maneira tão espontânea que nem pensou nas consequências. Se sentiu paralisar.
Bella, enxergando a tensão em seus olhos, aproveitou para dar um passo a mais. Um passo bem pequeno, mas significativo.
Ela sorriu e rodeou o pescoço de Edward com os braços, surpreendendo-o. Ele relaxou de imediato, e sentiu o coração voar. Os dois sorriram, compreendendo que estavam em sintonia.
– Eu vou tomar um banho e me vestir... – Bella falou olhando com intensidade nos olhos de Edward – Quero ficar bonita...
...Pra você. Ela completou em pensamento.
Bella se soltou dele antes que ele pudesse exprimir qualquer emoção, e seguiu para o quarto. Edward apenas suspirou, se sentindo feliz, e sentou no sofá para esperar.
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A noite havia sido ótima.


Risadas, olhares cúmplices... Edward e Bella até andaram de mãos dadas em certo momento. Se sentiram felizes por compartilharem um momento só deles dois, sem pressão ou tensão de qualquer natureza, apenas duas pessoas que se gostavam, fazendo alguma coisa juntos.
Não discutiram sobre a amnésia, sobre os relacionamentos desfeitos ou o deles próprios, não falaram sobre o futuro nem sobre o passado. Simplesmente curtiram a presença um do outro, viveram o presente, esqueceram do mundo, do tempo, da vida.


Estavam em silêncio há alguns minutos, sorrindo levemente, quando chegaram à porta do apartamento.
Bella abriu a porta e se virou de frente para Edward, que havia parado a dois passos da soleira.
Eles se olharam por minutos intermináveis, sem saber o que dizer, mas sentindo, ambos, um conforto muito grande no peito.
Não havia necessidade de palavras ou gestos ou atitudes. O momento era perfeito como estava e eles não queriam que acabasse.
Edward sentiu uma vontade incontrolável de tocar o rosto de Bella, e se deixou conduzir por sua emoção. Levantou a mão esquerda com cuidado e lentidão, para deslizar os dedos pela bochecha direita dela.
Bella estava muito concentrada no mar profundamente verde que eram os olhos dele, mas acompanhou o movimento por puro instinto.
Então sua atenção foi tragada para o pulso de Edward. E seus olhos congelaram na cicatriz fina, mas completamente visível, que definia o limite entre o braço e a mão dele.
Bella segurou a mão de Edward no ar, antes mesmo que ele conseguisse alcançar seu objetivo, e aproximou-a dos olhos com espanto.
Edward, imediatamente alarmado, respirou fundo e esperou.
Então uma explosão de pensamentos, recordações, lembranças, imagens, barulhos, ruídos e vozes atordoou Bella, enquanto ela encarava os olhos de Edward com uma surpresa indiscutível expressa em sua feição.


“Antes que você comece a me expulsar, só escute... Eu te amo! Não me afaste mais de você! Não me faça desistir, Bella... Por favor...”


Um beijo desesperado... Lágrimas... Resistência... Rendição...


“...Se você decidir voltar pra mim eu faço tudo e qualquer coisa pra te fazer sentir segura outra vez... Eu largo tudo, eu mudo tudo em minha vida por você... Eu só preciso de uma chance.”
“...A verdade é que... Eu estou cansado de sofrer por você... Essa dor não cabe mais em minha vida..."


Eu posso insistir... Se eu tiver a certeza de que ainda tenho uma chance...”

“Eu te amo, Bella... E quero você de volta pra mim. Isso nunca mudou. Só me diga se ainda posso ter alguma esperança...”
Uma negativa...Dor... Desesperança... Desistência... Medo...
“Que assim seja.”
Edward indo embora... Dor... Solidão... Desespero... Lágrimas...
Alice...
Raiva em seus olhos... Frieza... Distância...


“Edward está indo embora. Hoje.”
“Como você pode ser tão cega? Ele está fazendo isso por puro desespero! Ele não tem condição alguma de pensar no filho, ainda que, sim, ele pensou nele sim! Mas Edward não suporta mais sofrer! Ele não está indo embora apenas para tocar a vida como achar melhor... Ele está partindo para tentar encontrar paz, sossego da dor que nunca o deixou, Bella!”


Raiva... Indignação... Negação...


“Ele decidiu isso depois do que aconteceu entre vocês na sexta.”


Surpresa... Compreensão... Mais dor...


Bella tentou aceitar, se justificar a si mesma... Assumir a perda mais uma vez...


Alice... Olhos ferozes... Palavras afiadas...


“Você se lembra do dia em que deu a noticia de seu noivado a ele?... Ele tinha cortado os pulsos... Tentou se matar. ... Ele não suportou ter a certeza de que nunca teria você de volta.”


Bella sentiu os joelhos cederem, e teria ido ao chão não fosse Edward a segurar pelos braços.
– Bella você está bem? – perguntou alarmado – Bella...?


Mas ela não respondeu, ainda presa ao jorro de informações que inundavam contínuamente sua cabeça como ondas de um mar revolto. Tudo estava voltando e se encaixando... Tudo estava sendo relembrado e a açoitava como um chicote. Ela estava tão atordoada com o que vivenciava naquele momento que nem notou Edward a levando para o sofá.
Olhos verdes marejados, tristes... Lágrimas humedecendo o rosto perfeito...
“Olhe pra mim Bella, e diga que não me ama mais... Diga que não sente coisa alguma por mim, que tudo que existia entre nós realmente acabou pra você... E eu sigo... Eu sigo com minha vida. Mas eu quero ouvir você dizer isso me olhando nos olhos. Eu preciso ter certeza.”
Uma mentira... Mágoa...Uma dor infindável... Dentro de si... Nos olhos verdes... Tristeza...
Um abraço... Parecia despedida...
“Eu te amo, Bella... Amo pra sempre... Me perdoe pelo que fiz a você... A nós dois... Eu vou deixar você ser feliz agora.”
Bella sentiu o erro... Sentiu a perda mais forte que antes... Algo estava errado...
– Você... Foi naquele dia... – Ela sussurrou para um Edward atento e confuso – A culpa sempre minha... – Bella murmurava sem ar – eu não devia ter te deixado partir...
Ela precisava correr... precisava alcança-lo... precisava dizer a ele que estava errada... precisava assumir seus próprios erros....
Entorpecimento, dor e medo... Um segundo de distração..
O mundo girava enfurecidamente em frente a seus olhos, a dor física superando a dor emocional... Tontura... Barulhos e ruídos metálicos, vidros voando para todos os lados... Escuridão...
– Eu estava tentando chegar... – Bella falou com a voz quebrada – mas eu perdi o controle do carro... eu estava com tanta pressa... Eu precisava chegar e te impedir... você não podia ir... Não podia... Não sem saber que eu admitia meus erros... que eu te daria outra chance se você ainda quisesse... mas eu não consegui... Não consegui...
Um pranto intenso irrompeu pela garganta de Bella, e Edward então entendeu, por suas palavras, pela maneira como ela estava, pela sua expressão... Bella havia se lembrado de tudo. Havia recobrado a memória perdida.
Ele a abraçou, tentando acalma-la, mas não pronunciou palavra. Ela precisava de tempo pra digerir tanta informação.
Ficaram abraçados por um tempo que não puderam mensurar, Edward aguardando que ela se acalmasse, Bella tentando entender todas as lembranças que havia recuperado.
A noite ia alta, já próxima da madrugada, quando Bella suspirou fortemente e se desvencilhou dos braços de Edward para encara-lo.
– Eu me lembro de tudo... – Sussurrou.
Edward assentiu em silêncio.
– Você iría mesmo me deixar...? Você iría se matar e deixar seu filho sem um pai...?
– Eu não estava pensando quando fiz aquilo, Bella... – Edward respondeu um pouco constrangido – Eu me deixei levar pela dor que estava sentindo, eu estava desesperado, louco, sem rumo, sem juízo... Eu não estava aguentando ver você seguir sua vida sem mim... Mas eu me arrependi, muito, disso... Eu tinha que ter sido mais forte, pelo Tony e por minha familia... E foi por isso que depois eu consegui seguir... Ou pelo menos tentei. Mas minha vida nunca foi realmente uma vida sem você...
– Eu te fiz tanto mal... – Bella murmurou.
– Não, não diga isso... – Edward a segurou pelo queixo – Olhe, nós dois erramos...
– Mas tudo começou com um erro meu – ela o interrompeu – se eu não tivesse sido tão negligente com nosso casamento, se não tivesse ficado tão obcecada em engravidar você não teria se sentido solitário e...
– Bella, nada justifica o que eu fiz... – Ele a interrompeu com um sorriso entristecido – Você errou sim, você me pressionou demais e me deixou de lado, mas isso não era motivo pra que eu a traísse... Nem para que eu mantivesse um relacionamento paralelo ao nosso casamento, e eu sinto tanto por isso, eu realmente sinto muito... Se eu pudesse voltar no tempo... mas eu não posso. Tudo que posso fazer é tentar ser melhor do que fui, é tentar te provar que você é a única mulher que eu amei na vida, que você é minha vida... E eu fico perdido sem você. – Ele acariciou a face dela, que sorriu suavemente – Eu nunca quis magoar você... Eu queria ter feito você a mulher mais realizada do universo, mas eu sou só humano... E errei. Tenho certeza de que vou continuar errando, mas nunca repetirei o que fiz... Eu aprendi, e fortaleci a certeza de que meu destino é você, de que você e o Tony são a única coisa que quero, que preciso...
– Eu quero nos dar outra chance... – Bella falou de repente – Eu quero tentar outra vez, eu quero recomeçar, quero escrever outra história com você... A história que deveríamos ter escrito desde o começo... Sem apagar tudo que vivemos porque isso nos fez quem somos hoje, mas quero criar uma coisa nova pra nós dois.
Edward arregalou os olhos em surpresa. Não esperava que fosse ser tão rápido. Ele sabia que Bella, recuperando a memória, e lembrando a decisão que tomara, refaria seu caminho até ele. Mas nem no seu mais alto nível de esperança acreditou que tudo fosse acontecer de uma só vez.
Ele a abraçou emocionado.
– Eu amo você... – Sussurrou nos cabelos dela.
– Eu amo você mais do que tudo em minha vida, Edward. – Ela respondeu, e ele não conteve mais a felicidade.
Há tanto ele queria ouvir aquilo... Segurou Bella pelos ombros, olhando-a de forma intensa, deslizou uma das mãos para o pescoço dela e a puxou.
Eles se beijaram delicadamente, matando a saudade aos poucos, sentindo o desejo, a potência do amor crescer em ondas.
Edward não conseguia acreditar que estava finalmente com Bella em seus braços, aceitando ele de volta, se entregando novamente a ele como há anos, desde antes mesmo da separação, não acontecia.
Bella suspirou nos lábios dele e se acomodou em seu colo, o apertando contra si.
– Me leve pro quarto... – Murmurou entre beijos – Me faça sua outra vez...
Edward expirou em surpresa, o coração acelerando assim como sua respiração. Quebrou o beijo e a olhou nos olhos.
– Você tem certeza...? – perguntou ansioso – Nós não precisamos fazer isso agora, Bella, podemos resolver as coisas com calma antes e...
– Edward... – Bella o silenciou colocando dois dedos na frente dos lábios dele – Eu sou sua. Sempre fui. Já passamos tempo demais separados... Eu quero te sentir em mim outra vez... E quero agora, não quero esperar mais nem um segundo.
Ele sorriu e a carregou, seguindo com ela pelo corredor escuro até o quarto num silêncio profundo e cúmplice.
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Bella abriu os olhos para a manhã que nascia.


Estava virada de frente para a janela, mas podia sentir os olhos de Edward sobre ela, assim como o braço forte e pesado que pairava em sua cintura.
– Casa comigo...? – Ouviu a voz dele, antes de olhar em seu rosto.
Bella se virou rapidamente, um meio sorriso brincando em seus lábios, espelhando o sorriso resplandecente que coloria o semblante de Edward.
– O quê? – Indagou em surpresa.
Edward se ajeitou na cama, ficando praticamente sobre Bella. Olhou fundo nos olhos castanhos.
– Casa comigo. Eu te amo, você é a mulher da minha vida, nós temos um filho... Eu quero que você volte a ser minha esposa. Quero me casar de novo com você.
Bella sorriu mais abertamente e rodeou o pescoço dele com seus braços.
– Sim. – Falou segura.
– sim? – Edward quis confirmar.
– Sim. – Ela repetiu – Sim, sim, sim, sim, sim, sim, mil vezes sim!
Eles riram alto e se beijaram, felizes por estarem juntos novamente.
– Alice vai enlouquecer... – Bella comentou.
– Eu sei. E vai ter um ataque se você não deixa-la planejar todo o casamento e a lua de mel...
– Eu vou deixar que ela faça tudo... Me permitirá ter mais tempo livre pra você.
– Eu gosto disso...
E novamente se beijaram.
No meio do carinho, Edward se lembrou de algo que queria muito, há muito tempo, perguntar a Bella.
– Bella... – Interrompeu o beijo e a olhou, acariciando os cabelos dela – O que fez você decidir...? Eu digo... Você estava indo ao aeroporto me impedir de ir embora, mas o que te motivou? Você estava tão convicta quando conversamos no meu aniversário...
Bella sorriu.
– Alice... Sempre Alice... Ela me deu um puxão de orelha... Mas o que me fez acordar foi saber de sua tentativa... – Ela pegou as mãos dele que estavam em seu rosto, e beijou as cicatrizes em ambos os pulsos – Aquilo funcionou como um choque de realidade... E me obrigou a assumir tudo que eu já vinha me debatendo pra aceitar há muito tempo. – Ela suspirou – Eu não demoraria tanto mais pra ceder... Ainda que Alice não tivesse me contado. Eu não suportaria ficar sem ver você. E minhas forças já estavam indo por terra. Eu lutei contra mim mesma o quanto pude mas, a verdade é que, eu nunca deixei de ser sua... Nossas vidas sempre foram ligadas, e, de algum modo, em algum momento, nós dois estaríamos juntos novamente. Eu entendi isso. E soube que não adiantava fugir.
Edward suspirou, sorriu e a beijou de leve.
– Eu acho que amo minha irmã um pouco mais agora...
E riram. Mais um pouco e um pouco mais. E se amaram outra vez, perdidos um no outro, reencontrando o sentido de suas vidas.
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Quatro meses depois, no jardim da mansão Cullen, ao lado da estufa onde, há tantos anos atrás, Edward havia pedido Bella em casamento pela primeira vez, era dado início a um novo casamento.
– Estamos reunidos aqui, nesta bela manhã de domingo, em meio a amigos e parentes, para celebrar o amor e a re-união deste casal... – O juiz de paz falou do centro do gazebo, onde Bella e Edward, virados de frente um pro outro, se olhavam intensamente, observados por amigos íntimos, familiares, e o pequeno Anthony, que pulava inquieto ao lado de sua madrinha e padrinho, Rosalie e Emmet, que eram os padrinhos de casamento de Bella. – Edward Anthony Masen Cullen e Isabella Marie Swan.
Ao lado de Edward, Alice e Jasper, padrinhos de casamento dele, sorriram ao se olhar, espelhando a felicidade de toda a familia.
– Os noivos me solicitaram uma cerimônia rápida, por já terem passado uma vez por todos estes trâmites... Então sem alongar o protocolo... – Algumas pessoas riram discretamente – Queridos, seus votos.
Edward sentiu o coração bater forte e rápido, concentrando sangue em sua face, fazendo-o corar. Bella sorriu e deslizou os dedos pela bochecha dele, que sorriu de volta.
– Bella... – Ele suspirou, totalmente concentrado nela – Eu não escrevi meus votos porque queria que eles fossem espontâneos, pra que você sentisse a verdade em minhas palavras, a sinceridade em meu sentimento... – Alguém suspirou alto, mas eles não se voltaram para os convidados para ver quem – Dizer que amo você, além de redundante, seria perda de tempo. Todos sabem, inclusive você, da natureza do que sinto. O que quero afirmar e prometer aqui, em frente às pessoas mais importantes de nossa vida, em frente ao nosso filho, é que eu vou cuidar do que existe entre nós como nunca cuidei antes... eu não vou simplesmente prometer lealdade e fidelidade... Vou prometer a você que serei cem por cento sentimento, que nunca deixarei que o amor que sinto por você seja nublado por problemas, causados por quem quer que seja, eu, você ou outras pessoas... Não serei o Edward médico, o Edward filho de Esme e Carlisle, o Edward irmão de Alice ou amigo e cunhado de Jasper. Serei, a partir de hoje e até o fim de nossas vidas, o melhor Edward que posso ser. O Edward da Bella. O homem que você me ensinou a ser, o homem que faz você feliz e que te realiza, o pai do seu filho, seu marido, seu amigo, seu companheiro... – Ele sorriu e se inclinou pra ela – O amor de sua vida. É esse Edward que quero ser e que me comprometo a ser. Agora e pra sempre.
Edward enxugou com o dedo uma lágrima solitária que deslizava no rosto de Bella, e beijou sua testa com carinho.
O juiz de paz prosseguiu.
– Isabella...
Bella respirou fundo, contendo a emoção. Olhou nos olhos que tanto amava e tentou sorrir, mas estava muito movida pelo que sentia naquele momento. Os lábios tremeram quando ela pronunciou as primeiras palavras.
– Edward. – A voz tremeu – Meus votos serão palavras simples, mas que carregam tudo que sinto por você... – Ela suspirou, e ele segurou o rosto dela entre as mãos, sibilando “eu te amo” – Você é meu destino. Meu fim e meu começo... Nessa ordem. Porque você encerrou em mim a Bella orgulhosa, teimosa e intransigente, e fez renascer a Bella que se apaixonou, ainda adolescente, pelo homem mais especial do mundo. Você provoca em mim as reações mais certas e mais maravilhosas... Você me deu o maior e melhor presente que uma mulher sonha na vida... Um filho. Um pedaço de você, um pedaço de nós dois... E nada pode ser maior que isso. Nenhuma mágoa, nenhum erro, nenhum orgulho pode superar o amor que nos une. E por isso eu te prometo... Nunca mais permitirei que algo seja mais forte, tenha mais poder sobre nossa relação, nosso amor. Nós vamos ficar juntos pra sempre, porque eu sou sua, fui feita pra você, e você é meu, foi feito pra mim.
Eles se abraçaram sorrindo, enquanto os convidados suspiravam com a emoção que aquela palavras provocavam.
– Anthony. – O juiz de paz chamou o pequeno – As alianças de seus pais.
O menino se aproximou todo prosa, carregando a pequena almofada branca até a mãe.
Edward e Bella trocaram as mesmas alianças com que casaram a primeira vez, repetiram as frases protocolares de praxe, deram o primeiro beijo como marido e esposa, e então se viraram para os convidados, sorridentes, radiantes.
Alguns minutos depois dos cumprimentos, o casal dançava sua segunda ‘primeira valsa de casados’.
Bella puxou o rosto de Edward pra mais perto e o beijou com carinho nos lábios, antes de virar a cabeça dele de lado e colar suas bochechas.
– Obrigada pelo presente de casamento... – Sussurou no ouvido do marido o sentindo arrepiar – Foi o melhor de todos...
Edward se afastou um pouco dela e a olhou confuso, um meio sorriso nos lábios.
– Que presente...? Os votos?
Bella riu, e sua face iluminou-se de uma forma que fez Edward perder o ar.
– Não... Esse presente...
E puxando uma das mãos dele, que segurava sua cintura, a posicionou sobre o baixo ventre, e sorriu.
Edward parou de dançar e a olhou espantado.
– Você está...
– Grávida. – Ela completou – Vamos ter outro filho.
Edward a abraçou e levantou no ar, girando. Eles riram alto e se abraçaram, chamando a atenção de todos, mas não se importando.
– Eu te amo... – Ele disse, o olhar intensamente ligado ao dela.
– Eu também te amo... – Bella devolveu – Pra sempre...
E voltaram a dançar, mais próximos do que nunca antes, mais felizes do que jamais estiveram, sem nunca quebrar a conexão entre seus olhares...... Entre seus corações.
Fim

N/A (Blog IRL): Gente tudo bem por aí? Como prometido aqui está o último capitulo. O nosso querido casal teve o seu 'Felizes Para Sempre' tão aguardado por vocês.  Muito obrigada a todos que acompanharam a fic e que comentaram. Se quiserem seguir outras histórias dessa autora basta entrar aqui. Não se esqueçam de deixar aqui a  opinião de vocês sobre o grande final

Bjs e um fim de semana para todos 

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